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Silvio, suor e cerveja



Selmy Yassuda

O paradoxo de Adriane: mais roupa na avenida (foto), menos no camarote


Faltou um quê de exuberância – lá pelo terceiro ou quarto par de silicones, todo mundo fica com a impressão de já ter visto isso antes. No Carnaval 2001, quem levantou o Sambódromo foi o veteraníssimo Silvio Santos, quem causou polêmica foi um americano voador e quem encheu os olhos da platéia foi a muito vestida (para os padrões carnavalescos) Gisele Bündchen. Se pelo menos Leonardo DiCaprio tivesse aparecido...

Pelo sétimo ano seguido, Adriane Galisteu desfilou e abafou como madrinha da bateria da Portela. Desta vez, com uma fantasia comportadíssima, de maiô, asas e bota de cano alto. Mas felizmente logo inventou o paradoxo de Adriane: no camarote, estava mais desvestida – de microssaia e bustiê – do que na avenida. "A fantasia era respeitosa porque compunha a imagem de um anjo", disse. Está explicado?

A audiência da Globo subiu e o público aplaudiu sem parar a fulgurante passagem de Silvio Santos, rosto e cabelos impecavelmente repuxados, no alto do primeiro carro da Tradição – da qual era o tema. Atrás dele, entre os foliões da escola, 300 funcionários do Baú da Felicidade, que tiveram viagem e fantasias financiadas pela empresa. O valor, claro, será descontado em folha de pagamento.


AP

Schwarzenegger, sob marcação de Maria: cansando os músculos


O grandalhão Arnold Schwarzenegger cansou os músculos, já um pouquinho flácidos, na estafante posição de celebridade estrangeira máxima. Tudo sob a marcação cerrada da patroa, a kennediana Maria Shriver, atenta ao efeito suadouro do clima e das curvas cariocas sobre o maridão. No dia seguinte, nem o estilo divisão panzer foi capaz de reverter uma das decisões mais burocráticas de todos os tempos: funcionários da cervejaria anfitriã não deixaram de jeito nenhum Arnie e companhia entrar no camarote sem a camiseta-propaganda.



Selmy Yassuda

Gisele vai ao samba: revezamento de copos


O primeiro Carnaval na avenida a gente nunca esquece, e a modelo Gisele Bündchen fez de tudo para tornar a experiência memorável. Pulou sem parar no camarote dos famosos, encantou a galera com sua simpatia e arrastou uma asa discretíssima para o ator Rodrigo Santoro (este já nos braços de outra linda, Fernanda Lima). Tanta animação, evidentemente, deu sede, e o revezamento de copos na sua mão foi intenso. De manhã, Gisele saiu do camarote de pilequinho, suavemente interpretado pela assessora Mônica Monteiro: "Ela bebeu um pouco, estava feliz, mas não estava bêbada. Estava como todo mundo".

Qual visão do paraíso, Paulo Zulu espalhou beleza para os sequiosos olhos femininos do alto do carro abre-alas da Mangueira. O problema foi depois. Ao chegar à dispersão, o inexperiente destaque tirou a fantasia de guerreiro fenício e ficou de sunga, crente que alguém o esperava com outra roupa. Nada disso. Diante da perspectiva de ter de ir sem roupa para a rua, junto com a massa ululante, Zulu apelou: "Implorei para a segurança me deixar voltar ao camarote pela própria Sapucaí". Teve gente que achou essa a parte mais sublime do desfile.


Selmy Yassuda

Claudia, Valéria e Elaine: atrás, o grude Donner

Assessoria nunca falta a Valéria Valenssa, que aonde vai leva junto o marido, Hans Donner, o grude eterno. A novidade deste ano foram as duas irmãs, Cláudia e Elaine, que aderiram prontamente ao esquema de roupas de menos na avenida e esses de mais no sobrenome. "Na mídia, ficou mais fácil identificar", diz Valéria. Difícil é distinguir uma neo-Valenssa da outra. No desfile da Caprichosos de Pilares, Cláudia ficou doente e Elaine a substituiu no abre-alas. Ninguém reparou.

Num cantinho escuro do camarote da cerveja, um enorme colchão de água simbolizava o mar. Nele, a atriz Paula Burlamaqui passou bons momentos afogada nos braços de Hélio Corrêa, que acumula as instigantes funções de seu namorado, empresário do atacante Edmundo e jogador de futevôlei. Foi uma pausa refrescante na rotina de ensaios para O Príncipe de Copacabana, peça de Gerald Thomas inspirada em Hamlet, na qual Paula será, em sua própria definição, "uma espécie de Ofélia". Aguardem.

