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Atores de comerciais brigam por cachê maior

Marcelo Marthe


Reprodução de TV
O "tio" da Sukita: 30 000 reais

No embalo de seus colegas americanos, que na segunda-feira passada encerraram uma greve que já durava seis meses, os atores brasileiros de comerciais de TV resolveram fazer barulho. Cerca de sessenta profissionais, reunidos no grupo Caras do Reclame, acabam de lançar um manifesto com várias reivindicações trabalhistas. A principal demanda dos artistas – você já viu os rostos de muitos deles nos intervalos da novela – é por melhores cachês. "Ganhamos valores irrisórios, entre 1.500 e 2.000 reais, para filmar uma propaganda que fica meses no ar", reclama Otávio Martins, um dos articuladores do movimento. Embora reconheçam que estão longe do poder de fogo dos americanos, eles exigem garantia de participação financeira a cada veiculação do comercial na telinha e denunciam que a carga de trabalho é excessiva – às vezes, as filmagens se estendem muito além do previsto. Agora, pretendem negociar com as produtoras e agências de publicidade. "Queremos que se cumpra a legislação: só profissionais com registro de ator podem ser contratados", diz Martins, mal disfarçando o espírito corporativo. É uma bela reserva de mercado. Cerca de 400 comerciais são filmados todo mês só no Estado de São Paulo e participar de um deles às vezes é um trampolim para a fama. Que o diga o ator Roberto Arduin, o indefectível "tio" da Sukita. Ele engrossa as fileiras do movimento, mas nem teria do que reclamar. No primeiro filmete da série, quando era um desconhecido, ganhou 1.500 reais. O último que fez lhe rendeu vinte vezes mais.

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