O novo desafio
da medicina
Antonio Milena

Karina
e Anna: velhas doenças, novas vítimas
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A medicina é um daqueles campos do conhecimento em que
os novos desafios parecem intransponíveis e as soluções,
uma vez absorvidas pela sociedade, soam banais. Há 100
anos, as pessoas morriam vítimas de infecções.
Morte e doenças graves pareciam coisa do destino. Até
que um dia os médicos descobriram que era preciso lavar
as mãos e milhões de vidas foram poupadas. O desafio
desapareceu quando a higiene pessoal se tornou um hábito
corriqueiro. O mesmo processo se deu com a adoção
da vacina e a descoberta dos antibióticos. Infecções
incuráveis, como pneumonia, febre reumática e sífilis,
passaram a ser combatidas. Hoje, as pessoas só morrem de
tuberculose em casos raríssimos.
A reportagem que trata desse tema nesta edição cuida
de um novo desafio da medicina: enfrentar as chamadas "doenças
da modernidade". Velhos males estão atacando vítimas
até outro dia imunes a eles. Doenças que antes se
manifestavam na camada mais velha da população agora
atingem crianças. Males comuns entre homens atualmente
afetam também as mulheres. O motivo dessa transformação
são os péssimos hábitos impostos às
pessoas pelas exigências da vida "moderna", daí a
expressão. Na maioria das cidades brasileiras, sete em
cada grupo de dez pessoas são classificadas como sedentárias.
Não gastam nem 150 calorias por dia com exercícios
físicos. Ou seja, não queimam nem uma porção
de batata frita.
Modificar esses hábitos, isto é, convencer as pessoas
a empregar uma alimentação mais equilibrada e a
praticar exercícios físicos regularmente, entre
outras melhorias, parece um desafio mais uma vez intransponível.
Na reportagem, preparada pela editora Karina Pastore e pela repórter
Anna Paula Buchalla, os leitores são informados de que
as pessoas se dispõem a mudar de vida em geral apenas depois
de um grande susto. "Um dia, quem sabe, ter hábitos saudáveis
se torne uma receita tão banal quanto lavar as mãos",
diz Karina.