Edição 1 644 -12/4/2000

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O ninho da corrupção

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A fita de uma negociata no Rio
VEJA on-line divulga, com exclusividade, o trecho de uma gravação em que Carlos Augusto Siqueira, um dos atuais assessores do governador Anthony Garotinho, combina o superfaturamento de um contrato com a prefeitura de Campos, no interior do Estado do Rio de Janeiro.

Policiais, políticos, juízes, empresários e fiscais se envolvem numa trama de escândalos que não pode ser ignorada e deixa os brasileiros perplexos

Eliana Simonetti

Basta! O brasileiro está farto da corrupção. Para onde se olhe há suspeitas crescendo como grama. As CPIs que investigam o tráfico de drogas prendem mais delegados e parlamentares que bandidos. Prefeitos de cidadezinhas do interior e de grandes capitais como São Paulo têm um problema comum: contratar advogados para se livrar de acusações de corrupção. Alguns perderam o mandato. Outros foram parar atrás das grades. Nos seis últimos anos, o Ministério Público investigou, só no Estado de São Paulo, 532 denúncias contra prefeitos. O governador Anthony Garotinho, liderança emergente da novíssima safra de políticos, parece agora preso numa teia de amigos envolvidos em atividades suspeitas no Rio de Janeiro. Sua polícia está desmoronando sob acusações de envolvimento com o narcotráfico. Acre, Minas Gerais e Paraná chafurdam no que vem sendo chamada de "banda podre" da polícia. Pior do que estar rodeado de malfeitores é o sentimento que se vem disseminando entre os brasileiros de que não há a quem recorrer. Justamente quem deveria estar protegendo a sociedade parece ter passado para o lado do mal.

Orlando Brito
"Eu tenho vergonha do Brasil. Chegou a hora de o povo reagir."
Na terça-feira passada

Edson Arantes do Nascimento


Os brasileiros sentem-se cercados por autoridades corruptas prontas a delinqüir em troca de uma propina. O motorista encosta o carro no posto de gasolina e se pergunta: isso aí é gasolina pura ou é batizada com solvente? Afinal, onde está o fiscal que permite a venda de um combustível que destrói o motor do carro? O morador do prédio assaltado por uma quadrilha equipada com comunicadores de rádio e armas de mira infravermelha descobre pelos jornais que a grande tecnologia dos ladrões era outra. Na verdade, o sucesso da gangue se devia ao suborno do delegado do bairro para que a polícia nada fizesse enquanto eles limpavam os apartamentos. As mães de uma maternidade pública carioca e os pacientes renais de um laboratório de diálise em São Paulo descobrem que a alta taxa de mortalidade das clínicas que os acolheram se deve ao uso de material de baixa qualidade comprado como se fosse de primeira para os chefes embolsarem a diferença. As situações descritas acima não são exemplos fictícios. São fatos tirados de notícias de jornal nas últimas semanas.

A sensação de desamparo dos brasileiros é natural. Não poderia sentir-se de outra maneira quem observa o que acontece a sua volta todos os dias. Na quinta-feira passada, a CPI do Narcotráfico fez uma escala em Pernambuco e prendeu Marcontio Araújo, irmão do deputado Eudo Magalhães. Isso para não falar de casos que ultrapassam os limites da corrupção pura e simples, como o do juiz trabalhista Nicolau dos Santos Neto, o "Laulau", que com sua cara de Santo Antônio de Pádua é acusado de patrocinar o desvio de 169 milhões de reais da obra de construção da sede do TRT em São Paulo. Ou, pior ainda, o do ex-deputado federal Hildebrando Paschoal, o da motosserra, cassado e preso sob a acusação de chefiar uma quadrilha de traficantes e assassinos no Acre.

