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DISCOS
Pirão
de Peixe com Pimenta, Sá & Guarabyra
(Som Livre) Se você já acampou
pelo menos uma vez na vida, com certeza se cansou
de ouvir Espanhola e Sobradinho, clássicos
do violão em volta da fogueira. Pois acredite:
quando não são assassinadas por músicos
de final de semana, essas canções são
até inspiradas. É só conferir
em Pirão de Peixe com Pimenta, terceiro
e melhor disco da dupla Sá & Guarabyra,
que sai agora pela primeira vez em CD. O mérito
da dupla é ter traduzido o rock caipira americano
para a linguagem rural brasileira. Sá &
Guarabyra estão entre os grandes injustiçados
da MPB. Eles foram imitados à exaustão
pelos cantores mineiros dos anos 70, como Lô
Borges e Beto Guedes. Os originais, no entanto, são
muito melhores. Tocam bem, cantam bem e, ao contrário
de suas cópias, escrevem letras que fazem sentido.
Burn
to Shine, Ben Harper (Virgin) Eis aí
um raro cantor de protesto que não é
chato. Versão anos 90 de Joan Baez, Ben Harper
não aborrece o ouvinte como sua predecessora
por dois motivos. Primeiro, porque foge da fórmula
violão e voz. Em vez disso, exercita sua competência
em vários estilos da música americana,
como o jazz, o reggae, a soul music e até o
heavy metal. Segundo, porque suas letras contra o
sistema fogem dos slogans fáceis. Ele prefere
escrever pequenos contos musicados, como no sucesso
Mama's Got a Girlfriend Now, que fala de uma
mulher que trocou o marido alcoólatra e violento
por uma namorada. Harper também não
é nada modesto. Ele se define como uma mistura
entre o virtuosismo musical de Jimi Hendrix e a competência
como letrista de Bob Dylan. Há um certo exagero
nisso, claro. Mas no deserto de boas idéias
do pop atual ele se destaca.
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LIVRO
A
Forma da Água, de Andrea Camilleri
(tradução de Joana Angélica D'Avila
Melo; Record; 143 páginas; 20 reais)
Nos anos 90, Andrea Camilleri popularizou o "spaghetti
noir", ou seja, a versão italiana do romance
policial. Protagonizados pelo impagável comissário
Montalbano, os livros de Camilleri são ágeis
e engraçados e se tornaram um fenômeno
de vendas no país do autor e em outras partes
da Europa. A Forma da Água se passa
na Sicília, terra dos mafiosos, e começa
quando dois lixeiros encontram um figurão assassinado
num terreno baldio. Aos poucos, Montalbano vai desvendando
o mistério não sem antes tropeçar
em outros cadáveres.
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TELEVISÃO
100 Anos
Luis Buñuel (de 2 de fevereiro a 1º
de março, às quartas-feiras, às
22h, com reapresentações, no Eurochannel)
Perto do diretor Luis Buñuel, até
seu compatriota Pedro Almodóvar parece comportado.
Amigo de figuras polêmicas da Espanha das primeiras
décadas do século, como o pintor Salvador
Dalí, Buñuel tornou-se o pai do surrealismo
no cinema quando lançou o curta-metragem Um
Cão Andaluz, em 1929. Durante seus quase
cinqüenta anos atrás das câmaras,
dedicou-se a atacar impiedosamente a Igreja e os valores
burgueses, ora em obras trágicas, ora em comédias
cáusticas. Para comemorar o centenário
de seu nascimento (em 22 de fevereiro), o Eurochannel
exibe cinco trabalhos estupendos da última
fase de sua carreira, em parceria afinada com o roteirista
francês Jean-Claude Carrière. O ciclo
será inaugurado com O Diário de uma
Camareira (1964) e inclui o clássico A
Bela da Tarde (1967). Nesta fita que até
virou nome de motel em São Paulo, uma dona
de casa entediada (Catherine Deneuve) cumpre meio
expediente num bordel, onde se dá o direito
de viver as fantasias sexuais que não se anima
a compartilhar com o marido certinho. Completam o
cardápio os três últimos filmes
do diretor, nos quais sua veia surrealista corre solta:
O Discreto Charme da Burguesia (1972), O
Fantasma da Liberdade (1974) e Esse Obscuro
Objeto do Desejo (1977).
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FILME
O Marido Ideal (An
Ideal Husband, Estados sUnidos/Inglaterra, 1999.
Estréia nesta sexta-feira em circuito nacional)
O ator inglês Rupert Everett fez sucesso
na comédia romântica O Casamento do
Meu Melhor Amigo, em que contracenava com Julia
Roberts. Agora ele dá novas mostras de seu
carisma. Na comédia de costumes O Marido
Ideal, adaptada da peça homônima
de Oscar Wilde, ele rouba a cena na pele do indolente
lorde Goring, que tenta se esquivar de uma jovem casadoira
enquanto livra o maior amigo de uma chantagista. Everett
tem o traquejo perfeito para dar vida aos diálogos
reluzentes de Wilde. Um exemplo impagável:
"Prefiro falar sobre nada, pois é o único
assunto sobre o qual sei alguma coisa".
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