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Confira
em Estação
VEJA
os trechos de livros, filmes e
CDs recomendados nesta seção |
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CINEMA
O
Estranho (The Limey, Estados Unidos, 1999.
Estréia nesta quinta-feira em São Paulo e
Rio) Graças à onda em torno de Traffic,
chega finalmente ao país este suspense noir que o
diretor Steven Soderbergh filmou há dois anos. O
maior achado da fita é colocar frente a frente dois
dos maiores ícones dos anos 60: o inglês Terence
Stamp, tido como um dos homens mais bonitos do mundo à
época, e o americano Peter Fonda, de Sem Destino.
Stamp é um bandido veterano que, recém-saído
de uma prisão inglesa, ruma para Los Angeles, a fim
de vingar-se dos responsáveis pela morte de sua filha.
Em sua mira está Fonda, milionário, bon vivant
e ex-amante da moça. Apoiado na interpretação
originalíssima de Stamp, o diretor desconstrói
todas as convenções de espaço e tempo
para que o espectador acompanhe não só a viagem
do bandido à Califórnia, mas também
sua jornada pelo passado e por um presente que, por causa
das décadas em que esteve encarcerado, ele mal consegue
decifrar. A título de flashback, por exemplo, Soderbergh
usa imagens de um filme que o diretor inglês Ken Loach
fez em 1967, A Lágrima Secreta, no qual o
jovem Stamp vivia adivinhe um assaltante com
uma filha pequena. Para quem ficou fã do diretor
com Traffic, é um programa imperdível.
DISCOS
Só
Um É Muito Só, Fabio Tagliaferri (Ná
Records) Este disco é uma resposta aos intérpretes
da MPB que reclamam da escassez de novos compositores no
mercado e só regravam temas desgastados. Em seu segundo
CD, o músico paulista Fabio Tagliaferri apresenta
um repertório que poderia figurar nos discos de qualquer
medalhão. Ele compôs sambas, choros, baiões
e canções pop ao lado de Luiz Tatit e Arnaldo
Antunes, entre outros letristas de gabarito. O CD também
conta com a participação de gargantas preciosas,
como a de Mônica Salmaso, na melancólica Silêncio,
e a de Ná Ozzetti, que brilha em Música
de Frente e Show. Todas as faixas são
temperadas pelos acordes da viola de arco de Tagliaferri,
instrumento erudito que ele transpôs para o território
popular. Encomendas pelo
(011) 3819-7880.
Anthology
Through the Years, Tom Petty & The Heartbreakers
(Universal) Pouco conhecido no Brasil, o cantor e
guitarrista Tom Petty é herdeiro direto de Bob Dylan
e The Byrds, artistas que traduziram a música caipira
americana para a linguagem do rock. Em 26 anos de carreira,
ele não só revitalizou o gênero country
rock, acrescentando-lhe doses de punk music e new wave,
como também conquistou a admiração
de seus ídolos da juventude Petty excursionou
com Dylan nos anos 80 e integrou os Traveling Wilburys,
supergrupo formado por veteranos do rock inglês e
americano. Este CD duplo registra os melhores momentos da
carreira do roqueiro entre 1976 e 1993 e dá uma noção
do talento de Petty. Ao lado de sua banda, Heartbreakers,
ele desfia seu repertório de rocks assobiáveis
(The Waiting) e baladas de cortar o coração
(Free Fallin', que entrou na trilha de Jerry Maguire
A Grande Virada).
TELEVISÃO
Seinfeld
(Domingos, às 23h45, na Record) Um
dos grandes sucessos do canal pago Sony, a série
escrita, produzida e protagonizada pelo comediante Jerry
Seinfeld chegou na semana passada à televisão
aberta. Diferentemente do concorrente SBT, que anda exibindo
outro grande seriado, Família Soprano, em
horrorosa "versão brasileira", a Record transmite
sua nova atração com legendas. É uma
decisão acertadíssima. O humor sutil e o nonsense
que fizeram de Seinfeld o seriado favorito dos americanos
nos anos 90 correriam sério risco na voz de dubladores
canhestros. Outro ponto a ser destacado é que a "série
sobre o nada", que acabou em 1998, está indo ao ar
desde seus primeiros capítulos.
LIVRO
Eu,
Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída...,
de Kai Hermann e Horst Rieck (tradução
de Maria Celeste Marcondes; Bertrand Brasil; 320 páginas;
35 reais) Após dois anos fora de catálogo,
este livro, fenômeno de popularidade nos anos 80,
volta em tradução revista. Alternando relatos
da protagonista, da mãe, de psicólogos e policiais,
narra a história real de uma criança alemã
que se prostitui para comprar heroína. Sem meios-tons,
os autores oferecem descrições de jovens que
se injetam drogas, de mortes por overdose e de sórdidas
relações sexuais. Depois da era da "heroína
chique", em que alguns publicitários promoveram uma
verdadeira estetização do vício, a
releitura do livro ajuda a lembrar que na dependência
não há glamour nenhum, apenas tragédia.
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LITERATURA
BRASILEIRA
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Nada
Mais Foi Dito Nem Perguntado
Luís
Francisco Carvalho Filho
Editora
34;
96 páginas;
15 reais
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Bem
menos brilhante do que se costuma apregoar, o escritor
checo Milan Kundera tem, no entanto, um mérito
incontestável: compôs a melhor definição
isponível no mercado. Segundo ele,
romances em particular, e obras ficcionais em geral,
são "o terreno onde o julgamento moral é
suspenso". Em outras palavras, neles é possível,
ainda que por um breve instante, esquivar-se à
"irremovível prática humana de julgar
a todos, sem parar, sem compreender". Em sua estréia
literária, Nada Mais Foi Dito nem Perguntado,
o advogado Luís Francisco Carvalho Filho parece
ter decidido comprovar essa tese de uma vez por todas.
O resultado é um livro singular e surpreendente.
A
intenção de "suspender o julgamento"
é tanto mais interessante quanto se leva em
conta que os treze textos de Nada Mais Foi Dito
nem Perguntado têm a ver com o cotidiano
do direito nos fóruns e delegacias. Carvalho
Filho usa armas curiosas. Ele não escreve contos,
mas esquetes que se desenrolam por meio de ágeis
diálogos, registrados com objetividade e sem
espaço para intervenções "autorais".
Além disso, a variedade de personagens e situações
exibidas não deixa espaço para estereótipos:
não estamos diante de um sistema legal previamente
concebido como corrupto ou justo. Espertamente, Carvalho
Filho também se concentra em procedimentos
como a audiência ou o interrogatório,
e jamais no momento dramático da sentença.
Ou seja, todas as situações registradas
por ele acabam em suspenso, e nunca numa decisão.
Para terminar, talvez se pudesse acrescentar uma última
volta ao parafuso. Pois num dos textos, Caveirinha,
é a própria capacidade da linguagem
de transmitir informações precisas que
é posta em questão, durante uma atrapalhada
audiência. Ou seja, passo a passo, o autor vai
deixando de lado tudo que é seguro e certo.
Com isso, seus esquetes são um arguto e divertido
retrato do universo legal brasileiro. Mas são
também algo mais: celebram o prazer e a liberdade
envolvidos nos atos de ler ou escrever ficção.
Carlos
Graieb
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| Fontes:
São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel,
Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto
Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília:
Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife:
Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis:
Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva;
Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte:
Siciliano, Leitura |
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