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Deus é do babado

Evangélicos agora utilizam o tecno e o rap
para conquistar adeptos entre os jovens

Sérgio Martins

 
Fotos Rogério Voltan
Apocalipse 16: shows em igrejas e hit entre os não-evangélicos

Não é de hoje que os evangélicos modernizam seus hinos para conquistar adeptos jovens. Nos últimos dez anos, o hit parade do Senhor, antes dominado por velhas canções de louvor, abriu-se para o rock, o funk e o pagode. Agora, chegou a vez de dois novos estilos: o tecno e o rap. Na sua versão evangélica, o primeiro ganhou a sigla MEG (Música Eletrônica Gospel) e é capitaneado pelo DJ e produtor Ramilson Maia – que recrutou outros três "DJs de Cristo" e um especialista em canções religiosas para formar sua equipe de som. Esses cibercrentes têm por objetivo converter os freqüentadores de raves, misturando o pancadão (a batida forte do tecno) e a pregação. Álcool e estimulantes proibidos são substituídos pelo sermão de um pastor. "Jesus Cristo dá um barato eterno", filosofa Anderson Cepeda, o DJ Andy, um dos mentores do movimento. O rap, por sua vez, começou a ser difundido na comunidade evangélica há algum tempo, mas só agora ganhou força total. O grupo mais importante é o Apocalipse 16. Liderado por Luciano de Souza, que atende pela alcunha de Pregador Luo, o trio é sucesso até entre os não-evangélicos. Eles fazem, em média, doze apresentações por mês, em igrejas, casas noturnas e ao ar livre. Em todo show há um espaço reservado para a pregação. "Tem rapper que louva ladrões de banco. Nós mostramos o caminho de Deus para as pessoas", diz Luo.


Os cibercrentes do MEG: música eletrônica misturada com pregação

Aos poucos, a música evangélica vai-se tornando um negócio de peso. Muitos cantores desse meio vendem mais do que artistas da moda, presentes na programação das FMs. A cantora Cassiane, por exemplo, vendeu 650.000 cópias de seu último lançamento. O grupo de rock Catedral, imitador evangélico do Legião Urbana, bate em 300.000 cópias a cada novo disco. Já o Apocalipse 16 chegou à cifra de 30.000 discos com o álbum 2ª Vinda – a Cura, um desempenho muito bom, semelhante ao do rapper Xis, que recentemente estourou nas rádios comerciais com a música Us Mano e As Mina.

A expectativa para o tecno do Senhor é de que ele angarie um razoável contingente de fãs. Ramilson Maia e seus parceiros já estão produzindo um disco. Puderam testar a força de algumas músicas em fevereiro passado, durante a primeira rave evangélica do projeto MEG, no bairro paulistano da Mooca. Foi um sucesso. A próxima investida dos cibercrentes ocorrerá dentro de dois meses, na cidade fluminense de Volta Redonda. O convite partiu de uma das principais lideranças evangélicas da cidade, o pastor Rodrigo Leonardo Groeters. "A música eletrônica e o rap estão tomando o lugar do axé e do pagode no coração da rapaziada", afirma Groeters. Deus, agora, é do babado.

 

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