Edição 1 627 - 8/12/1999

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Na pista dos barões da cocaína


Claudio Rossi
Secco: investigação no submundo
das drogas


Nas últimas semanas, os brasileiros tomaram conhecimento de várias denúncias a respeito do narcotráfico no país, em razão do trabalho de uma CPI aberta no Congresso para investigar o assunto. É um problema de dimensões assustadoras. Uma reportagem especial nesta edição de VEJA mostra que o Brasil já começa a gerar sua primeira leva de barões da cocaína. São ex-empregados dos cartéis colombianos que estão comandando o próprio negócio no Brasil. Eles se dedicam basicamente ao transporte da droga que abastece tanto o mercado brasileiro como o de outros países. São nomes desconhecidos do público, mas muito poderosos no submundo das drogas.

Chegar a esses nomes exigiu do editor assistente Alexandre Secco um exaustivo trabalho de reportagem. Durante um mês, Secco ouviu autoridades envolvidas nas investigações sobre o narcotráfico, incluindo militares, policiais, juízes e especialistas em seis Estados. Leu dezenas de depoimentos e confissões de traficantes. Teve acesso a um livro ainda inédito escrito por um deles. Acompanhou o trabalho da Polícia Federal em três Estados. Ao fim do trabalho, tinha um retrato panorâmico de um país que subitamente se descobriu engolfado pelo crime organizado numa extensão que ninguém podia imaginar tão vasta.

Segundo estimativas de especialistas, o Brasil já é o segundo maior mercado consumidor de drogas do mundo. E está despreparado para enfrentar o problema. Todo o aparato de repressão ao narcotráfico equivale à estrutura de uma única quadrilha de traficantes internacionais. No orçamento do governo federal não existe sequer 1 centavo destinado à prevenção do consumo de drogas. No Canadá, onde já se estudou bem o assunto, 4% do PIB é empregado na recuperação de drogados, na repressão e em outras ações públicas nesse setor.