Construtor
de osso
Um novo remédio promete
diminuir a perda de
massa
óssea causada pela osteoporose
A osteoporose, que causa a perda de massa óssea, é um pesadelo
que assombra principalmente as mulheres que já passaram pela menopausa.
Há 200 milhões de doentes no mundo, 10 milhões deles
só no Brasil. Em geral, a osteoporose só é descoberta
depois de uma fratura, quando pode ser tarde demais. Vários centros
de pesquisa estão empenhados no desenvolvimento de drogas capazes
de deter a degeneração. Os avanços têm sido
promissores. Em apenas uma década, surgiram três classes
de medicamentos contra o mal. O remédio mais moderno chama-se Fortéo.
Ele deve chegar às farmácias americanas até o final
deste ano. No Brasil, seu lançamento está previsto para
o início de 2002.
O arsenal disponível para o tratamento da osteoporose inibe a perda
de massa óssea. O Fortéo vai além: é a primeira
droga a estimular a formação de ossos e o faz numa velocidade
superior ao ritmo com que a doença corrói o esqueleto. O
grande mérito é de uma versão sintética do
hormônio PTH 1-34, principal composto do remédio. A substância
aumenta a atividade das células construtoras. "Um dos caminhos
mais eficazes para o tratamento da osteoporose pode estar na combinação
da nova droga com as antigas", diz o médico Luiz Henrique de Gregório,
diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, publicaram
em maio passado um artigo na revista The New England Journal of Medicine
com os resultados do maior estudo já feito com o Fortéo.
Durante 21 meses, eles acompanharam 1.637 mulheres na pós-menopausa,
vítimas de pelo menos uma fratura causada pela osteoporose. Ao
final dos trabalhos, constataram que o fortalecimento da massa óssea
havia sido, na média, de 4%. Os ossos mais beneficiados foram os
da coluna e os do quadril com o remédio, eles se tornaram 13%
e 6% mais densos, respectivamente. Parece pouco, mas é suficiente
para reverter o processo da doença. O único inconveniente
do Fortéo é a sua forma de administração:
o paciente precisa tomar uma injeção todos os dias.
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