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Edição 1 698 - 2 de maio de 2001
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O efeito da popularidade

Segundo pesquisa, a imagem
desgastada não impede que
FHC emplaque seu candidato
no topo da corrida de 2002

Alexandre Secco

 
Moreira Mariz
Ricardo Stuckert
Itamar Franco e José Serra: pesquisa diz que o governador de Minas Gerais é o candidato mais virtuoso e que Serra pode beneficiar-se dos votos de Fernando Henrique

Foi divulgado na semana passada o resultado da última pesquisa sobre a popularidade do presidente Fernando Henrique. A novidade é que sua aprovação voltou a cair depois de um ano de folga, com taxas crescendo em ritmo constante. Apenas um mês atrás a avaliação positiva de FHC chegou a 33,3%, o melhor nível obtido no segundo governo. De acordo com a nova pesquisa, realizada pelo instituto Sensus, a taxa de avaliação positiva em abril caiu um pouco, para 29,7%. Rapidamente começou a surgir uma explicação aparentemente óbvia para o revés presidencial. Falava-se nos corredores do Congresso que a crise que se desdobra no Senado teria maculado a imagem de FHC. Mas cuidado com a pressa. Embora essa explicação tenha lógica, os analistas políticos mais experientes fazem um alerta. Eles acham que é impossível dizer em que medida o caso da Sudam e o do painel de votação do Senado arranham a imagem de Fernando Henrique e em que medida a resposta dos entrevistados foi apenas um desabafo contra "tudo isso que está aí".

E mais, os especialistas alertam também que é impossível prever se a queda na taxa de popularidade em abril é um evento isolado ou se marca uma tendência definitiva para os próximos meses. Pesquisas de opinião, lembra o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, são o retrato de um dia. Ou seja, o que se vê hoje pode desaparecer amanhã. Uma das poucas coisas que se podem dizer com segurança dos altos e baixos da popularidade presidencial é sobre o último ponto da curva. Não se sabe em que lugar estará, se mais alto, se mais baixo. Mas sabe-se que sua posição vai dar a medida da influência de FHC na próxima eleição. A respeito disso, existe uma idéia que se vem tornando consensual sobre a sucessão em 2002. Salvo um desastre de qualquer natureza, diferentemente do que parece, quem quer que seja o candidato apoiado por FHC em 2002 será um adversário poderoso.

Em um estudo realizado pelos tucanos, descobriu-se que 15% dos eleitores estão dispostos a votar no candidato indicado pelo presidente, aconteça o que acontecer. Na linguagem dos marqueteiros, é a chamada taxa de transferência. Engana-se quem pensa que 15% é muito pouco. Em matéria de política, as cifras facilmente transmitem idéias falsas. Basta dizer que, com 15% dos votos, o candidato começaria a eleição com uma espécie de passaporte para o segundo turno, um cacife extraordinário. Lula foi para o segundo turno contra Collor com pouco mais de 16%. "O candidato do governo tem uma cesta básica garantida, resta saber quantos votos a mais ele vai agregar pelos próprios méritos", diz o cientista político Antônio Lavareda. Só para efeito de ilustração: imagine um candidato que tenha algo em torno de 5% dos votos, como o ministro da Saúde, José Serra. Com os 15% transferidos pelo presidente, ele somaria 20%. Ficaria em segundo lugar na corrida, atrás de Lula e à frente de Ciro Gomes.

Outro estudo avalia o peso dos candidatos de oposição. Segundo pesquisas do instituto Vox Populi, Lula, Ciro Gomes e Itamar Franco teriam, juntos, mais de 70% das intenções de voto. Aparentemente, uma força que chama a atenção. Só que mais uma vez é preciso tomar cuidado com conclusões apressadas. Especialistas em pesquisas políticas já aprenderam a identificar alguns fatores que influenciam seus resultados. Por exemplo, o eleitor tem consciência de que, nesta fase, ao citar o nome de Ciro, Lula ou Itamar, ele ainda não está escolhendo um nome para governar o país. A escolha guarda forte carga de protesto. Neste momento, os oposicionistas aparecem só pelo que têm de bom. No correr das campanhas, eles serão chamados a apresentar suas idéias e vão precisar arcar com o desgaste natural que isso provoca.

Por fim, a nova safra de estudos eleitorais guarda também um alerta para os tucanos. A assessoria do presidente recebeu uma pesquisa que analisou os pontos positivos de cada candidato. Quem reuniu mais virtudes e aparece em primeiro lugar é o governador mineiro, Itamar Franco, do PMDB. Ele é visto como experiente e honesto. Lula vem em seguida. Os eleitores o admiram pela honestidade e preocupação com o emprego. Curiosamente, nos dois candidatos é ressaltada uma qualidade que estaria em falta na classe política.

 
Fontes Vox Populi e Sensus

 

 
 
   
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