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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Muito família

As promessas de qualidade da
Rede TV!
viraram fumaça. Ela é
a emissora dos peladões

Em novembro de 1999, a Rede TV! entrou no ar com a promessa de ser uma "opção de qualidade" na televisão brasileira. Voltada à família, a emissora ofereceria uma programação "qualificada e abrangente", recheada de "informação, cultura e entretenimento". Todas essas intenções ainda constam de seu site na internet. Mas, na batalha pela audiência, o bom-mocismo foi por água abaixo. Um ano e meio depois, o que impera no canal paulista é mesmo o baixo nível. Não se pode acusar a Rede TV! de ter introduzido a apelação na televisão. Mas de uma coisa não há dúvida: raras vezes se viu tamanha quantidade de baixarias na grade de uma emissora.

Algumas dessas enormidades são transmitidas em horários evidentemente inadequados (veja quadro). O programa A Casa É Sua, comandado pela jornalista Sônia Abrão a partir das 2 e meia da tarde, mostrou há alguns dias imagens de um peladão em close. Como nesse período do dia há espectadores de todas as idades sintonizados – inclusive crianças –, deve-se supor que esse tipo de coisa é o que a emissora entende por "informação e cultura". Para fisgar os adolescentes, o Interligado Games, exibido às 18 horas, recorre a um quadro em que garotas de biquíni emprestam seu traseiro para ser "carimbado" por duas equipes que duelam. Realmente "uma opção de qualidade". Já o Superpop, de Luciana Gimenez, é mesmo "abrangente". Além da gramática peculiar da apresentadora, inclui de popozudas a demonstrações de pequenas cirurgias ao vivo. No dia 9 de abril, a novidade foi um certo "teste do Viagra". Dois homens tomaram a pílula antiimpotência diante das câmaras, trancaram-se no quarto (felizmente, havia um para cada casal) com sua respectiva namorada e em seguida, só de roupão, responderam a perguntas do tipo "Foi bom para você?". Mais família, impossível.

A cúpula da Rede TV! tem um argumento na ponta da língua quando questionada sobre a baixaria: não está sozinha nessa onda. É verdade – só que nenhuma outra emissora apresenta tantos programas de péssimo nível. Para não falar que dois erros não fazem um acerto. A outra desculpa da Rede TV! é que não dá para exercer controle total sobre o que vai ao ar. "Às vezes ficamos sabendo desses deslizes tarde demais, depois que o programa já foi veiculado", diz o diretor de entretenimento Mauricio Nunes. De fato, é difícil que a direção aprove de antemão todo o conteúdo de suas atrações ao vivo. Mas muito do material que é veiculado nesses programas é gravado previamente – e isso dá para controlar, sim. Na segunda-feira retrasada, por exemplo, o Eu Vi na TV, do humorista João Kléber, exibiu uma seqüência para lá de picante de duas garotas se acariciando. De tão constrangedora, a cena foi cortada na reprise transmitida no sábado seguinte. Poderia ter ficado de fora já da primeira exibição. Partindo do pressuposto de que o comando da Rede TV! tem o mínimo de pudor, seria bom que se monitorasse mais de perto o Eu Vi na TV. É o programa que mais apela para o sexo em horário impróprio. Embora vá ao ar a partir das 23 horas e avance até a meia-noite, suas "reportagens" sobre travestis e casas de massagem cairiam melhor na alta madrugada.


Às 15h40:
A Casa É Sua
mostra entrevista de cantor que posou nu em revista gay. E dá-lhe closes do peladão
Às 18 horas:
no jogo adolescente do Interligado, garotas de biquíni põem seu traseiro no círculo para ser "carimbado"

Às 23 horas:
no Eu Vi na TV, comandado pelo humorista João Kléber, uma "massagista" entra em ação com um cliente-cobaia



   
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