"Estou com vergonha do Brasil", disse Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, na última terça-feira. Não é só Pelé que tem vergonha. Na semana passada, o site de VEJA na internet (www.veja.com.br) promoveu um debate para saber o que as pessoas pensam sobre a corrupção que grassa pelo país. Para instigar o leitor, propôs três questões. Perguntou se o Brasil é um país essencialmente corrupto, se o problema tem solução e como ele poderia ser resolvido. Algumas das opiniões estão reproduzidas nesta reportagem. Elas mostram o grau de saturação a que o país chegou. E não se trata, aqui, apenas da corrupção grossa, aquela que desvia recursos que o governo poderia estar aplicando na educação, na saúde ou na aposentadoria dos velhinhos. São relatos genuínos de pessoas furiosas com a perversão miúda, que se insinua pelas frestas mais estreitas da vida nacional, do remédio falsificado que colocam na prateleira da farmácia ao patrulheiro rodoviário que leva propina para fechar os olhos. Até bandido preso volta às ruas mediante pagamento a sua excelência, o encarregado da carceragem. Difícil acreditar? Pois bem, na semana passada, cerca de 1.200 carcereiros de São Paulo foram listados pela CPI do Narcotráfico como suspeitos de facilitar a fuga de presos. "A corrupção se alastrou. Já não está circunscrita aos suspeitos tradicionais. Isso é um risco para o país", diz David Fleisher, cientista político americano naturalizado brasileiro que preside a organização não-governamental Transparência, Consciência e Cidadania, baseada em Brasília.

Há algumas indicações sérias entre as considerações das pessoas neste momento:

Entre os suspeitos de corrupção figuram muitas vezes os próprios encarregados de combatê-la. Na Câmara dos Vereadores de São Paulo, a comissão encarregada de decidir se será aberto processo de impeachment contra o prefeito Celso Pitta é formada majoritariamente por integrantes da bancada do prefeito. Começam a surgir também no Brasil casos de gente que mexe no ninho da corrupção e acaba assassinada. Em São Paulo, fiscais da prefeitura e vereadores corruptos cobravam propinas dos camelôs. O homem que primeiro denunciou a máfia, Gilberto Monteiro da Silva, foi assassinado com quinze tiros no mês passado.

Muita gente denunciada e investigada sofreu processos na Justiça e saiu livre. A CPI da corrupção, do tempo do governo Sarney, fez um barulho tremendo e não resultou numa única condenação. Há problemas com a coleta de provas e com a lentidão da Justiça. Montam-se processos ineptos que beneficiam os acusados. Demora-se tanto tempo para percorrer todas as etapas judiciais necessárias que muitos crimes acabam prescrevendo. O ex-ministro do Trabalho Rogério Magri, acusado de ter recebido 30 000 dólares para facilitar a liberação de recursos do fundo de garantia para uma obra no Acre em 1991, foi condenado, em fevereiro último, a dois anos de prisão. Ainda pode recorrer, e se o caso se arrastar por mais dois anos, como se prevê, a pena prescreverá.

Não existe um trabalho sistemático de coerção da corrupção. As investigações se dão por espasmos. Houve a fase da CPI dos Precatórios, depois vieram a do Sistema Financeiro, a do Judiciário e a do Narcotráfico. Começaram com grande alarido e foram silenciando aos poucos. Atualmente, os processos em que elas desaguaram arrastam-se lentamente. A CPI do Judiciário prometia virar o sistema da aplicação das leis pelo avesso. Acabou reduzida à denúncia de poucos juízes.

"Já fiquei desapontada, surpresa, horrorizada. Hoje me sinto desesperançada", diz Anna Verônica Mautner, psicanalista de São Paulo. Ela conta que seu neto, de 16 anos, quando viu pela televisão a reportagem com as denúncias de Nicéa Pitta contra o ex-marido, Celso Pitta, prefeito de São Paulo, comentou o seguinte: "Ela está se promovendo porque quer ser vereadora". "Estamos vivendo um momento de deseducação", analisa Miguel Arroyo Filho, um espanhol, professor da Universidade Federal de Minas Gerais estudioso de temas ligados a educação e cultura.

