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Edição 1 703 - 6 de junho de 2001
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LIVROS

Das Memórias do Senhor de Schnabelewopski, de Heinrich Heine (tradução de Marcelo Backes; Boitempo; 103 páginas; 19 reais) – Heinrich Heine (1797-1856) é um dos nomes centrais da literatura alemã. Versátil, deixou obras em prosa e verso que influenciaram escritores das mais diversas tendências – de Karl Marx a Friedrich Nietzsche, de Thomas Mann a Bertolt Brecht. No impagável Schnabelewopski, o que se vê é o Heine humorista, cheio de ironia e sarcasmo. Esse romance picaresco, pontuado por comilanças e aventuras eróticas, nunca deixa de surpreender. A cada passo seguem-se desvios estranhos: uma digressão sobre a lenda do holandês voador ou uma discussão de taverna sobre a essência de Deus. Ao trazer uma cronologia da movimentada vida de Heine e um ótimo prefácio, essa edição ajuda a conhecer um autor ainda pouco lido no Brasil.

Crime e Castigo, de Fiodor Dostoievski (tradução de Paulo Bezerra; editora 34; 567 páginas; 43 reais) – O atrativo da nova edição desse clássico é a tradução. Pela primeira vez no Brasil, ela foi feita diretamente do russo, e não por tabela, via tradução francesa. A diferença salta à vista. O que aparece aqui é um texto cheio de asperezas e hesitações, que passa longe daquela prosa "elegante" forjada pelos tradutores franceses. Publicado em 1866, Crime e Castigo trata de um jovem que assassina uma velha e, embora monte castelos teóricos para justificar seu ato, vive atormentado pela culpa. Um dos alicerces de boa parte da literatura do século XX, o romance é uma alentada investigação sobre a relação entre liberdade individual e as normas sociais.

 

TELEVISÃO

Divulgação
Febre de Bola: a namorada ou o futebol?


Febre de Bola
(sábado, às 22h, no Cinemax) ­ Inédita nos cinemas brasileiros, essa produção baseada no livro homônimo do escritor inglês Nick Hornby esbanja ironia ao mostrar a paixão dos homens pelo futebol. Em 1989, o professor Paul se vê diante de um dilema cruel: no momento em que seu time do coração está prestes a se tornar campeão nacional, ele engata um romance com uma colega. A quem se dedicar, à moça ou aos onze barbudos? O próprio Hornby se encarregou do roteiro, que traz muitas de suas marcas registradas: menções a astros da música pop e tipos que não se furtam a cair no ridículo – Paul chega a usar cuecas com o brasão do time. O êxito se deve também ao ator Colin Firth, que já tinha em sua galeria de bobocas os maridos traídos de O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado.

 

VÍDEO

O Imperador e o Assassino (Jing Ke Ci Qin Wang, China/França/Japão, 1999. Califórnia) – O diretor chinês Chen Kaige supera aqui até seu trabalho mais célebre, Adeus Minha Concubina. No século III a.C., o rei Ying almeja unificar a China e tornar-se seu imperador. Para tanto, manda sua mais querida concubina (a bela Gong Li) contratar um matador. O objetivo é forjar uma tentativa de assassinato: salvando-se, o imperador parecerá invencível a seus inimigos. Só que o soberano se torna cada vez mais truculento, o que enche a concubina de repugnância. Pior: ela se apaixona pelo assassino. O filme não é fácil de acompanhar, mas cresce em interesse a cada minuto. Visualmente é um espetáculo. E, por fim, pode ser entendido também como uma parábola sobre a ascensão do líder comunista Mao Tsé-tung.

 

DVD

Columbia Pictures
Contatos Imediatos: Truffaut envergonhado


Contatos Imediatos do Terceiro Grau
(Close Encounters of the Third Kind, Estados Unidos, 1977. Columbia) – Ainda embalado pelo sucesso de Tubarão, Steven Spielberg bolou essa história sobre várias pessoas que têm sua vida virada de cabeça para baixo ao pressentir um "chamado" extraterrestre. A aparição da gigantesca nave-mãe ainda é um dos pontos altos do filme. Agora é possível saber em detalhes como ela foi feita (ou ainda descobrir que o cineasta francês François Truffaut, que interpretava um especialista em fenômenos alienígenas, morria de vergonha de seu inglês afrancesado). Além de cenas adicionais e um making of da época, o DVD inclui um excelente documentário em que atores e técnicos contam como foi sua participação em Contatos Imediatos. Melhor: todos os extras estão legendados.

 

LITERATURA BRASILEIRA

O Primeiro Dia do Ano da Peste
Francisco Maciel;
Estação liberdade;
180 páginas;
19 reais

Romance de estréia do carioca Francisco Maciel, O Primeiro Dia do Ano da Peste é um "romance negro". Mas não no sentido francês da expressão, que se refere ao famoso gênero noir de ficção policial, com seus bares enfumaçados e heróis desiludidos, e sim à literatura de um autor negro, que aborda a vivência daqueles que têm sua cor. Como notou em 1965 o crítico americano Gregory Rabassa, responsável por um dos dois únicos estudos de fôlego sobre a presença dos negros na ficção brasileira (o outro é de um italiano, Giorgio Marotti), esse é um tipo de livro pouco comum no país. Desde a época barroca, os descendentes de africanos foram abundantemente representados na literatura nacional. Faltam livros, porém, que façam da condição do negro o seu tema principal – e que fujam, minimamente, dos estereótipos.

A tese por trás do romance de Francisco Maciel talvez pudesse ser expressa assim: os negros ainda não encontraram seu espaço na sociedade brasileira. Ou, numa frase do autor, "ser negro é uma missão impossível". Daí as muitas contradições do herói e anti-herói do livro, Aloísio Cesário. Ele é um homem inteligente que acaba louco. Alguém que se exaspera com as boas intenções dos brancos, mas que responde com a mesma rispidez aos "crioulos" que lhe falam de raízes e tentam tratá-lo como "irmão". Um bandido – e também um escritor. O livro, aliás, é apresentado como suposta coletânea dos escritos de Cesário, que pertencem a gêneros tão variados quanto sua personalidade: há uma narrativa cômico-filosófica à moda de Voltaire, um conto realista, um esboço de romance de ficção científica, ensaios e fragmentos. Maciel tem alguns vícios, sobretudo a tendência a poetizar sua prosa com aliterações canhestras do tipo "empesteado impulso que empoça em paralisia". É, no entanto, um autor de bons recursos técnicos e criou um belo personagem. Melhor prestar atenção a ele daqui para a frente.

Carlos Graieb

 

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  Conheça trechos da obra Crime e Castigo


   
 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.

   
 
   
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