Bobagens
estelares
Livro
conta como os ídolos de Hollywood
podem ser imbecis e esbanjadores
Isabela
Boscov
A
afeição do comediante Jim Carrey por
seu cão labrador é conhecida em Hollywood.
O totó só come rações
criadas por um chef, tem massagista e mora numa
casa de verdade, só dele, com um sofá
bem macio no centro da sala. Carrey não é
o único a paparicar um mascote com tantos
luxos. A atriz e cantora Liza Minnelli certa vez
despachou seu terrier da Suécia para Paris
em jato fretado, pelo qual pagou 50.000
dólares. Essas e outras histórias
estão no livro Movie
Stars Do the Dumbest Things (Astros
de Cinema Fazem as Coisas Mais Imbecis), lançado
há pouco nos Estados Unidos. Seus autores,
três jornalistas, não hesitam em propagar
anedotas como se fossem fatos indisputáveis.
Mas, analisados com um olhar crítico, seus
relatos fornecem boas pistas sobre o que é
ser um ídolo do cinema: dar-se ao luxo de
esbanjar dinheiro, agir como se o mundo estivesse
ao seu dispor ou simplesmente meter os pés
pelas mãos.
Exemplos
não faltam. Consta que, de olho na modelo
Angie Everhart, o mulherengo Kevin Costner mandou
um avião repleto de flores voar até
o México e buscá-la para um jantar.
Angie não se impressionou. Largou o astro
na porta do restaurante e foi esticar a noitada
com seus próprios amigos. Pudera, o sujeito
é mesmo um mala-sem-alça. Vexame maior
passou Melanie Griffith, pega de surpresa pela "notícia"
de que 6 milhões de judeus haviam morrido
no Holocausto. Depois, a atriz tratou de se defender:
"Devo ter faltado a essa aula na escola, mas não
sou burra". Mais cioso do que lhe vai pela cabeça
(ou em volta dela), Bruce Willis teria feito o estúdio
gastar 750.000
dólares extras no filme Zona
de Perigo,
de 1993, para refazer cenas em que sua peruquinha
parecia muito artificial.
Muitas
das histórias contidas no livro já fazem
parte há décadas do folclore de Hollywood.
Como aquela que exemplifica a vaidade de Warren Beatty.
Durante as filmagens de Clamor
do Sexo,
em 1961, o bonitão perdia tanto tempo admirando
seu reflexo nos espelhos do cenário que o diretor
Elia Kazan ordenou que eles fossem cobertos. Frank
Sinatra também não é poupado.
Diz-se que, entre seus milhões de fãs,
o mais fervoroso era ele mesmo: segundo uma de suas
namoradas, o cantor gostava de fazer sexo ouvindo
as próprias canções. Joan Crawford
e Marlene Dietrich enfrentaram até tortura:
removeram os dentes posteriores para conseguir covinhas
mais sedutoras. Marlene, aliás, protagoniza
uma história triste. Já velhusca, ela
apertava-se em bandagens para aparentar uma silhueta
juvenil. Um jovem com o qual teve um caso revelou
que, à noite, era preciso desenrolá-la
"como a uma múmia". Bem menos atenção
à beleza dava Marlon Brando. No início
dos anos 60, quando sua circunferência começou
a inflar, o figurinista de A
Face Oculta
se viu obrigado a fazer calças de tecido elástico
para ele. Ainda assim, Brando, que atuava no filme
e o dirigia, não desistiu de comer e rasgou
dezoito pares de calças. Brincalhona, a equipe
confeccionou cartazes que diziam: "Não alimente
o diretor".