Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
Geral Sociedade
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  A briga para ver quem vende a TV digital ao Brasil
Construção de casa em tempo recorde a preço mínimo
Nossa Senhora Desatadora dos Nós
A turminha que adora aparecer
Uma civilização mais antiga e tão evoluída quanto os incas
Os vinhos franceses perdem terreno
As listras dominam as coleções de verão
Nova droga combate a osteoporose
Maior precisão no exame papanicolau
Os carros populares já não são tão populares
O show do seqüestro de Silvio Santos continua
A revolução promovida pelo ministro Paulo Renato
As memórias do executivo do século
   
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Hipertexto
VEJA on-line
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Quase famosos

A multiplicação das festas
favorece a turma que não
perde uma e adora aparecer

Aida Veiga

 
Celia Thome/AE

Júlia: ajudazinha do nome do pai e da sogra
FF

Brazil em festa, com Cristina Mortágua: revistas para a Paraíba

Do aniversário do apresentador Luciano Huck ao campeonato de tranca do Jockey Club de São Paulo, passando pelo casamento da princesa Maria Pia de Orleans e Bragança, uma epidemia de acontecimentos sociais sacudiu a nação nos últimos dias. Cada um com a sua cota de famosos. Huck recebeu políticos festeiros, modelos estonteantes e artistas globais em seu tríplex na Barra da Tijuca. Socialites de nomes quilométricos foram cumprimentar Maria Pia na igreja do Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro. Já no torneio de tranca, a estrela foi Angelita Feijó, apresentadora em recesso e modelo eventual, uma bela morena de 1,80 metro que, por onde passa, atrai olhares e fotógrafos. Angelita integra um time formado e cultivado justamente pela proliferação de festas dos últimos tempos: o das pessoas que, pashmina ou o terno Armani a postos, comparecem a praticamente tudo, de recepções de gala a coquetéis de lançamento de produtos, vernissages, inaugurações e o que mais o e-mail depositar na sua caixa postal. Circulam tanto, e com tal assiduidade, que quem acompanha colunas sociais e revistas de celebridades fica com a vaga sensação de conhecê-las – embora seja difícil rotulá-las com precisão. A superexposição pode render contatos e contratos, mas muitas vezes o candidato a famoso nem está atrás disso. O que ele quer mesmo, de verdade, é aparecer, ser clicado, ver sua foto publicada. "O que não falta nesse meio é gente que implora convite e xinga quando não é chamado, suborna segurança para entrar e se faz de íntimo de todo mundo", entrega Alicinha Cavalcanti, 38 anos, ela mesma uma aparecidíssima figura que, de tanto se promover, virou promoter – opção de carreira, aliás, muito comum no meio. "Eu me dei bem", avalia.


Rogério Domingues

Alicinha: doze linhas de telefone e agenda bem sortida


Alta, pernas voluptuosas, sempre vestida com roupas justas, decotadas e chamativas, Alicinha guarda na estante quatro álbuns com recortes a seu respeito – nada mau para quem veio de fora do eixo social, como filha de um fazendeiro da cearense Sobral. Solteira após dois divórcios, munida de nove linhas de telefone fixo e três celulares, uma agenda poderosíssima e um quarto inteiro abarrotado de roupas, sapatos e acessórios exuberantes, Alicinha é do tipo que não perde festa – "sempre tive muitos amigos". Já é reconhecida, o que lhe rende o que qualifica, deliciada, de "constrangimentos", como quando "estava em um restaurante com o pessoal do Paralamas do Sucesso e o garçom pediu meu autógrafo, não o deles". Transfigurada em promoter, ela freqüenta os dois lados do balcão: pede convite para uma comemoração "difícil"; mas também é alvo de pedidos encarecidos de amigos e amigos de amigos para as badalações que promove. "Eles nos bajulam, mandam presentes, flores. Muitos, desesperados, oferecem até dinheiro em troca de um convite", conta outra promoter, Fernanda Barbosa, carioca radicada em São Paulo. "Tem gente que pede tanto para ir que, mesmo sendo um ninguém, acabo convidando", emenda a carioca Liége Monteiro. "Se a pessoa está com tanta vontade, vai trazer um astral legal." Um insistente dos mais conhecidos é o paraibano David Brazil (nascido Francisco David dos Santos), 32 anos, que há catorze largou o emprego de empacotador em Campina Grande com a idéia fixa de conquistar o Rio de Janeiro. Começou distribuindo panfletos publicitários em hotéis e acabou como conhecidíssimo relações-públicas de uma rede de churrascarias. Gago, contava histórias engraçadas, e assim foi se aproximando de gente conhecida, que arrebanha até hoje para enfeitar e dar prestígio a seu local de trabalho. "Sempre quis conhecer pessoas famosas, chegar perto delas e, quem sabe, ser famoso também", diz ele. David já fez ponta em novela e se tornou "amigo inseparável" de gente como Romário e Susana Werner. Mas a glória maior é aparecer em revistas – que manda para a família na Paraíba – e, claro, ser reconhecido na rua. "Nessas horas, não resisto: mesmo sem conhecer a pessoa, grito 'maravilhosa' e mando beijo", entusiasma-se.


trabalho. "Sempre quis conhecer pessoas famosas, chegar perto delas e, quem sabe, ser famoso também", diz ele. David já fez ponta em novela e se tornou "amigo inseparável" de gente como Romário e Susana Werner. Mas a glória maior é aparecer em revistas – que manda para a família na Paraíba – e, claro, ser reconhecido na rua. "Nessas horas, não resisto: mesmo sem conhecer a pessoa, grito 'maravilhosa' e mando beijo", entusiasma-se.


