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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

ECONOMIA

O dinheiro sumiu

Há tempos os bancos não tinham um mês tão complicado como o de março. A maioria perdeu muito dinheiro com a montanha-russa dos mercados financeiros. Quem fechou o mês no zero a zero está estourando champanhe.

Gatos escaldados e cheios da grana

Alguns poucos bancos – pouquíssimos – ganharam. Mas se pelam de medo de que alguém saiba ou que se divulgue isso. Temem que o sucesso seja interpretado não como fruto de boa análise econômica, mas de informação privilegiada.

Em águas profundas

O clima de desconfiança mútua entre os diretores da Petrobras ainda está abaixo do nível do mar.

Solução caseira

O Banco Central pode negociar com a Petrobras a parcela do sem-banco Ângelo Calmon de Sá na Copene, que faz parte da massa falida do Econômico. Para a Petrobras o negócio faz todo o sentido, resta saber se o governo quer reestatizar o setor petroquímico.

Ao ataque

A Telemar começa a se armar para a guerra do ano que vem, quando as companhias que cumprirem suas metas com a Anatel poderão operar em todo o país. Criou uma superintendência de expansão exclusivamente para cuidar do atendimento a São Paulo e Região Sul, áreas hoje nas mãos da Telefônica e da Brasil Telecom.

Mico à venda

Benjamin Steinbruch botou à venda a Metalic, uma fábrica de latas de aço instalada no Ceará, que até agora só lhe trouxe dor de cabeça e prejuízo.

 

POLÍTICA

Ele ainda incomoda

Num encontro sigiloso em Brasília, FHC reuniu-se com um seleto grupo de pesos-pesados na semana passada. Só gente grande, do tamanho dos banqueiros Lázaro Brandão (Bradesco), Roberto Setubal (Itaú) e Joseph Safra (Safra). E dos empresários Jorge Gerdau (grupo Gerdau) e Max Feffer (Suzano). Segundo um participante da conversa, o tom do jantar foi a tal inserção do Brasil na Alca. Mas, lá pelas tantas, FHC fez um apelo. Queria saber quem entre os presentes tinha ascendência sobre ACM. Objetivo: evitar que a bancada carlista na Câmara, de aproximadamente trinta deputados, assine a CPI da Corrupção.

 

EJ sai da toca para o revide

Ricardo Stuckert
Eduardo Jorge: processo contra os procuradores


O ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge acha que chegou a hora de dar o troco. Na semana passada, ele teve acesso, pela primeira vez, aos autos do processo que o Ministério Público está movendo contra ele. Depois de percorrer as 500 páginas da peça preparada pelos procuradores Guilherme Schelb e Luiz Francisco de Souza, decidiu ir à Justiça contra os dois. Diz que vai também distribuir o processo para a imprensa, para mostrar que não há nenhuma acusação formal contra ele.

 

GOVERNO

Sem esperança

A decisão de FHC de tirar do papel o programa de ajuda à população das periferias dos grandes centros urbanos sai nesta semana. É coisa para 1,2 bilhão de reais. Uma pesquisa sobre o tema será entregue na segunda-feira a FHC, por seu assessor, Moreira Franco, que está pilotando os estudos. Os resultados são desalentadores: a população da periferia perdeu completamente a esperança de mobilidade social.

 

CONGRESSO

Gordura parlamentar

Aécio Neves anunciará na semana que vem a extinção de 270 cargos de confiança na Câmara dos Deputados. O curioso é que não fará a menor falta. É pura gordura. Ele também decidiu que as empresas que estão com algum contrato de prestação de serviços na Câmara serão "convidadas" a renegociar sua fatura para um valor 10% menor. Com certeza, ninguém chiará. Resumo da ópera: é gordura que não acaba mais.

 

PROPAGANDA

Quer, não quer

O publicitário Afonso Serra, que ficou com a DM9 depois da saída de Nizan Guanaes para o iG, tem dito a amigos que gostaria de mudar o perfil da empresa. Pretende deixar de fazer campanhas políticas e de atender a contas públicas – duas áreas que alavancaram o sucesso da DM9 nos tempos de Nizan. Quer cuidar apenas das contas de empresas privadas. Só não fez isso ainda porque a verba do Ministério da Saúde é alta demais para abrir mão.

 

Globo e Boni certam os ponteiros

Bia Parreiras
Boni: junto dos Marinho, mas não da TV aberta


As conversas entre as Organizações Globo e Boni, cujo contrato expira em maio, vão de vento em popa. Boni fica, já é quase certo, mas o projeto dos Marinho para ele passa longe da TV aberta. Ou seja, a área de Marluce Dias da Silva continua de Marluce.

 

FUNDOS DE PENSÃO

Empregos a perigo

O alvo do governo ao aprovar no Senado o projeto que obriga as empresas a contratar executivos de fora para tocarem seus fundos de pensão era um só: os fundos de estatais – especialmente a Previ, cuja diretoria está recheada de petistas. Vai ser pesada a guerra para a aprovação na Câmara do projeto de lei, prevista para este mês. Se passar, o alto comando da Previ estará toda no olho da rua no dia seguinte. Já há vários diretores da Previ ameaçando tirar alguns esqueletos das privatizações dos armários.

 

TST

Mulher no Clube do Bolinha?

Tem gente apostando que FHC vai dar fim a um dos mais renitentes redutos masculinos entre as altas cortes do Judiciário – o TST. Duas das dezessete vagas serão preenchidas nos próximos dias e na lista que foi entregue pelo TST ao presidente constam os nomes de duas mulheres.

 

FUTEBOL

Bola murcha

O interesse com o futebol anda diminuindo, como tem mostrado a audiência cadente dos jogos transmitidos pela TV desde o ano passado. Agora, uma pesquisa nacional de opinião, recém-saída do forno, revela que a falta de paciência alcança também o submundo que cerca os gramados. A MCI perguntou se as pessoas acompanhavam a CPI do Futebol. Mais da metade (53%) disseram que "não acompanham" e outros 29% têm "pequeno interesse" na CPI. Tudo bem, mas espera-se que tal desinteresse não faça Eurico Miranda sair de fininho e não explicar nada sobre a origem de seus bens.

 

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Colaborou Alexandre Oltramari

 

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