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Quase
famosos
A multiplicação
das festas
favorece a turma que não
perde uma e adora aparecer
Aida Veiga
Celia Thome/AE

Júlia:
ajudazinha do nome do pai e da sogra |
FF

Brazil
em festa, com Cristina Mortágua: revistas para a Paraíba |
Do aniversário
do apresentador Luciano Huck ao campeonato de tranca do Jockey Club de
São Paulo, passando pelo casamento da princesa Maria Pia de Orleans
e Bragança, uma epidemia de acontecimentos sociais sacudiu a nação
nos últimos dias. Cada um com a sua cota de famosos. Huck recebeu
políticos festeiros, modelos estonteantes e artistas globais em
seu tríplex na Barra da Tijuca. Socialites de nomes quilométricos
foram cumprimentar Maria Pia na igreja do Outeiro da Glória, no
Rio de Janeiro. Já no torneio de tranca, a estrela foi Angelita
Feijó, apresentadora em recesso e modelo eventual, uma bela morena
de 1,80 metro que, por onde passa, atrai olhares e fotógrafos.
Angelita integra um time formado e cultivado justamente pela proliferação
de festas dos últimos tempos: o das pessoas que, pashmina ou o
terno Armani a postos, comparecem a praticamente tudo, de recepções
de gala a coquetéis de lançamento de produtos, vernissages,
inaugurações e o que mais o e-mail depositar na sua caixa
postal. Circulam tanto, e com tal assiduidade, que quem acompanha colunas
sociais e revistas de celebridades fica com a vaga sensação
de conhecê-las embora seja difícil rotulá-las
com precisão. A superexposição pode render contatos
e contratos, mas muitas vezes o candidato a famoso nem está atrás
disso. O que ele quer mesmo, de verdade, é aparecer, ser clicado,
ver sua foto publicada. "O que não falta nesse meio é gente
que implora convite e xinga quando não é chamado, suborna
segurança para entrar e se faz de íntimo de todo mundo",
entrega Alicinha Cavalcanti, 38 anos, ela mesma uma aparecidíssima
figura que, de tanto se promover, virou promoter opção
de carreira, aliás, muito comum no meio. "Eu me dei bem", avalia.
Rogério Domingues

Alicinha:
doze linhas de telefone e agenda bem sortida |
Alta, pernas voluptuosas, sempre vestida com roupas justas, decotadas
e chamativas, Alicinha guarda na estante quatro álbuns com recortes
a seu respeito nada mau para quem veio de fora do eixo social,
como filha de um fazendeiro da cearense Sobral. Solteira após dois
divórcios, munida de nove linhas de telefone fixo e três
celulares, uma agenda poderosíssima e um quarto inteiro abarrotado
de roupas, sapatos e acessórios exuberantes, Alicinha é
do tipo que não perde festa "sempre tive muitos amigos".
Já é reconhecida, o que lhe rende o que qualifica, deliciada,
de "constrangimentos", como quando "estava em um restaurante com o pessoal
do Paralamas do Sucesso e o garçom pediu meu autógrafo,
não o deles". Transfigurada em promoter, ela freqüenta os
dois lados do balcão: pede convite para uma comemoração
"difícil"; mas também é alvo de pedidos encarecidos
de amigos e amigos de amigos para as badalações que promove.
"Eles nos bajulam, mandam presentes, flores. Muitos, desesperados, oferecem
até dinheiro em troca de um convite", conta outra promoter, Fernanda
Barbosa, carioca radicada em São Paulo. "Tem gente que pede tanto
para ir que, mesmo sendo um ninguém, acabo convidando", emenda
a carioca Liége Monteiro. "Se a pessoa está com tanta vontade,
vai trazer um astral legal." Um insistente dos mais conhecidos é
o paraibano David Brazil (nascido Francisco David dos Santos), 32 anos,
que há catorze largou o emprego de empacotador em Campina Grande
com a idéia fixa de conquistar o Rio de Janeiro. Começou
distribuindo panfletos publicitários em hotéis e acabou
como conhecidíssimo relações-públicas de uma
rede de churrascarias. Gago, contava histórias engraçadas,
e assim foi se aproximando de gente conhecida, que arrebanha até
hoje para enfeitar e dar prestígio a seu local de trabalho. "Sempre
quis conhecer pessoas famosas, chegar perto delas e, quem sabe, ser famoso
também", diz ele. David já fez ponta em novela e se tornou
"amigo inseparável" de gente como Romário e Susana Werner.
Mas a glória maior é aparecer em revistas que manda
para a família na Paraíba e, claro, ser reconhecido
na rua. "Nessas horas, não resisto: mesmo sem conhecer a pessoa,
grito 'maravilhosa' e mando beijo", entusiasma-se.
trabalho. "Sempre
quis conhecer pessoas famosas, chegar perto delas e, quem sabe, ser famoso
também", diz ele. David já fez ponta em novela e se tornou
"amigo inseparável" de gente como Romário e Susana Werner.
Mas a glória maior é aparecer em revistas que manda
para a família na Paraíba e, claro, ser reconhecido
na rua. "Nessas horas, não resisto: mesmo sem conhecer a pessoa,
grito 'maravilhosa' e mando beijo", entusiasma-se.
Contigo

