É
a economia, meu caro
Wilson Pedrosa/AE
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| Fernando
Henrique: com a decolagem da economia, a popularidade
subiu |
O
Brasil vive um raro momento de bonança na economia.
O desemprego está em queda, o PIB em crescimento,
a safra de grãos esperada para este ano deverá
ser 10% maior que a do ano passado. A inflação
está sob controle há tanto tempo que, mesmo
não existindo vitória definitiva contra ela,
parece um problema do século passado.
Em geral, quando se abre uma janela de tranqüilidade
econômica como a atual, o mundo oficial ganha uma
blindagem contra a corrosão de sua popularidade.
Esse é um fenômeno universal. Os governantes
timoneiros de economias em fases gloriosas caem nas graças
do povo. O exemplo mais recente é o americano Bill
Clinton. Ele esteve oito anos na Casa Branca e no coração
dos americanos, mesmo com aquela sucessão de escândalos
que protagonizou dentro e fora de casa.
Não por acaso os índices de aprovação
do presidente Fernando Henrique Cardoso estão em
alta, num momento em que o país assiste a um festival
de denúncias varrendo Brasília em todas as
direções. As pessoas acham que há muita
corrupção e, até certo ponto, o governo
tem sua parcela de culpa por não coibi-la como deveria.
Mesmo assim, numa pesquisa do Ibope divulgada na semana
passada, cerca de quatro em dez brasileiros aprovam o desempenho
do presidente. Não é um resultado glorioso,
mas o índice ficou acima do obtido nos últimos
levantamentos e, principalmente, cresceu mais do que era
esperado.
O motivo é o de sempre: os bons números da
economia. No fundo, o brasileiro está dando uma prova
de bom senso. Conforme demonstram as pesquisas, ele considera
o caldeirão de denúncias que ferve em Brasília
uma ocorrência muito importante. Indica, no entanto,
que seu humor melhora muito quando sente um vento favorável
nas taxas de crescimento do país, no aumento do emprego
e no controle da inflação. Veja
reportagem.