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As
voltas que o mundo dá
Ed Ferreira/AE
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| Fernando
Henrique abraça Lula: interesse nacional |
O
presidente Fernando Henrique Cardoso portou-se como um magistrado durante
a campanha eleitoral. Seu papel foi exaltado tanto pelo candidato perdedor
José Serra quanto pelos adversários, os vencedores Luiz
Inácio Lula da Silva e o PT. Assim que as urnas decidiram o vencedor,
Fernando Henrique ofereceria ao aprimoramento da democracia brasileira
um bem ainda mais valioso. O atual governo preparou o processo de transição
mais transparente, profissional e desarmado da história política
brasileira. O presidente eleito foi recebido por FHC no Palácio
do Planalto, onde ambos discutiram os termos do processo de transição.
"Estou impressionado com o aparato que o presidente colocou à nossa
disposição. Às vezes ainda acho que tudo isso é
um sonho", disse Lula. Ele se referia à criação pelo
presidente Fernando Henrique de meia centena de cargos remunerados a ser
preenchidos por indicação dos vitoriosos para compor uma
comissão de transição que terá acesso a todas
as contas da administração que se encerra em dezembro.
Lula disse que a decisão de FHC deveria "servir de lição"
para os governantes brasileiros daqui para a frente. É um avanço
notável para um país que já teve um presidente que
saiu pela porta dos fundos do Palácio para não entregar
a faixa ao sucessor. Está-se criando no Brasil uma nova tradição
de civilidade em transições administrativas. Nas próximas
oito semanas, o PT será minuciosamente informado a respeito de
cada detalhe da administração federal. Quando assumir, em
janeiro, saberá tudo o que precisa saber para começar a
governar sem hesitações. Tudo isso, graças a FHC,
tão criticado pelos petistas durante os oito anos de sua gestão.
O PT combateu cada ato de Fernando Henrique pelo simples prazer de fazer
oposição. Chegou até a falar no impeachment do homem
que agora lhe estende a mão e o tapete vermelho. Nada como um dia
após o outro. Veja
reportagens sobre a sucessão.
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