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Edição 1 771 - 2 de outubro de 2002
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DVDs

Universal Pictures

De Volta: série engenhosa


De Volta para o Futuro – A Trilogia
(Universal) – Como seria ter 17 anos, voltar ao passado e encontrar os próprios pais nessa idade? Com base nessa idéia, Steven Spielberg – aqui como produtor – e o diretor Robert Zemeckis bolaram uma das séries mais populares e engenhosas dos anos 80. No primeiro filme, de 1985, o protagonista Marty McFly (Michael J. Fox) retrocede até 1955. No segundo, lançado quatro anos depois, ele avança até 2015. E, no último, de 1990, vai com Doc Brown (Christopher Lloyd), o inventor da máquina do tempo, para o Velho Oeste. Nessa caixa com três discos, cada um dos episódios é acompanhado de seu próprio documentário, erros de filmagem e cenas inéditas. Em tempo: Zemeckis prefere o terceiro filme, por achar que ele é o mais filosófico e menos materialista do conjunto.

O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, Estados Unidos, 1968. Paramount) – Medo, mesmo, esse clássico de Roman Polanski já não provoca. Mas ainda é magnífico na sua estranheza. Rosemary (Mia Farrow, no auge de sua fragilidade) é a recém-casada que se muda com o marido (John Cassavetes) para um edifício nova-iorquino com longa tradição de hospedar adeptos da magia negra. Para sua alegria, Rosemary descobre que está grávida. E, para seu pavor, tem dores horríveis, perde peso sem parar e se sente estranhamente vigiada por um casal de vizinhos idosos. Conclui que o pai de seu filho é, na verdade, o demônio. Pode ser que ela tenha razão. E pode ser também que tudo não passe de projeção do medo feminino de gerar um monstro. Polanski – que dá uma bela entrevista no documentário incluído no disco – mantém a dúvida até o final. Veja trailer do filme.

 

LIVROS

As Gangues de Nova York, de Herbert Asbury (tradução de Beatriz Sidou; Globo; 382 páginas; 43 reais) – O jornalista Herbert Asbury (1891-1963) chamou esse livro de "história informal" do submundo nova-iorquino. Seu objetivo não era teorizar sobre a criminalidade, mas simplesmente narrar "os feitos mais espetaculares do cidadão rebelde". Publicado originalmente em 1928, As Gangues de Nova York traz uma infinidade de dados curiosos sobre a cidade e os bandidos que a aterrorizaram entre o começo do século XIX e o começo do século XX. O cineasta Martin Scorsese inspirou-se na obra para criar seu novo filme, que terá Leonardo DiCaprio no papel principal. O escritor argentino Jorge Luis Borges também era fã dela. Mencionou-a num de seus contos, O Provedor de Iniqüidades Monk Eastman, que serve de prefácio a essa edição brasileira. Leia trechos do livro.

 
André Nazareth/Strana

Adriana Falcão: belo infantil

Luna Clara & Apolo Onze, de Adriana Falcão (Salamandra; 328 páginas; 28,50 reais) – Escritora e roteirista do programa A Grande Família, da Rede Globo, a carioca Adriana Falcão fez sua primeira incursão na literatura infantil no ano passado com o livro Mania de Explicação – uma criativa coletânea de frases que procuram explicar os sentimentos e emoções para as crianças. Agora, volta a se dirigir a esse público em Luna Clara & Apolo Onze, que conta a saga romântica dos personagens do título, habitantes de um mundo fictício (que lembra, no entanto, o Brasil). É um belo trabalho – tanto mais porque Adriana escolhe um caminho nada ortodoxo para falar à garotada. O livro, bastante longo, valoriza mais o texto que as ilustrações. E bebe na fonte da literatura fantástica de autores como o colombiano Gabriel García Márquez.

O Nobre Senhor Kingsblood, de Sinclair Lewis (tradução de Juliana Borges; Germinal; 335 páginas; 39 reais) – Muito popular no começo do século XX, Lewis foi o primeiro americano a conquistar o Nobel de Literatura, em 1930. A crítica o considera um mestre da "sátira otimista" – alguém capaz de ridicularizar ferozmente seu país, mas sem cair na amargura. Seu romance mais importante é Babbitt, retrato do típico homem de negócios americano, mas esse lançamento também pertence à sua "estante básica". Conta a história do esnobe Neil Kingsblood, que adora pensar que descende dos reis da Inglaterra. Por hobby, ele decide traçar sua genealogia – e o choque não poderia ser maior quando descobre um homem negro entre seus antepassados. O livro ficou pronto em 1947, quatro anos antes de seu autor morrer, vítima do alcoolismo.

 

DISCOS

Motown Salutes Bacharach, vários artistas (Universal) – Na música pop americana, existem poucas "instituições" comparáveis à gravadora Motown e ao compositor Burt Bacharach. A primeira produziu o que há de melhor na música negra, de Marvin Gaye ao grupo Jackson Five. O segundo, em dupla com o letrista Hal David, criou algumas das maiores pérolas do cancioneiro popular nas últimas décadas. Essa compilação reúne dezoito versões de músicas de Bacharach cantadas por artistas da Motown em sua época áurea, nos anos 60 e 70. São faixas do fundo do baú, como a clássica versão de The Look of Love interpretada pela cantora soul Gladys Knight, ao lado do grupo The Pips. No cardápio há ainda duas canções na voz de Stevie Wonder (Alfie e A House Is Not a Home).

 
Aerosmith: rock puro há três décadas

O, Yeah!, Aerosmith (Sony Music) – A trajetória da banda americana Aerosmith é curiosa. No início da carreira, nos anos 70, eles eram considerados artistas do segundo escalão, quando comparados a concorrentes muito mais exuberantes, como o Led Zeppelin. Na atualidade, o conjunto praticamente não enfrenta concorrência em sua área: ninguém no mercado, afinal de contas, ainda faz rock puro e energético como eles. Essa antologia dupla, com 33 faixas, é uma boa forma de conhecer a trajetória do grupo liderado pelo vocalista Steven Tyler e pelo guitarrista Joe Perry. Se há um fato que impressiona no disco é que suas gravações antigas, como os sucessos Dream On (1973) e Walk This Way (1975), não envelheceram nada na comparação com as mais recentes.

 
Divulgação
Beck: seu melhor disco  

Sea Change, Beck (Universal) – O compositor americano Beck Hansen afirma ter criado o repertório de seu oitavo disco depois de levar um fora da namorada. É preciso erguer uma estátua para sua ex. Trata-se do melhor trabalho já produzido por Beck em quase uma década de carreira. Conhecido por misturar hip hop e até música brasileira em discos bem-humorados e dançantes, o rapaz revela aqui uma outra face. Os títulos de algumas canções, como Lost Cause ("causa perdida") e Already Dead ("já morto"), dão a dica. É música de fossa, sim, mas não se assuste: longe de ser deprê, Sea Change é uma inspirada homenagem à psicodelia consagrada nos anos 70 por artistas como Nick Drake e Syd Barrett. "São apenas lágrimas que choro / É apenas você que estou perdendo / Acho que estou bem", canta Beck numa faixa. Ouça a faixa Guess I'm Doing Fine.

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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