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Confira
em Estação
VEJA
os trechos de livros, filmes e
cds recomendados nesta seção |
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CINEMA
A
Viúva de Saint-Pierre (La Veuve de Saint-Pierre,
França/Canadá, 2000. Estréia nesta
sexta-feira em São Paulo e dia 13 no Rio)
O diretor francês Patrice Leconte tem dois temas que
lhe são caros: o poder da paixão de levar
à renúncia (como em O Marido da Cabeleireira)
e o embate entre sinceridade e hipocrisia (caso de Caindo
no Ridículo). Ambos os assuntos se entrelaçam
aqui. A história se passa em 1850, numa gélida
ilha no litoral do Canadá que pertence à França.
Um marujo comete um crime e é condenado à
morte na guilhotina (cujo apelido era "A Viúva").
A ilha, porém, não dispõe do equipamento,
e o réu terá de continuar preso, sob os cuidados
do capitão do regimento local (o excepcional Daniel
Autenil), até que carrasco e guilhotina cheguem.
E aí começa verdadeiramente o filme. A mulher
do capitão (Juliette Binoche) acha que o prisioneiro
deve ser tratado com dignidade e uma boa dose de liberdade.
O marido a ama e quer atender a seus desejos, o que irá
instaurar a discórdia entre os moradores. Leconte
transforma esse enredo num drama austero e comovente. A
surpresa é a excelente atuação do cineasta
bósnio Emir Kusturica, de Arizona Dream, no
papel do condenado. Como os mais consumados atores, Kusturica
é capaz de transmitir várias emoções,
às vezes antagônicas, num mesmo gesto ou olhar.
LIVROS
O
Tesseracto, de Alex Garland (tradução
de Paulo Reis; Rocco; 233 páginas; 28,50 reais)
Autor do best-seller A Praia (cuja adaptação
cinematográfica com Leonardo DiCaprio resultou num
grande fiasco), Alex Garland mostra nesse segundo romance
que depurou ainda mais os talentos exibidos em sua estréia.
Seu texto continua ágil, seus personagens, convincentes,
sua narrativa, eletrizante. Garland está mais ousado,
contudo, na composição do enredo. Se A
Praia era linear, O Tesseracto
nome de uma figura geométrica é uma
complexa colagem de histórias. Ambientado nas Filipinas,
o livro fala sobre três grupos de pessoas que terminam
protagonizando um episódio sangrento. No capítulo
final, uma mesma cena de ação é narrada
da perspectiva de nada menos que treze personagens.
O
Perdido, de Hans-Ulrich Treichel (tradução
de José Marcos Macedo; Companhia das Letras; 113
páginas; 18 reais) Esta novela trata de uma
família alemã que tem um filho extraviado
durante a II Guerra Mundial. Anos depois, já instalados
em uma nova cidade e prósperos, os pais são
atormentados pelo sentimento de culpa e tentam reencontrar
o filho. Ao contrário do que sugere a sinopse, o
livro não é um drama sentimental. O narrador
é uma criança inteligente, mas neurastênica
o irmão mais novo do menino perdido. Lançando
mão de frases curtas e repetitivas, Treichel reproduz
a lógica infantil em seu texto, mesclando-a, no entanto,
com um humor sarcástico. O resultado é uma
pequena obra-prima da tragicomédia, que também
pode ser lida como parábola sobre os traumas e dilemas
da Alemanha na segunda metade do século XX.
TELEVISÃO
Divulgação
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| Os
heróis da série C.S.I.: policiais atípicos |
C.S.I. Crime Scene Investigation (Quartas,
às 22h, na Sony, com reprises nas quintas, às
3h, e domingos, às 21h) Apesar das imagens
dignas de filme de terror, com autópsias de cadáveres
e por aí afora, essa série sobre os bastidores
de um laboratório de perícia criminal figura
hoje entre as campeãs de audiência nos Estados
Unidos. Merecidamente. Ambientada em Las Vegas, C.S.I.
oferece muito mais que imagens chocantes e não exibe
aquele corre-corre típico dos seriados policiais.
Seu roteiro reserva espaço para humor e mistério,
mas também explora com maestria o lado humano dos
protagonistas, o médico-legista Gil Grissom (William
Petersen) e sua colega Catherine Willows (Marg Helgenberger),
uma ex-bailarina que virou tira. A dupla tem charme
e muito sangue-frio.
DISCOS
A
Música Brasileira deste Século por Seus Autores
e Intérpretes Poucas coleções
de MPB terão a mesma importância dessa. Ela
reproduz, na íntegra, em CDs e livros, as gravações
dos programas MPB Especial e Ensaio, realizados
pelas TVs Tupi e Cultura. No estúdio de televisão,
grandes nomes da música interpretavam gemas de seu
repertório e contavam "causos" de suas carreiras.
Tais relatos fazem a diferença. Nelson Cavaquinho,
por exemplo, fala de como tocava para sobreviver, enquanto
Paulinho da Viola dá uma aula de história
do samba. Os dois primeiros volumes da coleção
são do ano passado. Os dois últimos estão
saindo agora. Trazem 25 artistas, de Nelson e Paulinho a
Dick Farney e Aracy de Almeida. A coleção
só pode ser adquirida no Sesc Pompéia, em
São Paulo (
011-3871-7729), ou pelo site www.sescsp.com.br.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
Reza
a tal sabedoria popular que não é preciso
tomar uma sopa inteira para saber se ela está
salgada. O mesmo vale para alguns livros: basta abri-los
em qualquer página e já é possível
sentir que a obra inteira é uma tragédia.
Quem Mexeu no Meu Queijo?, livro há
várias semanas na lista de mais vendidos de
VEJA, encaixa-se nessa categoria (ou falta dela).
Trata-se de uma daquelas obras de auto-ajuda que pretendem
impulsionar a vida profissional do leitor e podem
ser resumidas em uma única frase. No caso,
seria a seguinte: "Fique atento às mudanças
que ocorrem à sua volta e aja rápido
para fazê-las reverter em benefício próprio".
O autor, Spencer Johnson obviamente um espertalhão
americano de sucesso , já vendeu 11 milhões
de livros em 26 países e é apresentado
como criador do "método de gerenciamento mais
popular do mundo".
Cida Souza
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| Spencer
Johnson: método de gerenciamento com cheiro de
queijo mofado |
Seus dotes de gerenciamento narrativo, pelo menos,
são espantosos. Os personagens da história
são dois ratos e dois duendes, todos do mesmo
tamanho, que vivem num labirinto à procura
de queijo. Usam tênis de corrida e roupa esportiva
para ir atrás de comida, que a cada dia aparece
num lugar diferente. E eles sonham, perceba a sutileza,
com um chalé na rua Cheddar ou uma casa na
colina Camembert. Caso o leitor não compreenda
a mensagem ao final, não tem problema. Distribuídos
pelo livro, dentro de medonhos desenhos de pedaços
de queijo, estão os recados básicos:
"Se você não mudar, morrerá",
ou ainda "As velhas crenças não o levam
ao novo queijo". Pensando bem, talvez Quem Mexeu...
tenha inaugurado uma nova modalidade: a dos livros
que nem é preciso abrir. Só de chegar
perto, já se sente um insuportável cheiro
de queijo mofado.
Flávio Moura
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| Fontes:
São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel,
Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto
Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília:
Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife:
Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis:
Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva;
Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte:
Siciliano, Leitura |
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