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O angu transgênico
Depois dos escândalos da vaca louca, do frango contaminado e da Coca-Cola tóxica, os europeus parecem intencionados a reforçar o controle sobre os alimentos. Existe certo fanatismo nessa história. Os países escandinavos, por exemplo, querem que todos os queijos europeus sejam fabricados com leite pasteurizado, em ambientes sanificados. Considerando que os melhores queijos franceses e italianos dependem exclusivamente de mofo, a coisa fica meio complicada. O mesmo se aplica ao presunto cru e a inúmeros outros produtos artesanais. Eliminar as impurezas significa matar a gastronomia. A fim de tutelar essa cultura, os legisladores europeus bolaram mais uma etiqueta: "produto de origem controlada ou protegida". Por trás da burocracia européia, porém, há um medo real. Ninguém sabe direito o que pode acontecer com essas plantas transgênicas. Uma delas pode misturar-se a uma praga, tornando-a resistente a qualquer tipo de pesticida. Pior ainda, talvez faça mal a nossa saúde. Claro que também existe o aspecto da guerra comercial. De um lado, o protecionismo dos europeus. Do outro, a agressividade dos americanos, com sua agricultura tecnológica e sua carne empanturrada de hormônios. Mas mesmo nos Estados Unidos há quem peça uma moratória total sobre os produtos modificados geneticamente, como o economista Jeremy Rifkin, autor de O Século da Biotecnologia. Como diz o título do livro, ele acha que a biotecnologia será o principal tema do próximo século. Espero que esteja enganado. Parece-me um assunto um tanto aborrecido. Prometo, aliás, nunca mais abordá-lo nesta coluna. Porém é raro que o Brasil participe como protagonista dos mais importantes debates da humanidade. Quando acontece, é justo reconhecê-lo. No caso, não participamos com nenhuma brilhante descoberta científica. Não participamos com nenhuma brilhante análise ética. No campo das ciências e no das idéias vamos sempre a reboque, sem nos importunar com perguntas incômodas ou impertinentes. Nossa verdadeira contribuição é uma só: a castanha-do-pará. |
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