Criminalidade
Assim é demais
Não bastassem as fugas das prisões,
agora bandidos perigosos também recebem indulto
Fotos Divulgação
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| O casal de Brasília
que foi morto e o assassino: libertado porque tem Aids |
A morte de Geovani Della Penna, de 18 anos, e Rachel Teresa
Aguiar, de 17, chocou Brasília. Os dois foram assassinados
a tiros, dentro de seu carro, por um bandido que tentou
assaltá-los. O filho do casal, um bebê de 10
meses, ficou chorando no banco de trás até
ser resgatado por um varredor de rua. A polícia prendeu
o autor da barbaridade, Eduardo Germano, que afirmou não
se arrepender do crime. Levando-se em conta que só
um monstro psicopata faria e diria coisa semelhante, Germano
pode ser considerado como tal. Só que esse monstro
psicopata, antes de matar Geovani e Rachel, se encontrava
enjaulado numa penitenciária. Ele não fugiu
de lá. Foi colocado na rua graças a um indulto
concedido pela Justiça. Ganhou liberdade por ser
um doente de Aids em estado terminal.
O caso ilustra a benevolência com que os bandidos
são tratados no Brasil. Se apresentar bom comportamento,
um sujeito condenado por assassinato não permanece
mais que seis anos em cana. Veja-se, por exemplo, o casalzinho
que matou com requintes de crueldade a atriz Daniella Perez,
no final de 1992. Os dois assassinos flanam por aí
– e tudo bem. Agora se sabe
que o indulto se tornou uma prática mais comum que
o recomendável. Está servindo para soltar
gente como Germano. Para não falar, é claro,
da incapacidade do Estado de impedir fugas. Apenas em São
Paulo, 5.000 bandidos escapam
das prisões todos os anos. Na semana passada, dois
fugitivos integravam um grupo que tentou assaltar um shopping
center na capital paulista. Outro dado assustador é
o número de mandados de prisão que a polícia
brasileira não consegue cumprir: mais de 150.000.
O seqüestrador do ônibus do Rio de Janeiro estava
nessa lista.