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Mala no burro e casa na Paulista

Arquivo pessoal
João Bittar
Antonio Milena

A história da Paramount, a maior fabricante de fios de fibra longa da América do Sul, dona das marcas Pingouin e Lacoste, começou com um imigrante tocando um burro carregado de tecidos e dormindo em barraca. Nassib José Mattar foi mascate durante três anos. Antes da virada do século, abriu uma loja. Dois anos depois, comprou seis teares e fundou uma fábrica de seda misturada com fios de viscose, uma novidade até na Europa. Trabalhava dezoito horas por dia tendo em mente o projeto de todo imigrante: criar bem a família (sonho que o pai, morto em conflito religioso no Líbano, não realizou). Em 1922, Nassib comprou uma casa na Avenida Paulista (na foto ao alto, a família na sala), ponto mais nobre de São Paulo, e para lá levou os oito filhos. Todos estudaram direito ou engenharia e trabalharam com ele na tecelagem. Hoje o negócio é tocado por seu filho Fuad (na foto acima e à dir. com a família), pai de Luiz Mattar, campeão de tênis. Nassib nunca voltou ao Líbano. Fuad nunca foi a um restaurante árabe.

 

Pai com banana, filhos com toga

Fotos arquivo pessoal

 

Ricardo Bueno


O mascate Mohamad Mazloum economizava tanto que ele e a mulher almoçavam pão com banana. No início até achavam bom – banana era fruta nobre e rara no Líbano. O esforço do casal valeu a criação de uma família em que os sete filhos homens têm curso superior (foto ao lado). Quatro deles se destacam na área jurídica. "A partir dos 10 anos tínhamos de trabalhar na loja, mas sem deixar de estudar", diz Ali Mazloum, juiz federal responsável pela primeira condenação judicial de um membro da equipe do presidente Collor. Saad é promotor de Justiça e condenou Pitta e Maluf pelo imbróglio dos precatórios. Nadim, também promotor, afastou o prefeito e vereadores de Guarulhos por corrupção. Omar é procurador do Banco Central. Outros dois irmãos administram as três lojas de móveis da família. Mazloum, em árabe, significa injustiçado.

 

Da casa de barro ao apê na Barra

Fotos arquivo pessoal
Paulo Jares

No Líbano, a família de Bassan Chedraoui tinha duas vacas que lhe davam coalhada, leite e queijo. "Sem elas, não teríamos sobrevivido", conta Bassan, que, menino, levava as vacas para pastar depois da escola. Em 1959, emigraram. Dois irmãos empregaram-se em lojas. Outros dois enchiam as malas e iam de ônibus vender mercadorias para os operários que construíam Brasília. Três anos dessa maratona renderam o capital para a abertura do primeiro estabelecimento. Hoje, os quatro irmãos são donos de lojas de roupas em Nova Iguaçu. Morador da Barra da Tijuca, ele abriu um restaurante árabe no bairro. Ficou conhecido como o Rei do Quibe.

 

A corrente mudou de direção

Eneida Serrano
Mesquita dos muçulmanos em Foz do Iguaçu: leva recente, fugida da guerra


Em setenta anos, contados a partir da última década do século XIX, 5 milhões de estrangeiros instalaram-se no Brasil. Hoje, a situação inverteu-se. De país tradicionalmente receptor de imigrantes, o Brasil passou a exportador. Há pouco mais de 1 milhão de estrangeiros morando aqui e entre 1,5 milhão e 2 milhões de brasileiros vivendo no exterior. Na virada do século XIX, o Brasil queria que os estrangeiros viessem. Com a abolição da escravatura em 1888, era preciso substituir o negro pelo branco como mão-de-obra para as lavouras. Havia também um projeto de "embranquecimento", coerente com as teorias raciais da época. A política de atração do governo incluía pagamento de passagens, emprego certo e até promessas de terras, nem sempre cumpridas.

O Brasil começou a fechar a porta à imigração com a Constituição de 1934, que adotou um regime de cotas para a entrada de estrangeiros. Nos anos 50, foi criada a Carta de Chamada, pela qual o estrangeiro só recebia visto de permanência com garantia de emprego. "Hoje, a orientação do governo é para que a imigração seja seletiva, apenas para profissionais que tragam conhecimento ao país", afirma Luiz Paulo Barreto, do Ministério da Justiça. "Na prática, o que às vezes significa ilegalmente, os imigrantes que recebemos são de lugares em que a situação econômica ou política é pior que a nossa", diz a socióloga Lucia Bógus. Um exemplo é o próprio Líbano, dilacerado pela guerra civil de 1975 a 1990, o que provocou uma nova leva de imigrantes. Muçulmanos na maioria, concentram-se em Foz do Iguaçu.

 

Sucesso nos palcos e palanques

Os descendentes dos imigrantes sírios e libaneses têm destaque em vários setores da vida nacional, das artes às universidades, da política à medicina. Alguns não usam o sobrenome árabe, mas ninguém nega a origem

Eduardo Albarello
Jader da Rocha
Nelio Rodrigues
Divulgação
PAULO MALUF, EX-GOVERNADOR (SP) BETO CARRERO, EMPRESÁRIO DE ENTRETENIMENTO ESPERIDIÃO AMIN, GOVERNADOR (SC) RAIMUNDO FAGNER, CANTOR
Renata C. Branco
C. Rossi/Ag. O Globo
Maira Bittencourt
Raul Junior
AMYR KLINK, NAVEGADOR ARNALDO JABOR, CINEASTA E COLUNISTA LUCIANA GIMENEZ MORAD, MODELO NAJI NAHAS, INVESTIDOR
Arthur Cavalieri
Mario Llaguno
Ana Araújo
Sérgio Dutti
ANTHONY GAROTINHO, GOVERNADOR (RJ) WANDERLÉA, CANTORA ADIB JATENE, CARDIOLOGISTA E EX-MINISTRO JANDIRA FEGHALI, DEPUTADA FEDERAL
Divulgação
Antonio Milena
Ronaldo Ceravolo
Roberto Valverde

JOÃO BOSCO, CANTOR

JOÃO SAYAD, BANQUEIRO E EX-MINISTRO MAURÍCIO MATTAR, ATOR ALMIR SATTER, CANTOR
Sérgio Dutti
Claudio Rossi
Angel Mora
Orlando Brito
ALMIR GABRIEL, GOVERNADOR (PA) MARILENA CHAUI, PROFESSORA DE FILOSOFIA JOSÉ SIMÃO, COLUNISTA FRANCISCO REZEK, EX-MINISTRO
André Penner
Régis Filho
Antonio Milena
Alexandre Sant'Anna
NIZAN GUANAES, PUBLICITÁRIO RAUL CUTAIT, CIRURGIÃO GASTROINTESTINAL RADUAN NASSAR, ESCRITOR ROSE MARIE MURARO, ESCRITORA
Sérgio Dutti
Alexandre Tokitaka
   
TASSO JEREISSATI, GOVERNADOR (CE) ROGER ABDELMASSIH, MÉDICO DE FERTILIDADE

 

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