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Direto do mundinho
Livro
faz a crônica dos clubbers e de sua
influência
entre os jovens urbanos
Vamos
ver se você acerta: quem é que se veste
como um clubber, dança a noite toda ao som do
tecno em pistas de clubes, amanhece em festas raves
e sabe tudo sobre música? Outro clubber, o.k.
Mas não só. Pode muito bem ser uma finíssima
patricinha, garota bem-nascida, sem um pingo de rebeldia
no sangue, mas que, mesmo assim, adotou para seu visual
os principais elementos do povo da noite, como plumas,
paetês, brilhos e cores fluorescentes. Tribo que
nasceu na Europa, os clubbers, com sua música
eletrônica, sua moda extravagante e sua atitude
festeira e descompromissada, influenciam hoje em dia
modos e costumes de jovens por toda parte. A crônica
desse movimento alternativo que chegou ao Brasil no
começo dos anos 90 e aos poucos, meio sem querer,
desembarcou nos shoppings e nas butiques chiques é
contada no livro Babado
Forte,
da jornalista Erika Palomino, 31 anos, ela mesma uma
clubber de primeira hora que virou meio madrinha do
"mundinho". Montado, para usar o vocabulário
da turma, com paixão de protagonista, o livro,
que tem lançamento oficial neste domingo (com,
claro, uma festança), faz uma panorâmica
do comportamento da vanguarda da juventude paulistana
e carioca nesta década. "Gosto especialmente
do capítulo da moda. A noite e as pistas de dança
sempre foram um palco de experiências para as
inovações dos estilistas", diz Erika.
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Pronta
para
dançar:
o look
radical
dos
clubbers
em
versão
suavizada
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Johnny
Luxo, o ícone: ironia e bom humor nas
plumas, paetês
e
bolsinhas de Barbie e Mickey
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No cenário
clubber, roupa sempre foi um fator de diversão,
ironia e expressão. O ícone dessa atitude,
presente em Babado
Forte
do começo ao fim, é o paulista "Johnny Luxo",
26 anos, nascido João Marcelo Rolim, que da noite
para o dia (ou melhor, da noite para a noite) virou celebridade
simplesmente pela maneira nada simples, diga-se
de se vestir, andar, olhar e falar. Hoje em dia,
Johnny é convidado para desfiles, festas e apresentações
no Brasil inteiro. Dá autógrafos em aeroportos,
é reconhecido nas ruas e até tem clones
Brasil afora. Durante seus anos clubber, acumulou uma
respeitável coleção de roupas, que
vão de Courrèges a Denner, passando por
uniformes de aeromoças ("da Vasp", esclarece) e
invenções e misturas que ele mesmo faz.
Drags
"montadas" A
passagem da moda que os jovens vestiam na rua, inclusive
o visual clubber, para as passarelas que ditam o que todo
mundo vai usar se deu aos poucos, e com algum tropeço.
Em 1993, o americano Marc Jacobs, hoje estilista da Louis
Vuitton, fez para a grife em que então trabalhava,
a Perry Ellis, uma coleção totalmente inspirada
no jeito desleixado-com-capricho da meninada grunge surgida
em Seattle, nos Estados Unidos. Foi despedido no ato.
Um ano depois, Donna Karan, já à frente
de um grupo poderoso, lançou uma coleção
calcada na roupa dos jovens freqüentadores dos clubes
nova-iorquinos, os clubkidz.
A tendência fincou raízes com a ajuda da
cantora Madonna e seus modelos desenhados pelo estilista
francês Jean-Paul Gaultier, entre eles o famosíssimo
sutiã-cone.
O pulo do visual das pistas noturnas para a moda comercial
é fenômeno que se repete em toda parte. A
poderosa Dior tem no clubber John Galliano seu criador
responsável. O alternativíssimo inglês
Alexander McQueen responde pelo estilo da maison Givenchy.
Nomes importantes da moda nacional saíram dos clubes,
como Alexandre Herchcovitch e Walter Rodrigues, dois talentos
hoje integrados ao mundo da moda comercial: Herchcovitch
cuida de estilo na Zoomp, uma das maiores marcas do país,
e Rodrigues cria em seu ateliê disputados vestidos
de festa. As drag queens, homens travestidos de mulher
em produções luxuosas e ousadas, viraram
estrelas de shows, filmes e programas de TV. Sempre montadíssimas,
claro. "Montação é a gíria
que sai do universo dos travestis de rua para significar
também um modo mais extravagante, fashion ou caprichado
de se vestir", explica Erika.
Mudança
de atitude Mas
não foi só no jeito de se vestir que o
que era um clubinho fechado foi se enchendo de gente
"de fora". As raves, festas ao ar livre que começam
de madrugada e terminam com dia claro, ganharam freqüentadores
que antes só se sacudiam em boates e danceterias.
Para o bem ou para o mal, não existe mais festa
sem DJ, o tecno é tocado em rádios comerciais
e os clubes improvisados descritos nos primeiros capítulos
de Babado
Forte,
onde uma turminha de iniciados se reunia para consumir
drogas, exibir-se e dançar, agora abrigam jovens
de todas as tribos em busca de diversão. Com
isso, música, moda e comportamento do final do
milênio tornam-se múltiplos, cheios de
propostas diferentes, para todos os tipos de vida e
identidade uma conquista que tem tudo a ver com
os modos e costumes da chamada cena noturna. "Sinto
as pessoas mais receptivas, mais tolerantes, mais respeitosas
com o mundo clubber. Elas ficaram menos tensas diante
dos valores alternativos", alegra-se Erika.
De lá pra cá

Tatuagens:
preferência
pelas
de
hena,
que se apagam
em
poucos
dias

Piercings: furos, argolas e pingentes
se espalharam pelo
corpo dos mais ousados

Presilhas:
quanto
mais,
melhor,
no cabelo
curtinho
ou
comprido

Óculos amarelos e escuros:
para usar à noite, nas pistas dos clubes
enfumaçados

Pulseiras:
muita
cor
e brilho,
combinando
com o
visual
divertido das
roupas
e sapatos
Fotos: Renata
Ursaia, Everton Ballardin, Frederico Busch, Andrea
Zahra, Thomas Kremer, Jorge Butsuen
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