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Moradia a jato

Estrutura metálica permite
construção em tempo recorde
e a preço mínimo

Murilo Ramos

 
Fotos: divulgação

A última novidade na área da construção de casas populares no Brasil entrou no mercado no início de agosto. É uma estrutura metálica simples, que pode ser montada em duas horas por apenas dois homens munidos de poucas ferramentas e uma escada. Vinte e um dias depois o imóvel já tem condições de ser habitado. Terá paredes, telhado, janelas, acabamento no banheiro, na cozinha e na área de serviço. O esqueleto metálico tem a vantagem de ser firme, o que evita rachaduras e outros acidentes na construção. O recheio da casa dependerá do gosto do freguês. As paredes poderão ser feitas com placas pré-moldadas de cimento celular ou com alvenaria comum. A planta é planejada de tal forma que permite ampliações posteriores. E custa relativamente pouco.

A estrutura de uma construção de 48 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha, área de serviço e banheiro, é vendida na forma de kit, com manual de instrução para a montagem, por 2.500 reais. Pronta, a casa mais barata, com azulejos e louças simples, exige o desembolso de 7.000 reais, em média. O custo de uma construção popular tradicional, dessas que as prefeituras costumam bancar, é de cerca de 10.500 reais.

Em Itaguaí, cidade do interior do Rio de Janeiro, existe um campo de teste das moradias a jato. Ali, a prefeitura doou o terreno, 100 famílias compraram o kit, ergueram suas residências e fizeram a mudança em menos de um mês. Um sucesso. Os inventores da casa de esqueleto metálico costumam dizer que ela é a versão imóvel do automóvel 1.0. Não tem acessórios supérfluos e é muito funcional.

A notícia de que já é possível construir moradias populares a baixo custo em curto espaço de tempo é um alento para muita gente. Segundo estimativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil, o Brasil tem hoje cerca de 5 milhões de famílias sem casa própria. Outros 7 milhões de famílias vivem em barracos ou cortiços sem higiene nem segurança. A Caixa Econômica Federal disponibiliza linhas de financiamento de projetos de construção para essa gente. Agora, com um método que torna a moradia mais barata, o sonho da casa própria fica mais acessível. Famílias com renda até três salários mínimos podem financiar um modelo básico de residência em 25 anos, pagando prestações de 40 reais por mês. "Acreditamos que haja tanta gente interessada em nosso produto, no Brasil e em outros países, que ainda nem conseguimos estimar quanto deveremos produzir e vender nos próximos anos", diz Carlos Gerdau Johannpeter, diretor de negócios do grupo gaúcho Gerdau, um dos fabricantes da casa 1.0.

 
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