Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 768 - 11 de setembro de 2002
Artes e Espetáculos Ensaio
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Especial
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  O terceiro filme de Austin Powers
Divinos Segredos, com Sandra Bullock
Seu Creysson, o candidato do Casseta & Planeta
Sandy & Junior fracassam no exterior
Uma história cultural do pênis

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Roberto Pompeu de Toledo

E aguardem: no próximo bloco...

Uma sugestão para dar mais
clareza e objetividade à
disputa entre os candidatos

No próximo bloco... Candidato enfrenta candidato em luta corporal.

Ainda não se chegou a tanto, mas quem sabe chegaremos? E, se chegarmos, que mal há nisso? A força dos músculos e a valentia são as formas mais naturais de galgar a uma posição de liderança. Não poucas nações de ilibada reputação, ao longo da história, escolheram seus reis por esse método. Mesmo hoje, povos nas florestas ou em ilhas do Pacífico a ele atribuem peso decisivo. Isso sem falar nas turmas de rua ou nos clãs familiares. No Brasil de hoje, viria agregar clareza e objetividade a um processo eleitoral carente de critérios para a segura avaliação dos candidatos.

Se algo já está nítido, a esta altura da campanha presidencial, é a desmoralização dos programas de governo. O candidato Lula começou a campanha com um programa que pregava a "ruptura" com o atual modelo. Não gostaram, e a "ruptura" foi riscada do mapa. O candidato Ciro Gomes defendia uma reforma política prevendo curioso sistema de dissolução do Parlamento e convocação antecipada de eleições, sem que o regime deixasse de ser presidencialista. Presidencialismo com dissolução do Parlamento! Algo jamais visto! O candidato foi acusado de pouco-caso com as instituições democráticas, até mesmo de flertar com o fascismo – e adeus dissolução. Seu programa virou uma obra aberta, que pede sugestões pela internet, e em que cabem a qualquer momento correções e contribuições.

E quando os programas se põem a precisar cifras? Um promete criar 8 milhões de empregos, outro, 10 milhões. A segurança com que tais metas são apregoadas supõe que os formuladores de programas sejam capazes de figurar a exata conjuntura nacional e internacional que terão pela frente nos próximos quatro anos, incluindo guerras, ataques terroristas e crises do petróleo. Só assim mereceriam alguma credibilidade cifras sacadas sobre o futuro. Estariam eles com essa bola toda, melhor dizendo: com essa bola de cristal toda? O candidato Garotinho fixou em 280 reais o salário mínimo que baixará em seu primeiro ano de governo e em 400 reais o que baixará no segundo. Quando anunciou tais valores, 280 reais equivaliam a 100 dólares, sempre tomados como piso para um salário mínimo decente. Hoje já estão abaixo desse patamar. Garotinho, na improvável hipótese de ser eleito, e ainda mais que, nesse caso, é razoável supor que os chamados mercados, e com eles o câmbio e o risco país, estarão indóceis como montaria de rodeio, corre o risco de estar oferecendo um salário mínimo com poder de compra menor que o atual.

"Programa" é palavra que os candidatos pronunciam com a boca cheia. "Está no meu programa", "consulte o meu programa", "tenho um programa", dizem, com a gravidade bufa com que o Pacheco, de Eça de Queiroz, personagem-síntese da tacanhice jeca do político português, dizia: "Ao lado da liberdade, deve sempre coexistir a autoridade". "Programa de governo" seria sinônimo de seriedade. De compromisso. Recordem-se dos programas do passado e se concluirá que de compromisso costumam ter pouco. Examinem-se os do presente e se concluirá que de seriedade, com suas idas e vindas, adendos e correções, têm também pouco. Elaborar e apresentar um programa de governo não é mais que o cumprimento de um ritual fastidioso. Acresce que, na atual eleição, a diferença entre os programas resume-se, como num jogo de armar, ao modo de combinar as mesmas palavras: emprego, segurança, estabilidade...

Se os programas de governo estão em baixa, está em alta a xingação entre os candidatos. Desde que começou a propaganda na TV, Ciro Gomes e José Serra puseram-se em deliciosa troca de impropérios. A mesma troca foi o ponto alto do debate entre os candidatos na TV Record, na semana passada. E é disso – confessemos com todas as letras – que o público gosta. Sim, não sejamos hipócritas: é disso que todos gostamos. Assim como o ponto alto dessa mais tediosa das competições, que é a corrida de automóveis, é a derrapagem e a trombada; assim como a cena inesquecível de uma tourada é aquela em que o touro rasga os fundilhos do toureiro e o projeta nos ares; assim também, num debate político, o que conta é o momento do sarrafo, do vitupério. Prova de que o público gosta é que o debate da Record teve a audiência média, na Grande São Paulo, de 9,5 pontos, nada desprezível, para a emissora, e para o horário, e que a audiência foi crescendo, ao longo das duas horas e meia de programa, atingindo picos de 12 e 13 pontos, na mesma medida em que cresciam as afrontas entre os adversários.

Com isso voltamos ao ponto de partida. Se os programas não oferecem senão mesmices e platitudes, quando não fátuos exercícios de futurismo, se o que vale mesmo é briga, e se de briga o público gosta, por que não incluir, nos debates futuros, um segmento em que os candidatos se enfrentam fisicamente? Depois do jornalista-pergunta-a-candidato e do candidato-pergunta-a-candidato, o mediador anunciaria:

– No próximo bloco... Candidato enfrenta candidato em luta corporal.

   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Livraria Nobel
 
Ingressos
Ingresso.com.br
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS