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O efeito da popularidade
Segundo pesquisa,
a imagem
desgastada não impede que
FHC emplaque seu candidato
no topo da corrida de 2002
Alexandre
Secco
Moreira Mariz
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Ricardo Stuckert
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| Itamar
Franco e José Serra: pesquisa diz que o governador de Minas
Gerais é o candidato mais virtuoso e que Serra pode beneficiar-se
dos votos de Fernando Henrique |
Foi divulgado
na semana passada o resultado da última pesquisa sobre a popularidade
do presidente Fernando Henrique. A novidade é que sua aprovação
voltou a cair depois de um ano de folga, com taxas crescendo em ritmo
constante. Apenas um mês atrás a avaliação
positiva de FHC chegou a 33,3%, o melhor nível obtido no segundo
governo. De acordo com a nova pesquisa, realizada pelo instituto Sensus,
a taxa de avaliação positiva em abril caiu um pouco, para
29,7%. Rapidamente começou a surgir uma explicação
aparentemente óbvia para o revés presidencial. Falava-se
nos corredores do Congresso que a crise que se desdobra no Senado teria
maculado a imagem de FHC. Mas cuidado com a pressa. Embora essa explicação
tenha lógica, os analistas políticos mais experientes fazem
um alerta. Eles acham que é impossível dizer em que medida
o caso da Sudam e o do painel de votação do Senado arranham
a imagem de Fernando Henrique e em que medida a resposta dos entrevistados
foi apenas um desabafo contra "tudo isso que está aí".
E mais,
os especialistas alertam também que é impossível
prever se a queda na taxa de popularidade em abril é um evento
isolado ou se marca uma tendência definitiva para os próximos
meses. Pesquisas de opinião, lembra o diretor do Ibope, Carlos
Augusto Montenegro, são o retrato de um dia. Ou seja, o que se
vê hoje pode desaparecer amanhã. Uma das poucas coisas que
se podem dizer com segurança dos altos e baixos da popularidade
presidencial é sobre o último ponto da curva. Não
se sabe em que lugar estará, se mais alto, se mais baixo. Mas sabe-se
que sua posição vai dar a medida da influência de
FHC na próxima eleição. A respeito disso, existe
uma idéia que se vem tornando consensual sobre a sucessão
em 2002. Salvo um desastre de qualquer natureza, diferentemente do que
parece, quem quer que seja o candidato apoiado por FHC em 2002 será
um adversário poderoso.
Em um estudo
realizado pelos tucanos, descobriu-se que 15% dos eleitores estão
dispostos a votar no candidato indicado pelo presidente, aconteça
o que acontecer. Na linguagem dos marqueteiros, é a chamada taxa
de transferência. Engana-se quem pensa que 15% é muito pouco.
Em matéria de política, as cifras facilmente transmitem
idéias falsas. Basta dizer que, com 15% dos votos, o candidato
começaria a eleição com uma espécie de passaporte
para o segundo turno, um cacife extraordinário. Lula foi para o
segundo turno contra Collor com pouco mais de 16%. "O candidato do governo
tem uma cesta básica garantida, resta saber quantos votos a mais
ele vai agregar pelos próprios méritos", diz o cientista
político Antônio Lavareda. Só para efeito de ilustração:
imagine um candidato que tenha algo em torno de 5% dos votos, como o ministro
da Saúde, José Serra. Com os 15% transferidos pelo presidente,
ele somaria 20%. Ficaria em segundo lugar na corrida, atrás de
Lula e à frente de Ciro Gomes.
Outro estudo
avalia o peso dos candidatos de oposição. Segundo pesquisas
do instituto Vox Populi, Lula, Ciro Gomes e Itamar Franco teriam, juntos,
mais de 70% das intenções de voto. Aparentemente, uma força
que chama a atenção. Só que mais uma vez é
preciso tomar cuidado com conclusões apressadas. Especialistas
em pesquisas políticas já aprenderam a identificar alguns
fatores que influenciam seus resultados. Por exemplo, o eleitor tem consciência
de que, nesta fase, ao citar o nome de Ciro, Lula ou Itamar, ele ainda
não está escolhendo um nome para governar o país.
A escolha guarda forte carga de protesto. Neste momento, os oposicionistas
aparecem só pelo que têm de bom. No correr das campanhas,
eles serão chamados a apresentar suas idéias e vão
precisar arcar com o desgaste natural que isso provoca.
Por fim,
a nova safra de estudos eleitorais guarda também um alerta para
os tucanos. A assessoria do presidente recebeu uma pesquisa que analisou
os pontos positivos de cada candidato. Quem reuniu mais virtudes e aparece
em primeiro lugar é o governador mineiro, Itamar Franco, do PMDB.
Ele é visto como experiente e honesto. Lula vem em seguida. Os
eleitores o admiram pela honestidade e preocupação com o
emprego. Curiosamente, nos dois candidatos é ressaltada uma qualidade
que estaria em falta na classe política.
Fontes Vox Populi e Sensus
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