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O óbvio ululantePsicólogo "ensina" leitores Carlos Graieb
Numa tarde qualquer do ano de 1995, o psicólogo americano Richard Carlson ficou preso num engarrafamento com sua filha de 3 anos. Assustada com as buzinas e as caras feias, a menina perguntou: "Por que todo mundo está tão bravo?" Carlson refletiu sobre a questão e chegou a uma conclusão: as pessoas estão bravas porque deixam que coisas insignificantes, como a perda de tempo no trânsito, dominem sua existência. Depois dessa "iluminação", ele, que há tempos prestava consultoria para executivos à beira do stress, resolveu escrever um livro, reunindo conselhos que ajudassem a suavizar as neuroses do cotidiano. Daí nasceu Não Faça Tempestade em Copo d'Água (tradução de Joana Mosela; Rocco; 274 páginas; 19,50 reais). Há semanas a obra consta da lista de best-sellers de VEJA, na categoria de auto-ajuda.
Os conselhos de Richard Carlson são de uma simplicidade espantosa, do tipo "não interrompa os outros nem complete suas frases". Ou, ainda, "faça uma coisa de cada vez". Em outros casos, há uma mistura despudorada de sabedoria oriental e psicologismo. "Ilumine-se", ordena Carlson. E também: "A vida é um teste, apenas um teste"; "Perceba o poder de seus pensamentos". Diante de um manual desse tipo, recheado de lugares-comuns, é difícil não concluir que o autor zomba de seus leitores, supondo que eles perderam toda a capacidade de usar o próprio bom senso.
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