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Citações demais

Verissimo não acerta ao tentar
imitar Borges

Carlos Graieb

 
Liane Neves
Verissimo: livro mais engenhoso na aparência que na realidade

Luis Fernando Verissimo anda dizendo por aí que a literatura já não lhe dá prazer. Pois imagine se desse. Mesmo sem divertir-se, Verissimo continua sendo dono de um dos textos mais graciosos e elegantes da literatura brasileira. Seria bom se outros escritores importantes desgostassem de seu ofício da mesma forma que ele. Feito esse elogio, no entanto, deve-se reconhecer que o autor fica devendo um pouco em seu terceiro romance, Borges e os Orangotangos Eternos (Companhia das Letras; 133 páginas; 18 reais). O livro pertence à coleção Literatura ou Morte, que transforma escritores famosos em personagens de tramas detetivescas. A idéia é boa. Os resultados têm sido medianos, o que se repete aqui. Verissimo escolheu o argentino Jorge Luis Borges como herói. Cego e sem sair de sua biblioteca, ele tenta desvendar um crime auxiliado por um obscuro acadêmico judeu que mora em Porto Alegre (o narrador da história). Borges foi o mestre dos labirintos narrativos e das citações enganadoras. Para arquitetar sua trama, Verissimo lança mão desses mesmos recursos, mas não com inteiro sucesso. Referências eruditas, por exemplo, pululam em seu romance, só que muitas não contribuem de verdade para o correr da história. Além disso, algumas das artimanhas imaginadas pelo autor não funcionam. O assassino e seus motivos são descobertos antes do final da leitura – o que não deixa de ser frustrante num enredo de mistério. Borges é um livro mais engenhoso na aparência do que na realidade. É também menos divertido do que os outros romances de Verissimo, O Jardim do Diabo e O Clube dos Anjos.

 

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