Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
Geral Consumo
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  A briga para ver quem vende a TV digital ao Brasil
Construção de casa em tempo recorde a preço mínimo
Nossa Senhora Desatadora dos Nós
A turminha que adora aparecer
Uma civilização mais antiga e tão evoluída quanto os incas
Os vinhos franceses perdem terreno
As listras dominam as coleções de verão
Nova droga combate a osteoporose
Maior precisão no exame papanicolau
Os carros populares já não são tão populares
O show do seqüestro de Silvio Santos continua
A revolução promovida pelo ministro Paulo Renato
As memórias do executivo do século
   
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Hipertexto
VEJA on-line
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Ressaca francesa

Os vinhos da França são os melhores
do mundo? São. Mas ainda assim eles
estão perdendo terreno

Os produtores de vinho da França entraram em estado de alerta com a divulgação de um relatório do Ministério da Agricultura de seu país. Depois de constatar que os franceses vêm perdendo terreno no mercado mundial para chilenos, argentinos, americanos, sul-africanos e australianos, os autores do calhamaço de oitenta páginas apontam quais seriam as causas do declínio: o elitismo e os métodos ultrapassados de produção. Embora a França ainda seja a principal nação exportadora, com vendas anuais de 6,5 bilhões de dólares, sua participação nos negócios não pára de cair desde o início da década de 90 (veja quadro). Há milhões de litros de vinho literalmente encalhados nas centenárias adegas das regiões de Bordeaux e Borgonha.

Os vinhos que compõem o grosso do mercado são aqueles que custam entre 10 e 30 dólares a garrafa. Eles são praticamente inexistentes entre os franceses. Os que estavam próximos a essa faixa de preço cerca de dez anos atrás podem sair agora por até três vezes mais. Aqueles mais acessíveis são, hoje, provenientes de châteaux desconhecidos e de qualidade duvidosa. Enquanto isso, muitas das vinícolas dos outros países oferecem vinhos de preços variados. A australiana Penfolds vende desde o refinado Grange, a 180 dólares, até bebidas mais populares (e decentes), como o Koonunga Hill, a 10 dólares. Os produtores franceses de renome desprezam esse tipo de ecletismo. Eles também resistem à idéia de satisfazer o paladar dos recém-convertidos ao hábito de beber vinho, que preferem aqueles mais leves e frutados, e de tornar mais didáticos os rótulos das garrafas, o que facilitaria a comercialização. O sistema francês de colocar no rótulo a origem geográfica do vinho em vez do tipo de uva com que é feito (como fazem os novos concorrentes) causa confusão em quem não entende do assunto – ou seja, a maioria dos compradores.

Outra desvantagem da França são as leis que controlam sua vinicultura. Em nome da qualidade, elas limitam a quantidade e o tipo de uva produzidos em cada região e proíbem inovações tecnológicas, como os barris de aço na armazenagem, que barateiam o processo de fabricação. Por fim, seu marketing é pobre. Apenas a empresa americana Gallo gastou mais que o dobro em propaganda na Inglaterra do que todas as vinícolas da região de Bordeaux. Sem dúvida, grandes corporações têm mais condições financeiras de investir nessa área que vinícolas familiares que enxergam seus vizinhos de cerca como inimigos mortais. Enquanto apenas três empresas dominam 80% do mercado que cabe à Austrália, somente em Bordeaux existem 20.000 produtores. Se a França não acordar, seus vinhos correm o risco de envelhecer além da conta. Ainda que continuem a ser os melhores do mundo.

 
Foto Alfredo Franco


   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS