Edição 1 634 -2/2/2000

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"Não existe um momento certo para iniciar a vida sexual. Existe o poder de escolha de cada um. Não basta fazer, tem de querer fazer."

Edith Melo
Belo Horizonte, MG

Sexo

Tenho 18 anos e ainda não comecei a minha vida sexual. Acho que essa questão de transar ou não vai da consciência de cada um. Pai nenhum deve "segurar" os filhos, pois uma pessoa de 15 anos já tem responsabilidade suficiente para saber o que é errado ou não ("Os pais estão confusos", 26 de janeiro).
Paula Rachel Monteiro
Brasília, DF

Acredito que os pais deveriam ler mais a Bíblia e aprender que não devemos perder a virgindade antes do casamento e que devemos ter apenas um parceiro. Se não fosse assim, Deus não teria criado apenas uma mulher para Adão, e vice-versa.
Simone Moraes C. da Silva
Belo Horizonte, MG

A reportagem retrata com fidelidade o que há de novo nesse intrigante comportamento dos jovens e na relação, nem sempre calma, com os pais. Contudo, por mais paradoxal que seja, a explicação segundo a qual os pais de hoje, que formaram a geração liberal dos anos 60 e 70, não se sentem muito à vontade com a iniciação sexual dos filhos talvez se ancore no fato de que agora estão sentindo na pele o peso da responsabilidade e do cuidado com os descendentes, sentimento que lhes faltava naquelas décadas.
Aldo Angelim Dias
aad@secrel.com.br
Fortaleza, CE

 

Trabalho

O Estado do Paraná há cinco anos vem promovendo o retorno de crianças em situação de rua e do trabalho e prostituição infantil aos bancos escolares. Trata-se do programa Da Rua para a Escola, que já levou para os bancos escolares 70.000 crianças e adolescentes de 392 dos 399 municípios paranaenses. A contrapartida é uma cesta básica de alimentos para a família, que se compromete a manter a criança na escola, com freqüência e aproveitamento. Esse programa recebeu o prêmio Criança e Paz, do Unicef ("Em busca do tempo perdido", 19 de janeiro).
Fani Lerner
Secretária de Estado da Criança e Assuntos da Família
Curitiba, PR

 

Internet

Muito providencial a reportagem "A segunda onda da internet grátis" (26 de janeiro). Agora, com a entrada do Terra/ ZAZ, a briga ficou muito mais interessante. Em termos de hospedagem gratuita em português, o Catar! (http://www. catar.com.br) ainda não tem concorrentes (que eu saiba). Eu mesmo tenho uma home page hospedada pelo Catar!, o serviço é ótimo. Com o acesso à internet também gratuito, não nos falta mais nada. Quem sai ganhando somos nós, os internautas. Já estava na hora.
Otton Moura
otton@tecplus.com.br
Belém, PA

 

BNDES

A edição de 19 de janeiro de VEJA se referiu ao Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Iedi, como: "Uma confraria de grandes empresários nacionais, muito organizados e especializados em arrancar benefícios públicos". O Iedi debate idéias e realiza pesquisas profundas, com forte apoio do meio acadêmico, sobre tendências econômicas no Brasil e em outros países. Nunca vinculou suas idéias ao interesse particular de um setor, empresa e/ou ou empresário, e jamais se especializou em arrancar benefícios públicos. Por meio de recente pesquisa em doze países, que reúnem 80% do PIB mundial, mostrou que não há experiência de nação que ascendeu à condição superior de desenvolvimento sem correspondente expressão de suas empresas nacionais. Defende o desenvolvimento da empresa nacional, o que não é sinônimo de restrição ao capital estrangeiro, muito menos de favorecimento espúrio a grupos de empresas brasileiras. Busca caminhos e alternativas para promover a equalização de oportunidades entre congêneres estrangeiras e brasileiras, sobretudo no acesso à tecnologia e ao capital. Por tudo isso, defende com vigor o direcionamento dos recursos da única fonte de capital de longo prazo existente no Brasil, que é o BNDES, com decidida prioridade para o fortalecimento da empresa nacional. Com esses esforços espera gerar ambiente mais propício para o desenvolvimento do espírito empresarial brasileiro e a criação de oportunidades para empreendedores novos ou já em atividade ("O grito de Calabi", 19 de janeiro).
Eugênio Emílio Staub
Presidente do conselho do Iedi
São Paulo, SP

 

Filhos

Sobre a reportagem "E viva a diferença!" (19 de janeiro), sou uma das psicólogas que integram a equipe de saúde da unidade de terapia intensiva neonatal, a Unineo, localizada na Casa de Saúde e Maternidade Santa Fé, e não chefe do serviço.
Gláucia Rezende Tavares
Belo Horizonte, MG

 

Aventura

Muito me surpreendeu ter sido retratado na reportagem "Escalada da fama" (19 de janeiro) como capaz de jogar com o nascimento de um filho para tirar dinheiro de empresas em forma de patrocínio. VEJA já havia sido informada de que eu nunca havia pedido dinheiro à Blue Life. Na carta enviada à empresa, relatei a pretensão de viajar pelo mundo a bordo de meu veleiro e levantei a possibilidade de ser mantido no quadro de associados isento da mensalidade. A proposta de arcar com o custo da reforma do barco partiu do presidente da empresa. Nosso projeto é mostrar que não é necessário patrocínio para realizar sonhos e viajar pelo mundo.
Walter Garcia
São Paulo, SP

 

