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Edição 1 698 - 2 de maio de 2001
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Ele quer mais

Bilionário vai disputar a
prefeitura de Nova York


Raul Junior
Bloomberg: disposto a abrir mão do salário


O que dar a um homem que tem tudo? Aos 59 anos, Michael Bloomberg, o bilionário barão da mídia e das finanças americanas, quer a prefeitura de Nova York. Ele decidiu-se por disputar a sucessão do prefeito Rudolph Giuliani depois de concluir que outros cargos preferidos estão fora de alcance. Os descartados são, pela ordem: presidente dos Estados Unidos, secretário-geral das Nações Unidas e presidente do Banco Mundial. Bloomberg diz que a cidade só terá vantagens se ele ganhar a eleição de novembro, pois pretende abrir mão do salário anual de 195.000 dólares e trabalhar pela quantia simbólica de 1 dólar. Dono de uma fortuna avaliada em 4 bilhões de dólares, está disposto a gastar 20 milhões do próprio bolso na campanha, uma das vantagens, como diz, de ser um homem rico. "Os outros candidatos precisam levantar fundos", ironiza. Ele já mostrou que não medirá esforços para ganhar a eleição. Depois de passar anos doando milhões de dólares para as campanhas democratas, assinou a filiação no Partido Republicano porque achou que seria mais fácil sair candidato pelos republicanos.

O que move Bloomberg é um ego gigantesco. Aliás, esse é o cerne da história que pretende contar aos eleitores: a do menino pobre que fez fortuna com o próprio esforço. Não terá dificuldade alguma para vender essa ou qualquer outra versão, pois dispõe de suas revistas, estação de rádio e de um conceituado serviço noticioso para a divulgação. A maior, mais rica e badalada cidade americana já viu outros candidatos inusitados. O polêmico escritor Norman Mailer, por exemplo, foi bem votado nos anos 60. Com Bloomberg a história é mais séria. Talvez ele seja mesmo o candidato perfeito numa cidade em que os ricaços e os políticos recebem tratamento e se comportam como celebridades do show business.



 
 
   
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