|
|
Edição 1 622 - 3/11/1999
|
Eterno fascínioO sucesso de uma história Carlos Graieb
Nem só de livros de auto-ajuda, romances leves e coletâneas de piadas
se faz uma lista de mais vendidos. Às vezes, um clássico consegue se infiltrar
na tabela publicada por VEJA. Esse é o caso da nova edição, revista e
ilustrada, de O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch
(tradução de David Jardim Júnior; Ediouro; 418 páginas; 29 reais).
Bulfinch (1796-1867) era membro de uma família americana tradicional e falida. Seu pai era um arquiteto famoso, mas quando Bulfinch chegou à idade adulta o dinheiro do clã havia acabado. Ele permaneceu solteirão e ganhou a vida como bancário. Começou a escrever bem tarde. Só aos 59 anos publicou Idade da Fábula, aqui rebatizado de O Livro de Ouro da Mitologia. O sucesso foi imediato. Até hoje o livro é recomendado e adotado em escolas e universidades ao redor do mundo. O autor partiu de um problema concreto: a dificuldade que muitos leitores tinham de compreender a poesia, os romances e mesmo os discursos políticos e textos jornalísticos de sua época, abarrotados de referências mitológicas. Sua hipótese: uma narrativa simples, elegante e com alguns comentários a respeito dos principais mitos (sobretudo gregos e romanos, como Vênus) ajudaria o leitor "moderno" a entender melhor não apenas a tradição mas também a própria cultura. Nessa perspectiva, ele incluiu 188 trechos de poesia inglesa e americana. Deu certo. Para o público atual, a presença dessas citações pode até aumentar o interesse da obra: afinal de contas, Milton, Byron e Keats parecem hoje tão remotos quanto os deuses do Olimpo. Comparado com outros volumes de explicação e popularização da mitologia disponíveis, como os do inglês Robert Graves e os do americano Joseph Campbell, o livro de Thomas Bulfinch fica um passo atrás. A arqueologia, a História e até os lingüistas ampliaram bastante o conhecimento que se tem das fontes mitológicas nos últimos 150 anos. Mesmo assim, esse "livro de ouro" guarda seu charme e é uma leitura agradável.
|
![]() |
|
|