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Edição 1 781 - 11 de dezembro de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]


GOVERNO LULA

Desejo oculto
Nos bastidores, Antônio Palocci manobrou quanto pôde para manter Armínio Fraga no BC.

Onde está Wally?
Constatação: o sempre falante Guido Mantega tomou um chá de sumiço. Tem falado quase nada.

O show da posse
Está definido na cabeça de Duda Mendonça o elenco que será convidado para cantar na festa da posse de Lula: Zezé Di Camargo, Gilberto Gil, Zeca Pagodinho e, claro, Chico Buarque.

Fera petista 1
Está saindo faísca da relação entre os representantes das empresas do setor elétrico e Dilma Rousseff, responsável pela área de energia na equipe de transição do novo governo. Os executivos do setor estão apavorados com o que consideram discurso radical da petista.

Fera petista 2
Aliás, numa palestra em Frankfurt, no fim de novembro, Dilma Rousseff mostrou os dentes: no dia seguinte a um discurso otimista de Pedro Parente sobre o futuro do país, a fera petista ministrou à platéia internacional doses elevadas de pessimismo.

 

O PT que diz sim a Soros

 
Fotos AP/Tina Coelho
Soros e Cristovam: penca de elogios do petista ao megaespeculador

Quando Armínio Fraga foi escolhido para o Banco Central, os petistas caíram de porrete. Diziam, então, que Armínio não passava de um "empregado do megaespeculador George Soros". Hoje, como se sabe, a maioria esmagadora dos petistas não pensa assim. Mas outros petistas foram mais longe. Passaram a elogiar também a antiga encarnação do diabo. Ele mesmo – George Soros. No prefácio de Globalização, o recém-lançado livro de Soros, Cristovam Buarque, que na semana passada era apontado como possível ministro da Educação de Lula, se derrama em elogios ao supercapitalista. "Este livro mostra um pensador preocupado" em "(...) superar o quadro de pobreza que o futuro anuncia", afirma. Mais: "o megainvestidor constrói uma ponte com aqueles que ainda sonham com alguma forma de utopia social".

 

GOVERNO FHC

"ANP Pictures"
Por que uma agência que cuida da regulamentação e fiscalização do setor petrolífero deve gastar dinheiro mandando produzir filmes sobre o setor? Difícil saber. Mas a Agência Nacional do Petróleo está fazendo exatamente isso – a um salgado custo de 1,2 milhão de reais.

De volta ao começo
Numa conversa com um amigo na semana passada, o sarcástico Delfim Netto fez uma crua avaliação da inflação nos anos FHC. Lembrou que o IGP-DI em 1995 foi de 14,8%. Entre janeiro e outubro deste ano, o mesmo índice já bateu em 16,3%. "Chega-se à conclusão de que quem acabou mesmo com a inflação foi o Itamar...", ironiza.

 

ELEIÇÕES

E agora, José?
Tem uma pedra no meio do caminho para a aprovação das contas de campanha de José Serra. Lá pelas tantas, aparece na lista de doadores o Instituto Brasileiro de Siderurgia. Trata-se de uma entidade de classe, o que é proibido pela legislação. Lula teve o mesmo problema e só passou no crivo do TSE porque eram apenas 50.000 reais – irrisórios diante da campanha milionária do PT. No caso de Serra não será tão fácil. O tucano levou 1 milhão de reais da turma do aço.

 

ECONOMIA

Bilhões e milhões
Está praticamente fechado: na troca de governo, Luiz Tarquínio deixa o comando da Previ. Em janeiro, assumirá a presidência da Fundição Tupy – da qual, aliás, a Previ é uma das donas. Com a mudança, deixa de controlar um caixa de 38 bilhões de reais por um de 580 milhões de reais.

 

EDUCAÇÃO

O efeito Provão
Os resultados do Provão de 2002, que o MEC divulga na quarta-feira, trazem uma notícia boa para os estudantes e péssima para as instituições de ensino superior de má qualidade. Os cursos de administração, direito, engenharia civil, engenharia química, medicina veterinária e odontologia que obtiveram conceitos D ou E, os piores desempenhos da avaliação, sofreram uma redução, entre 1997 e 2002, de 49% na procura por seus vestibulares. Agora, o outro lado da moeda: os cursos das mesmas áreas que alcançaram conceitos A ou B tiveram acréscimo de 6,3% na demanda.

 

O gênio que não descansa

Arthur Cavalieri/Strana
Niemeyer: energia para tocar três projetos ao mesmo tempo


De Oscar Niemeyer se tem uma certeza e uma probabilidade, pelo menos. A probabilidade: talvez seja o homem mais velho do país em atividade profissional. A certeza: é um dos raros gênios brasileiros exercendo plenamente seu ofício. No domingo 15, Niemeyer completa 95 anos às voltas com três novos projetos. Um deles é um auditório para 950 pessoas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O segundo, um teatro que abrigará espetáculos de dança, em Joinville. E, finalmente, a nova residência do paulista Amilcare Dallevo, dono da Rede TV!. Não se sabe a receita para tanta disposição, mas Niemeyer continua fumando diariamente suas cigarrilhas e se alimentando de carne vermelha e de comida temperada.

 

AVIAÇÃO

Mais um
À extensa lista de credores da Varig, deve-se acrescentar mais um – o ex-presidente Arnim Lore. Por contrato, ele teria garantido um ano de seu salário de 60.000 reais por mês. Como só ficou três meses, tem ainda 540.000 reais a receber. É mais uma fatura prestes a bater no minguado caixa da Varig.

 

TELEVISÃO

Com a digital de Marluce
Mesmo doente e afastada do batente, Marluce Dias da Silva tem participado de reuniões com executivos da Globo para tratar do orçamento do ano que vem.

Cartas na mesa
Boni tem até o fim de janeiro para decidir seu destino profissional – mas deve fazê-lo antes. Na mesa, três propostas tentam seduzi-lo. Uma, de Silvio Santos, para ser o manda-chuva do SBT. Outra, de Johnny Saad, para se tornar sócio da Band. E a terceira da própria Globo.


Colaboraram Felipe Patury e Ronaldo França

 
 



   
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