Edição 1 634 -2/2/2000

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Ancelmo Gois

The girl from Petrobras!
Chico Caruso/O Globo

Olha que coisa
mais linda,
mais cheia
de graxa!

ECONOMIA

Mãos ao alto!

A Polícia Federal abre inquérito na segunda-feira para apurar tentativa de suborno em cima de um conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade. É coisa cabeluda. Refere-se ao processo de fusão da Brahma com a Antarctica, cuja decisão depende do Cade. As tropas contrárias à AmBev são lideradas pela Kaiser. Esse mercado fatura uns 13 bilhões de reais por ano.

Inabilitado

O Banco Central resolveu na semana passada proibir que dezesseis diretores do finado Econômico possam exercer função no setor financeiro nos próximos cinco anos. Na lista está o ministro Rodolpho Tourinho – embora na época da intervenção ele já tivesse deixado o banco. À decisão cabe recurso.

O nome é...

Chama-se Valor o novo jornal econômico – que vem ao mundo numa parceria de O Globo com a Folha de S.Paulo. Há mais de um grupo estrangeiro interessado em se incorporar ao negócio.

Por debaixo do pano

O neonacionalismo de Andrea Calabi é louvado por Fernando Henrique. Mas o presidente prefere uma ação longe dos refletores.

Falatório

O que tanto Naji Nahas conversa com Jorge Serpa?

Buraco

Auditoria na Petros concluiu que o fundo de pensão da Petrobras perdeu mais de 200 milhões de reais em operações malfeitas na administração anterior.

Sabor amargo

Os ajustes da Coca-Cola não vão parar nos cortes anunciados recentemente. A multinacional deve contabilizar um prejuízo por perdas passadas de 500 milhões de dólares no seu balanço.

Cópia furada

Em um ano, as ações da Xerox em Wall Street tropeçaram de 60 para 22 dólares. A firma atribuiu o infortúnio à queda dos lucros na operação brasileira.

Lista negra

No computador da Receita Federal há uma população maior que a de Salvador impedida de abrir um negócio próprio. São 2,8 milhões de pessoas com contas a acertar com o Leão.

Jorra dinheiro

Até março o Japão despeja ens $ bilhões de dólares na Petrobras para projetos de exploração de petróleo. Aporte externo maior do que esse só houve em 1975 – com o acordo nuclear firmado entre Brasil e Alemanha.

 

POLÍTICA

A água é nossa

Cresce no governo uma idéia que pode desobstruir a privatização do setor elétrico brasileiro. Apenas as usinas seriam vendidas. Os reservatórios de água ficariam com a Eletrobrás. No caso do Nordeste, esse tema é dramático. A água do Rio São Francisco é disputada balde a balde para consumo humano, irrigação e hidrelétricas. O temor é de que uma Chesf privada possa beber a água dos outros.

Explode coração

Chega a ser comovente o esforço do senador Romeu Tuma para torpedear o projeto do governo que proíbe a venda de armas. Mas quem conhece as ligações do ex-delegado não se surpreende. Duro é ver o relator Pedro Piva, empresário paulista de prestígio, sendo bonzinho com o lobby bélico.

A volta de Joca

O deputado João "Joca" Colaço é pouco conhecido fora de suas usinas de açúcar. Mas quase provoca uma crise política no coração do governo ao insistir na nomeação de um filho do ex-ministro Mário Andreazza para a Finep – agência de tecnologia. Agora, o pernambucano ataca com o mesmo candidato para outro cargo.

Coisa de louco

Um sujeito fantasiado de médico conseguiu entrar no quarto do senador Antonio Carlos Magalhães. O penetra queria apenas convidar o presidente do Senado para o aniversário de seu pai.

 

DESPERDÍCIO

Livro negro

Veja por que tem gente séria dizendo que o país não gasta pouco com o pobre – gasta mal. A vida útil de um livro numa escola pública quase sempre foi de um ano. O ministro Paulo Renato faz campanha para prolongar a vida do material didático. Resultado: neste ano serão distribuídos 60 milhões de exemplares, contra 109 milhões em 1999. Uma economia de 80 milhões de reais. E se evita derrubar cerca de 500.000 pés de eucalipto para fazer papel.

 

TV

O casal da fortuna

Em Terra Nostra o casal disputa a graça do público. Mas no mercado publicitário uma Ana Paula Arosio ainda vale uns quinze Thiago Lacerda. Matteo cobrou 70.000 reais para divulgar a Caixa Econômica. Giuliana ganha mais de 1 milhão com a Embratel.

Pirados na polenta

A Embaixada da Itália, em Brasília, está pirando com a quantidade de pessoas que telefonam pedindo absurdos. Embalados pela novela Terra Nostra, brasileiros de 400 anos e oriundi solicitam coisas tão estapafúrdias como a receita do tiramisu ou o endereço do cantor Eros Ramazzotti.

 

O último pregão

Museu da Cidade/Acervo Funarj
A Praça do Comércio em tela de Grandjean de Montigny


Não adianta tapar o sol com a peneira. Não houve fusão, e sim rendição. A Bovespa engoliu a Bolsa de Valores do Rio. O pregão carioca foi regulamentado em 1845, mas em 1820 os corretores já negociavam na Praça do Comércio. Por mais de um século, a BVRJ foi a maior do país. Definhou a partir do terremoto provocado por Naji Nahas, em 1989. Ultimamente tinha pouco mais de 2% do movimento de São Paulo. Menos que o supermercado da esquina.

Colaboraram: Daniela Pinheiro e Julio Cesar de Barros