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Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]

MARINHA

Brasileiro não entra

Uma das licitações mais esquisitas dos últimos tempos foi barrada pela Justiça Federal quando ia começar a abertura dos envelopes na semana passada. Motivo: o edital do governo para a compra de equipamentos para hospitais da Marinha simplesmente proibia empresas brasileiras de participar da concorrência. E era explícito: apenas companhias francesas, inglesas, italianas e suecas poderiam entrar no jogo. Trata-se de um negócio de gente grande (e, pelo visto, européia): 500 milhões de reais. É mesmo curioso que uma licitação da Marinha, sempre tão nacionalista, proíba empresas brasileiras de concorrer.

 

POLÍTICA

Poder de filha

José Sarney está nas nuvens com o desempenho de Roseana nas pesquisas para a sucessão presidencial. Mas guarda uma divergência com a filha. Ela reage às idéias do pai para sua própria sucessão. Sarney quer ver como candidato ao governo do Maranhão no ano que vem um de seus amigos do peito – José Reynaldo ou Edison Lobão. Quem conhece a família Sarney de perto acha que Roseana vence a parada e indica quem ela quiser.

O pânico do grampo

O batalhão de advogados do enrolado Paulo Maluf está convicto de que os telefones de seus escritórios foram grampeados. Já até manifestaram oficialmente esse temor à Ordem dos Advogados do Brasil e ao Ministério Público. Estão morrendo de medo por Maluf e pelos outros clientes...

Muita indefinição ainda

Mesmo com tantos pré-candidatos à Presidência lançados e com o frisson diário na mídia, apenas 30% dos eleitores declaram espontaneamente ter preferência por algum nome.

 

AVIAÇÃO

Sem moleza

A Receita Federal solta na segunda-feira uma lista que promete fazer barulho. Nada menos que 11.000 empresas serão excluídas do Refis, o programa em que os devedores reconhecem suas dívidas com o governo e ganham o direito de refinanciá-las em suaves prestações. Entre as rejeitadas está a TransBrasil.

Alguma folga

Nas conversas com as companhias de aviação o governo não admite usar dinheiro público para ampará-las – como é do desejo de quase todas elas, que voam faz tempo no vermelho. Mas, nas entrelinhas, admite que pode fazer algumas concessões para aliviar o setor. Uma delas incluiria diminuição da incidência de taxas, como o PIS/Cofins.

 

O mago peronista-petista

Egberto Nogueira

Duda: na oposição no Brasil e na Argentina

O que têm em comum os peronistas e Lula? Há uma afinidade, pelo menos: o marqueteiro Duda Mendonça, que anda numa maré de alta na Argentina. Duda está comemorando o sucesso dos políticos peronistas que ele assessora por lá. Eduardo Duhalde é o candidato a senador por Buenos Aires mais bem colocado nas pesquisas para as eleições do mês que vem. E o governador de Córdoba, José Manuel de la Sota, o mais bem avaliado do país e fortíssimo candidato a suceder ao frágil De la Rúa. Duda talvez seja hoje o único brasileiro feliz com as notícias vindas da Argentina.

 

GOVERNO

Café incrementado

O ministro Sérgio Amaral vai lançar um programa para estimular os cafeicultores a produzir café especial para exportação – essa foi a chave da Colômbia para tomar parte do mercado que era cativo do Brasil na última década. Amaral já reservou 80 milhões de reais para financiar esses projetos.

 

ECONOMIA

Retorno à banca?

O ex-ministro Alcides Tápias, que durante décadas pertenceu ao quadro do Bradesco, está conversando muito com dois bancos. Um deles é o Mercantil de São Paulo.

De volta

O executivo Claudio Condé está deixando a presidência da Sony Music espanhola para assumir o comando da Warner Music no Brasil, que havia seis meses estava acéfala.

 

GENTE

Recuperação impressionante

Segundo amigos próximos, o paralama Herbert Vianna está conseguindo cantar e tocar guitarra.

 

FRAUDE

País da sonegação

Com apenas 20% do mercado, as três maiores redes de drogaria de São Paulo recolhem quase todo o ICMS do setor. O resto das farmácias é especializado em sonegação.

 

CINEMA

O articulador

Deve-se a Luiz Eduardo Borgeth, ex-diretor da Globo e atualmente no SBT, o comando da articulação que fez virar pó a contribuição obrigatória que desviaria 4% do faturamento bruto das televisões para dar uma mãozinha ao cinema nacional.

 

JUSTIÇA

Prédio de rico, qüiproquó de favela

Chegou ao fim a tremenda confusão que há dois anos atormentava os moradores de um dos mais luxuosos prédios do Rio de Janeiro, onde moram Gilberto Gil, Simone, Eduardo Jorge e o banqueiro Luiz Antônio de Almeida Braga. Saiu uma sentença judicial condenando a socialite Fernanda Colagrossi a retirar do apartamento os 22 cães que ela criava ali. Faziam um barulho dos diabos, e o mau cheiro era insuportável. Agora, o canil de luxo, instalado num apartamento de 550 metros quadrados com vista para o mar, só poderá funcionar com três cachorros, no máximo.

 

Mais brigas entre CBF e Globo

Eduardo Monteiro

Teixeira: atrapalhando como pode a vida da Globo


A Globo pode preparar-se para fazer novamente o que menos gosta: mudar o horário do Jornal Nacional e da novela das 8. O penúltimo jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias, que será disputado na Bolívia, deverá ser marcado para as 8 da noite – assim como aconteceu na quarta-feira passada contra a Argentina. A alteração atrapalha o faturamento dos carros-chefes da emissora. A decisão dos bolivianos tem, claro, o dedo de Ricardo Teixeira, que vive às turras com a Globo. Se bem que, pelo andar da carruagem, o Brasil pode estar desclassificado até lá e a Globo talvez resolva nem transmitir o jogo...

 

 
 




 

   
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