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O
Show da Fome
"Lula
enfrenta problemas de peso.
Poucos dias atrás, declarou que,
para ser ministro, é irrelevante
possuir uma grande massa cerebral.
Menos irrelevante, presume-se, é
possuir uma grande massa corporal.
Graças aos petistas superalimentados,
renovamos nossas esperanças"
O lado bom dessas tragédias é que acabam aumentando nossa
cultura geral. O que eu saberia sobre a abundante safra de ópio
em Jalalabad sem os bombardeios americanos? Ou sobre o marido da presidente
da Indonésia sem o atentado de Bali? Ou sobre o musical russo Nord-Ost
sem os terroristas chechenos? Ou sobre o concurso de Miss Mundo sem os
massacres na Nigéria? Lamento apenas que minha memória seja
tão curta. Durante o genocídio em Ruanda e Burundi, aprendi
montes de coisas sobre hutus e tutsis. Agora nem lembro mais quais eram
os altos e quais eram os baixos. Atualmente, meu interesse está
todo voltado para o governador Julio Miranda, da província de Tucumán,
na Argentina, onde criancinhas miseráveis morrem de fome. Daqui
a alguns meses, certamente já terei esquecido todos os escândalos
envolvendo seu nome.
A fome é uma importante fonte de curiosidades socioeconômicas.
Quase tudo o que sei sobre os países mais desastrados do planeta
depende exclusivamente de seus famintos. De acordo com o Programa Mundial
de Alimentos, da ONU, 800 milhões de pessoas estão passando
fome neste momento. Cerca de 10 milhões se encontram na Etiópia,
cuja renda per capita anual, nas últimas duas décadas, caiu
de 190 para 108 dólares. Em Madagascar, o número de famintos
deve chegar a 400.000, em conseqüência de crises políticas
e desastres naturais. Na Coréia do Norte, 45% das crianças
com menos de 5 anos podem ser consideradas subnutridas. E mais de 600.000
palestinos, nos territórios ocupados, sobrevivem apenas graças
à ajuda de órgãos humanitários.
Para quem quer testar os próprios conhecimentos geográficos,
o Programa Mundial de Alimentos distribui gratuitamente um Mapa da Fome.
É possível transformá-lo numa espécie de Show
do Milhão da miséria, com perguntas sobre o índice
de desenvolvimento humano de Malauí, ou sobre os Estados fronteiriços
de Mianmar, ou sobre a taxa de analfabetismo feminino do Iêmen.
Vergonhosamente, o Brasil não consta desse mapa. Fomos excluídos
pela ONU. Como se nossos 40 milhões de famintos fossem uma mera
invenção eleitoreira de Lula. Como se Ronaldo pudesse perder
tempo com o programa Fome Zero. É paradoxal que, no mesmo período
em que Ronaldo se engajava na campanha alimentar de Lula, os dirigentes
de seu time, o Real Madrid, o acusavam de estar diversos quilos acima
do peso, por causa de sua voracidade por hambúrgueres e Coca-Cola.
O hipercalórico Ronaldo fez uma única exigência a
Lula: a de que seu desafeto Sócrates fosse mantido a distância.
Quando ainda estava em atividade, Sócrates era conhecido como Magrão,
atributo que o tornaria uma testemunha perfeita para o Fome Zero. Infelizmente,
nada em seu atual estado justifica o apelido. Outro que enfrenta problemas
de peso é Lula, assim como todos os seus principais assessores
e ministeriáveis. Poucos dias atrás, Lula declarou que,
para ser ministro em seu governo, é irrelevante possuir uma grande
massa cerebral. Muito menos irrelevante, presume-se, é possuir
uma grande massa corporal. De fato, o governo petista terá a mais
alta tonelagem da história da República. É graças
a essa gente superalimentada que podemos renovar nossas esperanças
no futuro. Daqui por diante, nenhum brasileiro comerá menos de
11.000 calorias por dia.
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