Na pista dos barões da cocaína
Claudio Rossi
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Secco:
investigação no submundo
das drogas
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Nas últimas semanas, os brasileiros tomaram
conhecimento de várias denúncias a
respeito do narcotráfico no país,
em razão do trabalho de uma CPI aberta no
Congresso para investigar o assunto. É um
problema de dimensões assustadoras. Uma reportagem
especial nesta edição de VEJA mostra
que o Brasil já começa a gerar sua
primeira leva de barões da cocaína.
São ex-empregados dos cartéis colombianos
que estão comandando o próprio negócio
no Brasil. Eles se dedicam basicamente ao transporte
da droga que abastece tanto o mercado brasileiro
como o de outros países. São nomes
desconhecidos do público, mas muito poderosos
no submundo das drogas.
Chegar
a esses nomes exigiu do editor assistente Alexandre
Secco um exaustivo trabalho de reportagem. Durante
um mês, Secco ouviu autoridades envolvidas
nas investigações sobre o narcotráfico,
incluindo militares, policiais, juízes e
especialistas em seis Estados. Leu dezenas de depoimentos
e confissões de traficantes. Teve acesso
a um livro ainda inédito escrito por um deles.
Acompanhou o trabalho da Polícia Federal
em três Estados. Ao fim do trabalho, tinha
um retrato panorâmico de um país que
subitamente se descobriu engolfado pelo crime organizado
numa extensão que ninguém podia imaginar
tão vasta.
Segundo
estimativas de especialistas, o Brasil já é
o segundo maior mercado consumidor de drogas do mundo.
E está despreparado para enfrentar o problema.
Todo o aparato de repressão ao narcotráfico
equivale à estrutura de uma única quadrilha
de traficantes internacionais. No orçamento
do governo federal não existe sequer 1 centavo
destinado à prevenção do consumo
de drogas. No Canadá, onde já se estudou
bem o assunto, 4% do PIB é empregado na recuperação
de drogados, na repressão e em outras ações
públicas nesse setor.