Não é sem razão que as pessoas andam assim desencantadas. Ultimamente têm vindo à tona as histórias mais estapafúrdias. Nos últimos dias, o país descobriu que uma agência bancária de uma cidadezinha em Pernambuco movimentou 250 milhões de reais no ano passado. O motivo, segundo denúncias feitas à CPI do Narcotráfico, é o fato de a cidade estar no entroncamento de grupos organizados no Piauí, em Alagoas e Pernambuco para o roubo de cargas rodoviárias, carros, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Soube-se também que a Secretaria de Segurança do Ceará está investigando oficiais do Corpo de Bombeiros do Estado acusados de desvio de verbas públicas e falsificação de documentos. E que o Ministério Público está investigando um esquema de licitações fraudulentas para a coleta de lixo na cidade de São Paulo – os processos abertos em decorrência dessa investigação podem resultar na devolução de 5 bilhões de reais à prefeitura. É dinheiro demais rolando na sombra. E, para piorar o ânimo das pessoas, a semana acabou com uma briga protagonizada por dois senadores da República, Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado, e Jader Barbalho, presidente do PMDB, que se chamaram mutuamente de tudo. "Corrupto", "ladrão", "bajulador", "truculento", "mentiroso" e "indigno", disse ACM de Jader. "Corrupto", "ladrão", "truculento", "farsante" e "mentiroso", devolveu o paraense.

Não é de hoje que a classe política é malvista no país, e o espetáculo dos dois senadores, em matéria de gesticulação, palavreado e tom de voz, não foi exatamente uma novidade. A surpresa foi ver os dois se acusando de corrupção, já que tradicionalmente os políticos se protegem uns aos outros contra suspeitas tão desmoralizantes. A cena foi horrorosa, mas pode ser um bom sinal. Espera-se para os próximos dias a definição sobre um projeto de emenda constitucional que anda tramitando pelo Congresso, apelidada de "emenda aglutinativa 52". Talvez, diante da disposição guerreira dos senadores, ela seja derrubada.

A emenda pretende ressuscitar privilégios de ex-ocupantes de cargos públicos, que passariam a ter direito a julgamento em foro especial. O processo que corre na Justiça contra a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, por exemplo, que deve ser julgado nos próximos meses, passaria para o Supremo Tribunal Federal, onde a fila de espera é bem maior. E um ex-prefeito de uma remota cidade do interior não seria julgado na comarca local, mas no Tribunal de Justiça, na capital de seu Estado. A Justiça brasileira, que já não é famosa por sua celeridade, ficaria ainda mais emperrada. Se aprovada, a tal emenda 52 vai distanciar os casos de corrupção da opinião pública e entupir mais ainda a já congestionada pauta dos tribunais superiores. O promotor Ricardo Leme, do Ministério Público paulista, compara: "O presidente Bill Clinton foi investigado por um promotor comum nos Estados Unidos. Ex-ministros da França foram julgados por um tribunal de instrução comum. Se a regra mudar no Brasil, um ex-ocupante de cargo federal qualquer terá privilégios que nem presidentes têm em outros países".

Espera-se que a legislação não mude. Exceto no sentido de inibir cada vez mais a corrupção e facilitar a punição dos culpados. E, considerando os efeitos que o cinismo teria sobre o país, o manual recomenda que se observe o problema com frieza, para resolvê-lo de forma cirúrgica. É sabido que, quanto maior a burocracia, maior a margem de corrupção do funcionalismo público. Também já se concluiu que em países onde o Estado é maior, mais intervencionista, a corrupção campeia. Nesses países, há mais espaço para vender favores aos lobos de plantão. A situação brasileira já foi muito pior nesses quesitos. Hoje, a maior parte da verba arrecadada pelo governo é administrada pelos municípios, e a privatização tapou um ralo por onde dinheiro do governo podia escapar para contas bancárias de administradores inidôneos. Corrigindo: dinheiro do governo, não. Dinheiro do povo, do contribuinte. Todo o dinheiro oficial que escapa criminosamente para bolsos privados sai do contribuinte. Como definiu Armínio Fraga, presidente do Banco Central, esse dinheiro é "o meu, o seu, o nosso".

