Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 768 - 11 de setembro de 2002
Especial
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Especial
 

11 de setembro, o mundo nunca mais foi o mesmo
Bush, herói ou caubói do apocalipse?
Os sobreviventes um ano depois
A tragédia em números
Por que o Islã não sente remorso

Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Por que o Islã não
sente remorso

Os dezenove terroristas responsáveis pela carnificina no World Trade Center e no Pentágono eram árabes e muçulmanos. Eles atacaram em nome de uma versão fundamentalista do Islã minoritária entre o 1,3 bilhão de muçulmanos. Um ano depois do atentado, a reação da maioria islâmica ao desafio da minoria fanática ainda é uma questão sem resposta


Veja também
Nesta edição
O mundo nunca mais foi o mesmo
O dono do mundo
A história de quem sobreviveu
A tragédia em números
Na internet
A cobertura completa realizada por VEJA

Um efeito notável dos atentados de 11 de setembro foi o de revelar para a maioria das pessoas a existência de um mundo obscuro, agressivamente primitivo e vingativo, o do fundamentalismo islâmico. Tão logo se soube que a carnificina fora cometida em nome de Alá, levantou-se um coro de vozes sensatas – entre elas a do presidente americano George W. Bush – para garantir que Osama bin Laden e os dezenove seqüestradores não podiam ser vistos como a verdadeira face do islamismo, religião com 1.400 anos de existência e 1,3 bilhão de fiéis. Um ano depois, ainda está em aberto a questão de como o mundo muçulmano reagirá ao desafio da minoria fanática e sedenta de sangue. O que se viu até agora é pouco animador. Do Marrocos à Indonésia, as ruas foram tomadas por manifestações a favor de Osama bin Laden. No Paquistão, os mulás emitiram decretos religiosos, as chamadas fatwas, convocando os fiéis à guerra santa contra os americanos no Afeganistão, e milhares de voluntários atenderam ao chamado.

O historiador americano Daniel Pipes estimou, em entrevista a VEJA, que a versão extremista atrai a simpatia de menos de 15% dos muçulmanos. Isso torna mais intrigante a escassez de oposição pública ao terrorismo no universo desses países. No início dos anos 90, Samuel Huntington, da Universidade Harvard, defendeu a tese de que, encerrada a disputa ideológica entre capitalismo e comunismo, o confronto global mais iminente seria o choque de civilizações entre o Ocidente e o Islã. Na prática, as coisas são um pouco mais complexas, pois o mundo islâmico é muito diversificado. O historiador americano-palestino Edward Said acredita que, na realidade, os atentados são conseqüência de uma disputa por corações e almas entre diferentes correntes islâmicas no mundo árabe. Essa disputa se alimenta do fracasso político, cultural e econômico acumulado pelos países muçulmanos após o fim do colonialismo europeu. O sentimento de frustração desses povos é intensificado por uma infecção cultural típica do Oriente Médio: a arraigada convicção de que todos os acontecimentos significativos têm origem numa conspiração externa.

 
AP
GUERRA SANTA
Militantes de partido islâmico paquistanês manifestam apoio a Osama bin Laden nas ruas de Karachi: dificuldades de conviver com a tolerância religiosa

O mundo moderno é repleto de promessas – mas a maioria dos muçulmanos é pobre demais para usufruir delas. Muito mais presente é a desorientação cultural produzida pela própria modernidade. Os regimes árabes são, praticamente todos, arremedos ditatoriais de modelos políticos ocidentais, com pouco a oferecer a seus cidadãos. Os fundamentalistas, em contrapartida, prometem um mundo de regras bem definidas, com destaque para a guerra maniqueísta entre os crentes e os infiéis. Francis Fukuyama, professor de política econômica internacional da Universidade Johns Hopkins, diz que os americanos tendem a acreditar que seus valores e instituições – democracia, direitos individuais e liberdade econômica – são aspirações universais. Infelizmente não é assim. Enquanto a maioria dos povos da América Latina, da Ásia e da África inveja a riqueza das nações desenvolvidas, os fanáticos fundamentalistas só vêem provas de consumismo decadente no mundo ocidental. As massas do mundo árabe tenderam a comemorar os atentados de 11 de setembro porque essa tragédia, segundo a visão de muitos dos que aprovaram o ataque, humilhou os Estados Unidos, país que eles consideram corrompido e infiel. "A corrupção não se expressa na permissividade ou nos direitos da mulher, mas na sociedade leiga. O que detestam é que o Estado promova o pluralismo religioso e a tolerância, em vez de ser um servo da verdade religiosa", diz Fukuyama. A ofensiva militar contra a Al Qaeda é uma boa forma de neutralizar o terrorismo islâmico. Mas haverá sempre um problema de grande envergadura se os próprios países islâmicos não derem sua contribuição no combate ao terrorismo. O desafio para a comunidade muçulmana está na convivência com o princípio do Estado leigo e da tolerância religiosa. "Ela precisa decidir se quer fazer as pazes com a modernidade", afirma Fukuyama.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS