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Santas paredes

Afrescos descobertos em igreja italiana
agitam especialistas

Na história da arte, o pintor Giotto di Bondone ocupa um lugar muito especial: foi o homem que deu o pontapé inicial na Renascença. Na virada do século XIII para o XIV, esse nativo de Florença rompeu com a tradição estilizada bizantina e injetou sangue, por assim dizer, nas figuras que retratava. Considerado o primeiro grande mestre italiano, Giotto deixou uma variedade inestimável de afrescos. Entre eles contam-se os da Igreja Maior de São Francisco, em Assis, e outros em Pádua. Agora, no entanto, o lugar especial que ocupa na história da arte pode abrir mais espaço a um companheiro de viagem. Um conjunto de afrescos descoberto na igreja romana de Santa Maria de Aracoeli reforça a tese de que, antes de Giotto iniciar sua primeira grande obra, em Assis, outro artista já vinha pilotando com maestria a reviravolta tradicionalmente atribuída a ele. Trata-se de Pietro Cavallini, um romano sobre o qual pouco se sabe e de quem poucos trabalhos restaram. Os afrescos que estão vindo à luz permaneceram escondidos sob pinturas mais recentes e não foram ainda totalmente recuperados. Não é possível, por enquanto, precisar a data em que foram feitos ou confirmar a autoria de Cavallini, mas saltam à vista os pontos em comum com obras já conhecidas, incluindo o uso da luz e da perspectiva, além da expressividade das figuras. Se ficar estabelecido que os afrescos são anteriores à série de Assis, os especialistas terão assunto para mais alguns séculos de discussão. Giotto não perderá uma gota de seu prestígio. Mas os florentinos, acostumados à reputação de inventores solitários da Renascença, terão de abrir espaço no pódio para os romanos.

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