Edição 1 627 - 8/12/1999

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Ancelmo Gois

Nicolielo

PROPAGANDA

Bola na rede

Exemplo do estrondo que é o mundo novo da internet. O ZAZ, portal do grupo Telefónica, comprou por 45 milhões de reais uma cota de patrocínio do futebol da TV Globo no ano 2000. Já a Zip.net fechou por 13 milhões de reais uma cota da cobertura das Olimpíadas de Sydney.

 

EDUCAÇÃO

Salto de qualidade

Veja como certa oposição foi cega em condenar a criação do Provão pelo ministro Paulo Renato, em 1996. De lá para cá, aumentou em 38% o número de professores com mestrado ou doutorado nas faculdades particulares. São os donos das escolas – tipo "pagou, passou" – com vergonha da execração pública.  

Apartheid no campus

De 1994 a 1998, a PUC carioca teve 239 alunos pobres – negros, quase todos. Cerca de 60% deles escolheram carreiras em que a competição com os mais ricos no vestibular é menor. Serviço social, por exemplo. A constatação é da antropóloga Marcia de Vasconcelos Contis, numa pesquisa financiada pela Faperj e pela Fundação Ford.

 

POLÍTICA

Preconceito

O deputado Salatiel Carvalho tem feito campanha contra Henri Reichstul. É seu direito. Mas não pode ficar chamando a toda hora o presidente da Petrobras de "francês". É um preconceito tão imperdoável como chamar um nordestino – ele, por exemplo – de "paraíba", "baiano", "pau-de-arara", "cabra da peste" ou "tabaréu". 

Tropeço

O ministro Francisco Dornelles tem fama de bom profissional da política junto ao governo. Mas o Planalto acha que ele foi amador em deixar circular como oficial a natimorta idéia de alguns economistas de garfar os 40% sobre o FGTS a que o trabalhador tem direito na demissão. Foi um desgaste desnecessário para FHC.

 

JOGATINA

O império avança

O empresário Paulo "Poupa Ganha" Guimarães comprou a empresa de capitalização que pertenceu ao jornal carioca O Dia. O rei da jogatina é sócio da família Sarney em negócios de rádio e TV no Maranhão.

 

SOCIEDADE

Terra à vista

Não é só índio que tem direito à posse de terras. A Constituição estendeu o benefício aos descendentes de escravos que moram nos antigos quilombos. Nesta semana foi a vez de os moradores de um lugarejo no Amapá ganharem a titularidade de 3.321 hectares. É o quarto povoado a ter direito – todos no governo FHC.

 

ECONOMIA

Caixa alta

A arrecadação federal em novembro superou a expectativa em l,7 bilhão de reais.  

A França insiste

A francesa Axa não desistiu de comprar a Bradesco Seguros.
 

Teimoso

Benjamin Steinbruch vai lutar até os 45 minutos do segundo tempo para não vender nada. Nem um prego. Mas precisa de um refresco do BNDES.  

A volta de Gustavo

No dia 13 de janeiro de 2000, um ano depois de deixar o governo, o economista Gustavo Franco vai anunciar sua volta ao mercado financeiro. Esteve conversando com o pessoal da Goldman Sachs para ser um de seus consultores no país. Mas a conversa foi interrompida por causa de uma pneumonia, que levou o ex-presidente do BC a um degredo de uma semana no quarto do hotel em Nova York. Tem também convite para dirigir um fundo ligado à Swiss Re – gigante européia do resseguro.

Duelo de milhões

Vai dar a partida nesta semana uma batalha judicial de proporção milionária. Os antigos donos do FonteCindam acionam o Banque Nationale de Paris. O grupo francês acertou a compra do banco brasileiro e depois fugiu da raia – quando veio à tona o chamado escândalo das perdas da instituição na virada do câmbio.

Osso duro

Ainda hoje é difícil a digestão do Boavista pelos grupos Espírito Santo, de Portugal, Crédit Agricole, da França, e Monteiro Aranha, do Brasil. O empresário Olavo Monteiro de Carvalho tem procurado ajuda do BC – que lhe empurrou o banco em 1997.

Xarope

A Coca-Cola é o maior exportador da Zona Franca de Manaus – onde produz o xarope. As vendas externas cresceram 43% neste ano e devem dobrar de 100 milhões para 200 milhões de dólares em 2000.
 

 

NARCOTRÁFICO

Peixe grande

Na sexta-feira, a Receita Federal conseguiu evitar a remessa para o exterior de l milhão de dólares. Era de um "laranja" do narcotraficante Fernandinho Beira-Mar, na cidade de Corumbá.



Réveillon caseiro

O melhor lugar para passar o réveillon do milênio é... em casa. Essa é a opinião de 67% dos brasileiros ouvidos pelo Ipespe. Como nos EUA, o glamour da virada do ano 2000 aqui também é cadente. Mas nada parecido com o dos americanos: 15% deles disseram que vão simplesmente dormir na passagem do ano – o que, convenhamos, já é uma esquisitice. No Brasil, todos disseram que pretendem comemorar de alguma forma.

Colaborou Julio Cesar de Barros