O que tem causado espanto, nos últimos tempos, é a descoberta de que a corrupção parece estar se descentralizando, assim como a administração do dinheiro público. Inúmeras prefeituras pelo Brasil afora sofrem com decisões movidas a propinas, licitações viciadas, compras superfaturadas. O Estado de São Paulo é um terreno fertilíssimo de episódios envolvendo prefeitos. A ponto de o Ministério Público Estadual ter criado uma Assessoria Especial de Crimes de Prefeitos. O campeão de investigações está em Bauru. Eleito pelo PPB, Antônio Izzo Filho foi investigado nove vezes em três anos. Além das acusações de cobrança de propina, é suspeito de envolvimento em incêndios criminosos, coação e formação de quadrilha. Está preso e já tem duas condenações em primeira instância. O Ministério Público espera que ele devolva o equivalente a 1,3 milhão de dólares à prefeitura. O valor normalmente é fixado em reais, mas, como o ex-prefeito cobrava propina em dólares, o processo manteve como padrão a moeda americana. Outro prefeito cassado que aguarda na prisão o julgamento é Néfi Tales, eleito pelo PDT em Guarulhos. Na gestão dele, o Ministério Público apurou enriquecimento ilícito e irregularidades em contratos de prestação de serviços. Duas ações reivindicam a devolução de 38 milhões de reais à prefeitura.

O combate aos esquemas de corrupção é demorado e requer ataque em várias frentes. Para armar-se, o país precisa de boas leis. Note: não de muitas leis. Isso o Brasil já tem. O importante é ter boas leis. As que existem hoje ainda são um tanto dóceis, flexíveis, sujeitas a interpretações variadas, o que cria um campo ótimo para a prevaricação. Afora as leis, as instituições diretamente ligadas ao combate à corrupção precisam ser aparelhadas. Há várias questões em debate no momento. O Ministério Público, por exemplo, tem brigado pelo poder de quebrar o sigilo bancário das pessoas, uma forma muito eficiente para identificar os ninhos de corruptos. A idéia de facilitar aos procuradores o rastreamento de contas bancárias, porém, gerou uma polêmica fenomenal. Os bancos postaram-se na defesa do direito de seus clientes à privacidade. Outra discussão acalorada é a que envolve a lei da mordaça, em pauta no Congresso. Se ela for aprovada, procuradores e juízes estarão impedidos de divulgar informações sobre processos que não estejam concluídos. A proposta é vendida como uma defesa para o cidadão que se pode ver condenado injustamente pela opinião pública antes que tenha oportunidade de defender-se. É possível que isso aconteça, como de fato já ocorreu no passado. Por outro lado, foi graças à indiscrição dos procuradores que muitos processos avançaram. Em outra situação, teriam ido para debaixo do tapete.

O debate a respeito do poder do Ministério Público está em evidência porque ele se tornou o paladino da Justiça no Brasil, fortalecido pelas atribuições que recebeu na Constituição de 1988 e animado por uma geração de jovens procuradores dispostos a brigar. A mesma qualidade falta em outros órgãos encarregados de policiar a administração pública. A Secretaria Federal de Controle, que tem a atribuição de fiscalizar a atividade dos ministérios, não é um ser independente. Está subordinada ao Ministério da Fazenda. Por esse cordão umbilical, fica vulnerável às conveniências políticas de momento. O Tribunal de Contas da União, que assessora a Câmara dos Deputados na fiscalização do governo federal, é formado por ministros indicados pelo presidente da República. Nos Estados Unidos, o General Accounting Office, organismo responsável por investigar a atividade do governo, tem um controlador-geral nomeado pelo Congresso. Sim, há uma diferença.

Lá, a lei que pune corruptos e corruptores tem mais de vinte anos. Custou um pouco para ser aplicada, mas hoje está funcionando bem, até com a ajuda inesperada de certas peculiaridades. Exemplo: a criação de cadeias confortáveis onde os ocupantes pagam diárias caras. Por mais surpreendente que pareça, isso ajudou a colocar na prisão os magnatas do colarinho sujo. Outros países também conseguiram fazer uma faxina na maracutaia. Em 1973, o governo de Hong Kong decidiu moralizar seu corpo policial. Montou uma comissão independente e identificou os pontos fracos da instituição. Com base no diagnóstico, foram sendo atacados os problemas. O trabalho arrastou-se por mais de uma década, mas dali saiu uma polícia limpa. "O Brasil precisa fazer algo semelhante e tentar reduzir o risco de surgir situações que estimulem a desonestidade", diz Eduardo Capobianco, presidente da Transparência Brasil, recém-constituída como seção nacional da Transparency International.