Oscar Cabral

Adriana: cuidando do próprio bem-estar


Charutão na mão e aquele ar meio perdido de folião desacompanhado, o presidente da Agência Nacional do Petróleo, David Zylbersztajn, genro de FHC, curtiu a folia em Salvador. Dureza foi ter de ouvir todos os blocos, um por um, desfiarem loas ao ausente senador Antonio Carlos Magalhães. No Rio, Adriana Alves de Oliveira, mulher do banqueiro foragido Salvatore Cacciola, também farreou sozinha, a contragosto de uns e outros. A caminho do Sambódromo, foi ouvida falando ao celular, em tom seco e tenso: "Estou indo, sim. Estou cuidando do meu bem-estar". Aí, desligou sem se despedir e foi cumprir o destino anunciado.

O governador mineiro, Itamar Franco, 70 anos, em nada lembrou a pororoca de outros carnavais, no tempo da sem-calcinha. De camisa listrada, chapéu e pluma, assistiu ao desfile em Juiz de Fora e arriscou até uns passos ao lado da rainha local, Alessandra Quitério. Depois, tascou-lhe dois beijos e, eterno galanteador, teve uma recaída rápida: "Foi ela quem me convenceu a descer do camarote".

 

O ataque dos factóides siliconados

Oscar Cabral

Luma: segundo Cesar Maia, a "plastificada"


O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, voltou ao Sambódromo depois de quatro anos, mostrando que seu talento para produzir factóides continua intacto. No sábado, abraçado à passista Clara Cristina Paixão, elogiou seus 84 centímetros de seios à mostra, sem uma gota de silicone. "Isto sim é bonito e natural. Não é plastificada, feito a Luma de Oliveira e outras." Pronto – no dia seguinte o prefeito era alvo da ira da musa do Carnaval carioca e de um batalhão de peitudas ofendidas. "Eu me sinto bem como estou", reagiu Luma, arfando os 92 turbinados centímetros. Outra siliconada assumida, a ex-policial Marinara Costa, bateu mais pesado: "Ele devia estar ocupado com coisas mais importantes". Bate-boca instaurado, Cesar, ar compungido, veio a público pedir desculpas. "Eu fui muito baixo-nível", reconheceu.

 

O astronauta de Caxias

O efeito espacial, quer dizer, especial, já está banalizado nos Estados Unidos, mas aqui, em plena avenida, causou impacto e uma daquelas polêmicas deliciosamente carnavalescas: homem voador pode ou não pode? É de raiz? Está no regulamento? Enquanto a discussão persistia, aumentava a celebridade instantânea do dublê Eric Scott, texano de 38 anos, que recebeu um cachê de 6 000 dólares por vôo para se exibir no desfile da Grande Rio com sua mochila turbinada, uma espécie de foguete portátil criado pela Nasa, movido por peróxido de hidrogênio. O homem-pássaro encantou o público, mas não convenceu os jurados – a escola terminou em sexto lugar, para indignação do dublê rapidamente aculturado. Pré-pago para flanar de novo no desfile das campeãs, Scott iria cumprir o resto do contrato na sede da escola em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Veja – Qual é a diferença entre se apresentar no Carnaval brasileiro e nos Estados Unidos?
Scott – Lá, costumo fazer exibições em jogos de futebol americano e beisebol, e ninguém presta muita atenção. Aqui, virei uma espécie de Deus.

Veja – Como assim?
Scott – Não parei de ser fotografado nem de dar entrevistas. Nunca pensei que sairia na primeira página de um jornal. Até autógrafos eu dei.

Veja – Mesmo assim, a Grande Rio não venceu...
Scott – Foi uma injustiça. A escola deu um show. Achei um absurdo.

Veja – Você fez algum treinamento especial para o Carnaval?
Scott – Não preciso disso. Só me ensinaram a sambar um pouco.

Veja – Acha que aprendeu?
Scott – Sou bem melhor voando.

 

Editado por Lizia Bydlowski. Colaboraram Bel Moherdaui,
Consuelo Dieguez, José Edward, Leonardo Coutinho,
Marcelo Camacho e Silvia Rogar

 

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