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CINEMA

Divulgação
As Bodas: alegoria sobre a Rússia


As Bodas
(Svadba, Rússia/França/Alemanha, 2000. A partir de sexta-feira em São Paulo) – Por que a jovem Tanya, ex-modelo em Moscou, voltaria para sua cidadezinha natal, onde tem fama de "perdida" e onde só há emprego – para os homens – em uma mina de carvão? É que Tanya ainda quer Mishka, seu amor de infância. Ou talvez se pudesse dizer, em termos alegóricos, que a Rússia do capitalismo claudicante sente uma indisfarçável nostalgia da velha Rússia, a da precariedade organizada. É natural, portanto, que o casamento desses dois renda inúmeros tumultos, que o diretor Pavel Lunguin retrata com humor. Lunguin foi premiado em Cannes, em 1990, por Taxi Blues, que enunciava o conflito entre a nova e a velha Rússia. Agora, ainda em plena forma, ele avalia o saldo desse choque.

 

LIVROS

62 Modelo para Armar, de Julio Cortázar (tradução de Glória Rodríguez; Civilização Brasileira; 256 páginas; 26 reais) – Questionar o propósito e os métodos da literatura foi uma prática comum entre os autores modernos, mas o argentino Julio Cortázar procurou levá-la às últimas conseqüências. Republicado no Brasil depois de vinte anos fora de catálogo, 62 Modelo para Armar é um bom exemplo disso. O texto é pura "metalinguagem" e tem seu ponto de partida na receita de ficção apresentada por um personagem de um livro anterior de Cortázar, O Jogo da Amarelinha, sua obra máxima. Pontuado por experimentalismos, o livro ainda assim mantém o interesse pela história de uma trupe de boêmios que se encontram nos bares de uma cidade que é mistura de Londres, Paris, Viena e Barcelona. Leia o primeiro capítulo do livro

Prazeres & Riscos. Vários autores (L± 179 páginas; 21 reais) – Por que muitos homens encontram a felicidade e a satisfação dos sentidos no perigo? Tal é a questão proposta por esse volume, ainda que nem sempre ela esteja suficientemente explicitada nos ensaios que o compõem. A coletânea de tema instigante é extremamente desigual. Passe ao largo das bobagens de Eduardo Bueno, o navegante de mares rasos, e vá direto a Baudelaire ("Um homem que só bebe água tem um segredo a esconder") e Cícero ("Vive-se bem quando se é capaz de desprezar a morte"). Uma boa surpresa é o texto da escritora Marilia Pacheco Fiorillo, que passeia com desenvoltura pela literatura e pela filosofia ao refletir sobre as turbulências causadas pela busca da felicidade.

 

DISCOS

3 Feet High and Rising, De La Soul (Sum Records) – Inédito no Brasil, esse disco de 1989 está para o rap assim como Sgt. Pepper's está para o rock. Nele, o De La Soul exibe o mesmo espírito vanguardista e lúdico presente no clássico dos Beatles. 3 Feet High and Rising é repleto de brincadeiras e colagens sonoras com o melhor do funk, do rock e do jazz. Um bom exemplo é Me, Myself and I, cuja melodia foi surrupiada de uma canção do astro funk George Clinton. O disco também foi importante por abrir uma enorme discussão sobre direitos autorais no emprego de samplers, depois que o grupo The Turtles, dos anos 60, processou o De La Soul por utilizar acordes de uma de suas canções.

E-collection, Titãs (WEA) – Esse CD duplo mostra que nem sempre coletânea é sinônimo de caça-níqueis. Em vez de utilizar a fórmula batida dos melhores sucessos, E-collection traz remixes e faixas raras dos Titãs. Na primeira categoria, os destaques são as versões de O Quê, Marvin e Polícia. Canções "perdidas" como Planeta Morto e a escrachada marchinha de Carnaval Marcha do Demo também valem o investimento, sobretudo se você é um daqueles que querem "tudo" da banda.

 

TELEVISÃO

The Discovery Chanel
O Mamute Jarkov: recriação da Pré-História


A Terra do Mamute
(11 de março, às 20h, no Discovery Channel) – Esse delicioso programa é uma continuação de O Despertar do Mamute, especial premiado que narrava a descoberta desse animal pré-histórico em uma península da Sibéria. O foco agora recai sobre o explorador francês Bernard Buigues e sua equipe de 37 cientistas, que estudam os restos do Mamute Jarkov (como ele foi batizado) e procuram outros sinais de vida pré-histórica na região. O programa mostra, com imagens criadas por computador, como era a vida do animal, morto há mais de 20 000 anos. Também há cenas sensacionais filmadas na caverna onde a carcaça de Jarkov é preservada a uma temperatura de 15 graus negativos.

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Como disse certa vez a jornalista americana Janet Malcolm, o bom biógrafo é como o ladrão profissional: invade uma casa, vai direto às gavetas onde acha que estão o dinheiro e as jóias mais preciosas e, depois, exibe triunfante o produto do roubo. Não se trata, infelizmente, do caso de Arlindo Silva, autor de A Fantástica História de Silvio Santos (Editora do Brasil; 277 páginas; 23,90 reais). Esse é o livro de alguém que entrou pela porta da frente, tomou chá com o dono da casa e, é claro, ficou sem coragem para cometer indiscrições ou vasculhar gavetas. Assessor de Silvio Santos desde 1975, o jornalista não incluiu nenhuma vírgula que pudesse desagradar ao patrão. Trata-o desde o início com deferência absoluta. Seu livro só reforça a imagem de Midas do ex-camelô que conseguiu superar todos os obstáculos para se transformar no dono da segunda maior rede de televisão do país.

Claudio Rossi
Silvio Santos: sem novidades


Apesar desse tom chapa-branca, o livro aborda em detalhe dois aspectos que merecem atenção. O primeiro é o papel de Roberto Marinho na escalada de Silvio Santos. Silva revela como, em 1971, Marinho intercedeu junto aos diretores da Globo para que o contrato de Silvio fosse renovado e ele continuasse apresentando o programa que tinha na emissora. Não fosse por isso, é muito pouco provável que Silvio tivesse chegado aonde chegou. O outro ponto é o esmiuçamento dos bastidores políticos de 1989, quando Silvio Santos quase saiu candidato à Presidência pelo PFL, no lugar de Aureliano Chaves. Mas isso não basta para redimir o livro. Certa vez, o próprio Silvio declarou que não queria ser biografado. Alegava que uma biografia o faria sentir-se próximo da morte, como se tudo de importante a respeito dele já houvesse sido dito. Por enquanto, ele não precisa se preocupar com isso. A fantástica história de Silvio Santos ainda está para ser contada.

 

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Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano.

 

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