Edição 1 635 - 9/2/2000

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A dama ressurge

Sucesso da minissérie A Muralha
traz à
tona a autora Dinah
Silveira de Queiroz

 
Isabela Boscov

Livros que são adaptados para a televisão vão parar, quase infalivelmente, nas listas dos mais vendidos. É esse o caso de A Muralha, de Dinah Silveira de Queiroz. O acontecimento merece ser saudado nem tanto por causa da obra, um tanto datada em seu estilo rebuscado, mas por trazer à tona a autora, uma figura curiosa da cultura brasileira no século XX. Nos anos 40 e 50, a escritora paulista chegou a ser uma das mais vendidas do Brasil, ao lado dos hoje consagrados Jorge Amado e Érico Veríssimo. Seu livro de estréia, Floradas na Serra, publicado em 1939, quando a escritora tinha apenas 29 anos, foi um best-seller instantâneo, que teve diversas edições esgotadas posteriormente e virou filme. A Muralha, publicada originalmente em capítulos pela revista O Cruzeiro, em 1954, e depois em livro, repetiu o sucesso editorial de suas obras anteriores.

Antes de virar minissérie da Globo, ganhou várias versões para o rádio e, no final dos anos 60, virou novela de TV, numa adaptação assinada por Ivani Ribeiro e estrelada por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. É fácil entender por que os livros de Dinah vão parar com tanta facilidade nas telas, no rádio e na televisão. Seus enredos são repletos de movimento, e há várias sugestões sexuais, embora a escritora mantenha o decoro na linguagem.


Dinah: best-seller nos
anos 40 e 50

Dinah não era uma mocinha ingênua e indecisa como suas heroínas. Segundo o acadêmico Antonio Olinto, amigo da escritora, ela era uma mulher refinada, "com ares de dama paulista", e fazia grande sucesso em sociedade. Um ponto de destaque da biografia de Dinah é que ela foi a primeira mulher a pleitear uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Sua inscrição, em 1970, foi rechaçada pelo presidente da entidade na época, Austregésilo de Athayde, com base no regimento da ABL. Tal fato provocou uma polêmica nacional que levou a uma mudança no regulamento da casa. A primeira a se beneficiar da mudança foi Rachel de Queiroz, parente distante de Dinah, eleita para a academia em 1977. Só em 1980 a autora de A Muralha ganharia uma cadeira, mas teve pouco tempo para saborear a glória. Morreu em 1982, de câncer.