A Itália levou anos para desmantelar o poder da Máfia em seu território. Foram instaurados processos contra mais de 1 200 políticos, funcionários de governo, militares, advogados, juízes e empresários. Quase 600 pessoas foram condenadas, e muito dinheiro desviado foi devolvido aos cofres públicos. Enquanto a Operação Mãos Limpas, como foi chamada, esteve no ar, o grau de corrupção caiu sensivelmente. Só assim a Itália se habilitou a ser uma das estrelas da União Européia. Mas o caso não está encerrado. "Há sinais de reaparição da corrupção. E, pior, com anticorpos contra os sistemas de controle", diz o procurador chefe de Milão, uma das maiores cidades italianas, Gerardo D'Ambrosio. Conclusão dessa novela: a luta não é fácil nem tem prazo para terminar. Mas não existe alternativa.

Mesmo com toda a fúria que o brasileiro está manifestando contra os corruptos, o cidadão já pode notar alguns sinais animadores no terreno do combate à roubalheira. Seria ótimo que os avanços se concretizassem mesmo. É muito o que se tem a ganhar com a queda da corrupção. Até mesmo quando se esquece do principal, o ganho moral, ainda sobram motivos para limpar o país custe o que custar. Segundo uma estimativa de Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, professor da Fundação Getúlio Vargas, a redução de apenas 10% no nível de desonestidade nacional provocaria um aumento de 50% na renda per capita do brasileiro num período de 25 anos. A constatação de alguns fatos pode estimular a disposição dos brasileiros de combater a chaga da corrupção.

A explosão de um número maior de denúncias não significa necessariamente que a corrupção esteja aumentando. Ela pode apenas estar mais visível.

Nem todas as investigações acabam em pizza. Há muita gente sendo condenada a ressarcir os cofres públicos. Outros já foram presos ou perderam o emprego. Na Receita Federal, 53 fiscais foram afastados por corrupção nos últimos cinco anos. Outros dezenove estão sendo processados. A CPI do Orçamento, em 1993, investigou dezoito parlamentares e cassou o mandato de seis.

Em todas as instituições públicas há corregedorias, encarregadas de fiscalizar o bom comportamento dos funcionários. Elas são lentas, e muitas vezes não funcionam. Mas há leis para condenar corruptos. E, cobradas, as corregedorias operam.

Desde 1992 está em vigor a lei "da improbidade administrativa", que facilita o trabalho dos fiscais do bom comportamento de funcionários de governo. Ela permite que se deflagre uma investigação ao simples sinal de que uma pessoa está gastando mais do que sua renda justificaria. Em oito anos, a Promotoria da Cidadania, na capital paulista, abriu 300 processos com base nessa lei.

O melhor sinal vem de fora. A posição do Brasil só melhora na pesquisa anual da Transparency International, organismo que se dedica a medir a percepção que os empresários têm da honestidade nos locais onde fazem negócios. Em 1995, o Brasil era considerado o quinto país mais corrupto do mundo. Quatro anos depois, já tinha desempenho melhor do que 44 países. "O brasileiro já venceu outras batalhas. Deu um basta à inflação, que ninguém mais agüentava. E essa atitude foi tomada não apenas por motivos econômicos. Teve também razões morais", diz o cientista político Sérgio Abranches, do Rio de Janeiro. Portanto, há motivos para esperança.

Com reportagem de César Nogueira, Nilson Vargas e Edilson Coelho

O que você pode fazer

As denúncias são importantes no combate à corrupção. Alguns órgãos públicos oferecem telefones com chamada gratuita. Outros, como a Polícia Federal e a Receita, exigem a presença do denunciante. Alguns telefones:

Governo federal

Ministério da Saúde: 0800 611997
Ministério da Educação: 0800 616161

Estados

Alguns Estados têm um canal para denúncias anônimas. O número pode ser obtido na companhia telefônica local. Exemplos:

São Paulo
Disque-denúncia: 0800 555190
Disque-corrupção: 0800 177070
Ministério Público Federal: 11 287-1389
Ministério Público Estadual: 11 232-1162

Rio Grande do Sul
Disque-denúncia: 51 227-2000

Minas Gerais
Ministério Público Federal: 31 236-5656

Rio de Janeiro
Disque-denúncia: 21 253-1177

Bahia
Disque-denúncia: 0800 712197

 

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