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LIVROS
Das
Memórias do Senhor de Schnabelewopski, de Heinrich Heine
(tradução de Marcelo Backes; Boitempo; 103 páginas;
19 reais) Heinrich Heine (1797-1856) é um dos nomes centrais
da literatura alemã. Versátil, deixou obras em prosa e verso
que influenciaram escritores das mais diversas tendências
de Karl Marx a Friedrich Nietzsche, de Thomas Mann a Bertolt Brecht. No
impagável Schnabelewopski, o que se vê é o
Heine humorista, cheio de ironia e sarcasmo. Esse romance picaresco, pontuado
por comilanças e aventuras eróticas, nunca deixa de surpreender.
A cada passo seguem-se desvios estranhos: uma digressão sobre a
lenda do holandês voador ou uma discussão de taverna sobre
a essência de Deus. Ao trazer uma cronologia da movimentada vida
de Heine e um ótimo prefácio, essa edição
ajuda a conhecer um autor ainda pouco lido no Brasil.
Crime
e Castigo, de Fiodor Dostoievski (tradução de Paulo
Bezerra; editora 34; 567 páginas; 43 reais) O atrativo da
nova edição desse clássico é a tradução.
Pela primeira vez no Brasil, ela foi feita diretamente do russo, e não
por tabela, via tradução francesa. A diferença salta
à vista. O que aparece aqui é um texto cheio de asperezas
e hesitações, que passa longe daquela prosa "elegante" forjada
pelos tradutores franceses. Publicado em 1866, Crime e Castigo trata
de um jovem que assassina uma velha e, embora monte castelos teóricos
para justificar seu ato, vive atormentado pela culpa. Um dos alicerces
de boa parte da literatura do século XX, o romance é uma
alentada investigação sobre a relação entre
liberdade individual e as normas sociais.
TELEVISÃO
Divulgação
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| Febre
de Bola: a namorada ou o futebol? |
Febre de Bola (sábado, às 22h, no Cinemax)
Inédita nos cinemas brasileiros, essa produção baseada
no livro homônimo do escritor inglês Nick Hornby esbanja ironia
ao mostrar a paixão dos homens pelo futebol. Em 1989, o professor
Paul se vê diante de um dilema cruel: no momento em que seu time
do coração está prestes a se tornar campeão
nacional, ele engata um romance com uma colega. A quem se dedicar, à
moça ou aos onze barbudos? O próprio Hornby se encarregou
do roteiro, que traz muitas de suas marcas registradas: menções
a astros da música pop e tipos que não se furtam a cair
no ridículo Paul chega a usar cuecas com o brasão
do time. O êxito se deve também ao ator Colin Firth, que
já tinha em sua galeria de bobocas os maridos traídos de
O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado.
VÍDEO
O
Imperador e o Assassino (Jing Ke Ci Qin Wang, China/França/Japão,
1999. Califórnia) O diretor chinês Chen Kaige supera
aqui até seu trabalho mais célebre, Adeus Minha Concubina.
No século III a.C., o rei Ying almeja unificar a China e tornar-se
seu imperador. Para tanto, manda sua mais querida concubina (a bela Gong
Li) contratar um matador. O objetivo é forjar uma tentativa de
assassinato: salvando-se, o imperador parecerá invencível
a seus inimigos. Só que o soberano se torna cada vez mais truculento,
o que enche a concubina de repugnância. Pior: ela se apaixona pelo
assassino. O filme não é fácil de acompanhar, mas
cresce em interesse a cada minuto. Visualmente é um espetáculo.
E, por fim, pode ser entendido também como uma parábola
sobre a ascensão do líder comunista Mao Tsé-tung.
DVD
Columbia Pictures
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| Contatos
Imediatos: Truffaut envergonhado |
Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the
Third Kind, Estados Unidos, 1977. Columbia) Ainda embalado
pelo sucesso de Tubarão, Steven Spielberg bolou essa história
sobre várias pessoas que têm sua vida virada de cabeça
para baixo ao pressentir um "chamado" extraterrestre. A aparição
da gigantesca nave-mãe ainda é um dos pontos altos do filme.
Agora é possível saber em detalhes como ela foi feita (ou
ainda descobrir que o cineasta francês François Truffaut,
que interpretava um especialista em fenômenos alienígenas,
morria de vergonha de seu inglês afrancesado). Além de cenas
adicionais e um making of da época, o DVD inclui um excelente documentário
em que atores e técnicos contam como foi sua participação
em Contatos Imediatos. Melhor: todos os extras estão legendados.
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LITERATURA
BRASILEIRA
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O
Primeiro Dia do Ano da Peste
Francisco Maciel;
Estação liberdade;
180 páginas;
19 reais
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Romance
de estréia do carioca Francisco Maciel, O Primeiro
Dia do Ano da Peste é um "romance negro". Mas não
no sentido francês da expressão, que se refere ao famoso
gênero noir de ficção policial, com seus bares
enfumaçados e heróis desiludidos, e sim à literatura
de um autor negro, que aborda a vivência daqueles que têm
sua cor. Como notou em 1965 o crítico americano Gregory Rabassa,
responsável por um dos dois únicos estudos de fôlego
sobre a presença dos negros na ficção brasileira
(o outro é de um italiano, Giorgio Marotti), esse é
um tipo de livro pouco comum no país. Desde a época
barroca, os descendentes de africanos foram abundantemente representados
na literatura nacional. Faltam livros, porém, que façam
da condição do negro o seu tema principal e
que fujam, minimamente, dos estereótipos.
A
tese por trás do romance de Francisco Maciel talvez pudesse
ser expressa assim: os negros ainda não encontraram seu espaço
na sociedade brasileira. Ou, numa frase do autor, "ser negro é
uma missão impossível". Daí as muitas contradições
do herói e anti-herói do livro, Aloísio Cesário.
Ele é um homem inteligente que acaba louco. Alguém
que se exaspera com as boas intenções dos brancos,
mas que responde com a mesma rispidez aos "crioulos" que lhe falam
de raízes e tentam tratá-lo como "irmão". Um
bandido e também um escritor. O livro, aliás,
é apresentado como suposta coletânea dos escritos de
Cesário, que pertencem a gêneros tão variados
quanto sua personalidade: há uma narrativa cômico-filosófica
à moda de Voltaire, um conto realista, um esboço de
romance de ficção científica, ensaios e fragmentos.
Maciel tem alguns vícios, sobretudo a tendência a poetizar
sua prosa com aliterações canhestras do tipo "empesteado
impulso que empoça em paralisia". É, no entanto, um
autor de bons recursos técnicos e criou um belo personagem.
Melhor prestar atenção a ele daqui para a frente.
Carlos
Graieb
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