Sociedade

Sob o pretexto de fazer uma reportagem sobre os livros aos quais tenho me dedicado a escrever nesses últimos três anos, a revista aproveitou-se da oportunidade para escrever sobre a minha vida pessoal, assunto para o qual ela não foi convidada nem autorizada. Somente aceitei e atendi os repórteres depois de muita insistência, inclusive a pedido de terceiros, porque o assunto seria sobre os livros. A equipe da revista aproveitou a educada acolhida para se informar sobre quantos prédios eu tenho, quantos metros quadrados tem o apartamento de minha esposa, quantos funcionários trabalham na firma etc. Acresce-se a esse fato que, não sendo eu pessoa pública e por não ser a minha vida e os meus negócios o motivo da reportagem, a fonte na qual a revista se inspirou, sem que me fizesse consulta alguma, não era fidedigna, o que propiciou a publicação de uma série de inverdades, mesquinharias e constrangimentos, completamente dispensáveis. As caçadas do livro Caçarias ocorreram há quase vinte anos, época na qual eu não tinha de dar satisfações a ninguém. Ainda com relação ao livro, parece-me que a equipe não se interessou em entender bem o sentido das narrações ali descritas, concentrando-se principalmente no problema da mutilação de mulheres muçulmanas na África, o que aliás já é de conhecimento da grande maioria dos leitores. As descrições dos locais em que ocorreram as caçadas, das condições de vida das populações e da necessidade até do equilíbrio ecológico, pela eliminação de alguns animais, principalmente na África e no Alasca, e o sentido comercial, principalmente na Europa, não foram captados pela equipe, de vez que na reportagem não há nenhuma referência ao assunto. Sobre a longa narrativa da minha vida financeira, diversas vezes repetida, não tenho a menor intenção, se for possível, de terminar os meus dias devendo a ninguém. Continuo trabalhando em meus projetos. A Rua Mayrink Veiga e a Casa Mayrink Veiga S.A., junto com os botequins, estão no mesmo lugar há muito e muito tempo e continuarão por muito tempo ainda, mesmo depois que esta revista não for mais lembrada ("Outono do caçador", 19 de janeiro).
Antonio Alfredo Mayrink Veiga
Rio de Janeiro, RJ

 

João Figueiredo

Seria engraçadíssima a entrevista do falecido ex-presidente João Figueiredo se ele não tivesse sido presidente do Brasil. Um presidente ilegítimo, o quinto ditador dentro de um regime de vinte anos de vergonha na nossa História. O general Figueiredo chamou nosso pai, Vinicius de Moraes, de vagabundo e insinuou que Tom Jobim era covarde. Insinuar que era covarde um dos maiores compositores do século XX não é digno nem de um cavalariço. Quanto a Vinicius, poeta, cronista, crítico de cinema, dramaturgo, roteirista de cinema, letrista da maioria dos compositores de uma geração brilhante, teve muitos anos de trabalho como diplomata de carreira, na qual entrou por concurso – isso é ser vagabundo? ("Mortos não falam?", 12 de janeiro.)
Susana, Pedro, Georgiana, Luciana e Maria de Moraes
Rio de Janeiro, RJ

 

Música

O delicioso texto de José Ramos Tinhorão sobre João Gilberto e a bossa nova é dessas peças incontestáveis. Ao analisar um detalhe – a música – ele traça um perfil acabado de uma geração de brasileiros. Mostra com rara "sacação" a influência da cultura americana sobre os jovens brasileiros que hoje são balzaquianos ou cinqüentões ("A águia e os urubus", 19 de janeiro).
Umberto de Campos
Joinville, SC

 

Congresso

Sobre a reportagem "As pedras no sapato do Brasil" (22 de dezembro), gostaria de esclarecer que o TRF da 4ª Região foi instalado em 1989, tendo em tal ano recebido na distribuição 16.709 processos. Em 1994, o tribunal teve o número de juízes aumentado de catorze para 23. Em 1999, foram distribuídos 142.069 processos. Isso significa que, no período de dez anos, houve um incremento correspondente a 750%. Obviamente, o inchaço refletiu-se em todos os setores, exigindo espaço físico adequado para prestação jurisdicional. O resultado é que hoje o tribunal exerce suas atividades em seis locais, forçando uma despesa mensal de locação correspondente a aproximadamente 130 000 reais. Para o ano 2000, o custo estimado é de cerca de 1,6 milhão. A obra projetada atende às necessidades, está em andamento e – o que é mais importante – está orçada em preço de mercado, ou seja, 442 reais por metro quadrado. O custo total da obra, incluindo a automação (elevadores, redes lógica e telefônica etc.), é de 808 reais por metro quadrado, também adequado aos padrões de mercado. O TRF da 4ª Região exerce suas atividades com discrição, dentro dos padrões de moralidade exigíveis do serviço público. O primeiro Regimento Interno, elaborado em 1989, já proibia o nepotismo, jamais exigiu qualquer ambiente suntuoso, e os automóveis dos juízes são os adquiridos em 1989, quando não havia vedação da LDO.
Juiz Fábio Bittencourt da Rosa
Presidente do Tribunal
Regional Federal da 4ª Região
Porto Alegre, RS

 

 

CORREÇÕES: No ensaio "Notas para um dicionário brasileiro de política" (26 de janeiro), foi mencionada a "origem árabe" do ex-presidente do Banco Central Ibrahim Eris, que na verdade tem origem turca. Roberto Pompeu de Toledo lamenta o equívoco. O Projeto Meio Ambiente e Cidadania, que desenvolve ação para retirar as crianças do lixão e devolvê-las às salas de aula, é coordenado em Olinda pela prefeitura local em colaboração com o governo do Estado e as organizações Creche Sal da Terra e Ceas-Urbano-Centro de Estudos e Assistência Social, com apoio técnico e financeiro do Unicef ("Em busca do tempo perdido", 19 de janeiro). Diferentemente do que foi publicado na seção Contexto ("A era da velocidade", 22 de dezembro), o ano zero não existe no calendário gregoriano em vigor.

 

 

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