Adriane,
com Accioly: de aspirante a alavanca para a fama |
Lu Lacerda

Ramos
e Chateaubriand: festas de arromba para homenageados que mal conhecem |
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Fama de
cometa Alicinha e David precisaram fazer amigos e conquistar
pessoas por muito tempo antes de cavar o próprio nicho. Hoje, com
tanto evento simultâneo e celebridades insuficientes para atender
a todos, ficou mais fácil aparecer. A maneira mais rápida
e eficiente é se acoplar ao brilho e ao braço de uma celebridade
(veja quadro com outros mandamentos do aparecido), com aquele arzinho
de começo de romance. Adriane Galisteu, ela própria uma
obstinada aspirante à fama não faz muito tempo, precisou
apenas de algumas poses diante das câmaras para alavancar seu novo
namorado, Alexandre Accioly, milionário carioca já iniciado
na companhia de famosos (sai com o onipresente Huck e recebeu Angélica
e Susana Werner em sua festa de aniversário). Accioly faz pose
de quem não gosta de se expor: "Saio nas fotos com ela, mas não
comento nossa relação". Também faz charme a encantadora
e circuladíssima Júlia Petit. Aos 28 anos, ela se enquadra
na tribo dos modernos, usa cabelo vermelho flamejante e tem dez tatuagens,
sempre amplamente à mostra. Sua profissão é produtora
de áudio, mas as conexões familiares pesam consideravelmente
mais: ela é filha do publicitário Francesc Petit e mulher
de Beto Lee, filho de Rita. Diz, candidamente, que não sabe por
que recebe uns dez convites por dia: "Eu, por mim, não ligo para
aparecer, mas acho gostoso ver a reação da família.
Eles ficam superorgulhosos: meu pai manda as revistas para minha mãe,
que mora na Espanha, e todos ligam para mim".
A gaúcha
Angelita, 32 anos, é outra beneficiada pela efervescência
social do momento: separada há menos de três anos, saiu exibindo
o corpão sarado em roupas sensuais em festonas e festinhas. Virou
apresentadora de um programa de esportes (no momento, afastada), capa
de revista, modelo nas horas vagas, presença certa em chás
e inaugurações e, para arrematar, detentora de uma coleção
de jóias com seu nome, o novo passatempo predileto de uma miríade
de socialites. "Para alcançar o sucesso, é preciso se fazer
presente. Mas não vou a tudo, para não desgastar minha imagem",
diz. A monumental Angelita já ocupa um espaço cativo na
categoria dos quase famosos, o tipo de lugar cobiçado por quem
está no início da batalha, como a paulista Adriana Bittencourt,
designer de bijuterias e, como repetem todos os que a citam, amiga da
apresentadora Eliana. "Não vou dizer que aparecer não é
bom profissionalmente. Mas não faz a menor diferença para
o meu ego", jura Adriana, apontada por promoters como uma das mais vorazes
caçadoras de convites. Há quem torça o nariz para
recém-chegados muito afoitos. "Esse pessoal que provoca fatos para
aparecer, namora um, casa com outro e contrata assessor de imprensa tem
fama de cometa: aparece, faz barulho, mas some rapidinho", alfineta a
loiríssima Marina de Sabrit, socialite paulista de 48 anos. Habitué
nas colunas sociais, Marina viveu seus momentos de celebridade popular
justamente durante o fugaz casamento da filha, Patrícia, com o
cantor Fábio Júnior. Marina é de mandar fotos de
suas férias para revistas e bater ponto tanto em ocasiões
beneficentes quanto em concurso de modelo. "Sempre gostei de ver minha
foto nas revistas. Só que agora, com a idade, nem sempre fico feliz
com o resultado", suspira.
Sérgio Cabral
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Fernando Figueiredo Babado
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| Angelita
e Marina: torneio de tranca, chá beneficente e retratos das férias
no vale-tudo para aparecer nas revistas |
Patrocínio
Em último caso, quando a aparência, o sobrenome,
o par ou as conexões não fazem efeito, pode-se comprar um
espaço na televisão. O apresentador Otavio Mesquita vende
cotas de patrocínio de seu programa para noticiar lançamentos
de carro, inauguração de restaurante e desfile de grifes.
"Se quiser, o patrocinador pode aparecer no meio da reportagem", conta.
"A maioria quer." Ter dinheiro, aliás, ajuda em todos os aspectos
dos mandamentos básicos dos quase famosos. O carioca André
Ramos, que tem imóveis e herança do pai, usa o seu para
promover festas junto com Bruno Chateaubriand, com quem divide um apartamento
no célebre edifício Chopin, em Copacabana. Tudo é
motivo para comemorar: alguém que vai viajar, alguém que
chegou de viagem, o aniversário de um conhecido. Nenhum homenageado
precisa ser íntimo; boa parte dos convidados também não
é. Em geral, Bruno e André consultam o Sociedade Brasileira,
um catálogo de telefones e endereços da grã-finagem,
na hora de fazer a lista. Oferecem do bom e do melhor a seus convidados,
ligam pessoalmente para jornalistas e fotógrafos e fazem com que
suas festas estejam sempre nas páginas sociais. Tanto insistiram
que, nos últimos tempos, começaram a ser convidados também.
A partir daí, já podem celebrar: firmam-se no pelotão
de frente dos quase famosos.
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