Contigo

Adriane, com Accioly: de aspirante a alavanca para a fama
Lu Lacerda

Ramos e Chateaubriand: festas de arromba para homenageados que mal conhecem


Fama de cometa – Alicinha e David precisaram fazer amigos e conquistar pessoas por muito tempo antes de cavar o próprio nicho. Hoje, com tanto evento simultâneo e celebridades insuficientes para atender a todos, ficou mais fácil aparecer. A maneira mais rápida e eficiente é se acoplar ao brilho e ao braço de uma celebridade (veja quadro com outros mandamentos do aparecido), com aquele arzinho de começo de romance. Adriane Galisteu, ela própria uma obstinada aspirante à fama não faz muito tempo, precisou apenas de algumas poses diante das câmaras para alavancar seu novo namorado, Alexandre Accioly, milionário carioca já iniciado na companhia de famosos (sai com o onipresente Huck e recebeu Angélica e Susana Werner em sua festa de aniversário). Accioly faz pose de quem não gosta de se expor: "Saio nas fotos com ela, mas não comento nossa relação". Também faz charme a encantadora e circuladíssima Júlia Petit. Aos 28 anos, ela se enquadra na tribo dos modernos, usa cabelo vermelho flamejante e tem dez tatuagens, sempre amplamente à mostra. Sua profissão é produtora de áudio, mas as conexões familiares pesam consideravelmente mais: ela é filha do publicitário Francesc Petit e mulher de Beto Lee, filho de Rita. Diz, candidamente, que não sabe por que recebe uns dez convites por dia: "Eu, por mim, não ligo para aparecer, mas acho gostoso ver a reação da família. Eles ficam superorgulhosos: meu pai manda as revistas para minha mãe, que mora na Espanha, e todos ligam para mim".

A gaúcha Angelita, 32 anos, é outra beneficiada pela efervescência social do momento: separada há menos de três anos, saiu exibindo o corpão sarado em roupas sensuais em festonas e festinhas. Virou apresentadora de um programa de esportes (no momento, afastada), capa de revista, modelo nas horas vagas, presença certa em chás e inaugurações e, para arrematar, detentora de uma coleção de jóias com seu nome, o novo passatempo predileto de uma miríade de socialites. "Para alcançar o sucesso, é preciso se fazer presente. Mas não vou a tudo, para não desgastar minha imagem", diz. A monumental Angelita já ocupa um espaço cativo na categoria dos quase famosos, o tipo de lugar cobiçado por quem está no início da batalha, como a paulista Adriana Bittencourt, designer de bijuterias e, como repetem todos os que a citam, amiga da apresentadora Eliana. "Não vou dizer que aparecer não é bom profissionalmente. Mas não faz a menor diferença para o meu ego", jura Adriana, apontada por promoters como uma das mais vorazes caçadoras de convites. Há quem torça o nariz para recém-chegados muito afoitos. "Esse pessoal que provoca fatos para aparecer, namora um, casa com outro e contrata assessor de imprensa tem fama de cometa: aparece, faz barulho, mas some rapidinho", alfineta a loiríssima Marina de Sabrit, socialite paulista de 48 anos. Habitué nas colunas sociais, Marina viveu seus momentos de celebridade popular justamente durante o fugaz casamento da filha, Patrícia, com o cantor Fábio Júnior. Marina é de mandar fotos de suas férias para revistas e bater ponto tanto em ocasiões beneficentes quanto em concurso de modelo. "Sempre gostei de ver minha foto nas revistas. Só que agora, com a idade, nem sempre fico feliz com o resultado", suspira.


Sérgio Cabral
Fernando Figueiredo Babado
Angelita e Marina: torneio de tranca, chá beneficente e retratos das férias no vale-tudo para aparecer nas revistas

Patrocínio – Em último caso, quando a aparência, o sobrenome, o par ou as conexões não fazem efeito, pode-se comprar um espaço na televisão. O apresentador Otavio Mesquita vende cotas de patrocínio de seu programa para noticiar lançamentos de carro, inauguração de restaurante e desfile de grifes. "Se quiser, o patrocinador pode aparecer no meio da reportagem", conta. "A maioria quer." Ter dinheiro, aliás, ajuda em todos os aspectos dos mandamentos básicos dos quase famosos. O carioca André Ramos, que tem imóveis e herança do pai, usa o seu para promover festas junto com Bruno Chateaubriand, com quem divide um apartamento no célebre edifício Chopin, em Copacabana. Tudo é motivo para comemorar: alguém que vai viajar, alguém que chegou de viagem, o aniversário de um conhecido. Nenhum homenageado precisa ser íntimo; boa parte dos convidados também não é. Em geral, Bruno e André consultam o Sociedade Brasileira, um catálogo de telefones e endereços da grã-finagem, na hora de fazer a lista. Oferecem do bom e do melhor a seus convidados, ligam pessoalmente para jornalistas e fotógrafos e fazem com que suas festas estejam sempre nas páginas sociais. Tanto insistiram que, nos últimos tempos, começaram a ser convidados também. A partir daí, já podem celebrar: firmam-se no pelotão de frente dos quase famosos.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS